Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 19 de março de 2011

MEDITANDO SOBRE ESPAÇO SEM TEMPO E TEMPO SEM ESPAÇO

por Mario Sales FRC.:,S.:I.:,M.:M.:
Briah, Tempo sem Espaço


O Tempo sem Espaço é Som, mas Som que não se propaga, Som sem som, murmúrio abafado, aliás, nem isto, já que está retido na garganta de Deus por não ter espaço por onde se propagar.
É o Som do Pensamento, que ecoa em nossa mente sem se deslocar


Porque o Som que se ouve, propagou-se, irradiou-se através de uma extensão, ou por outra, deslocou-se através de algum espaço. Já o Som sem propagação é puro pensamento, intenção de som, como movimentos involuntários de cordas vocais sem emissão de ar durante um sonho.


Talvez por isso o Som Primordial, o OM, seja tão gutural, grave. Em Briah, enquanto Deus imagina o Mundo, ele sonha, como ensina o Vedanta.




Interessante.
Esta é a explicação do Tempo sem Espaço: a Intenção do Som, a Imaginação do Som, o delinear de uma sinfonia na cabeça do Compositor. Não ainda a Música da Criação, mas a Criação Mental da Música.


A Justiça, a Misericórdia e a Beleza são Princípios Éticos, Concepções acerca da Obra, nada denso ou sólido, mas fundamentos mentais em ebulição no calor do pensamento para a execução da obra. Este triângulo mental está no período de sonho e desejo. Briah é fogo e desejo.



Yetzirah: Espaço sem Tempo


O que dá existência ao Tempo é o Movimento. O Espaço vazio, sem nada que o ocupe e que se desloque sobre ele, é o Espaço sem Tempo. Só pelo movimento sobre o espaço surge o deslocamento e a sucessão de instantes, as durações. Diz o Cabala: “Antes que pusesse sua coroa para estabelecer seu reinado ele delimitou o Ilimitado dentro de limites. Correu uma cortina diante D´Êle e nela Ele começou a desenhar o Seu reinado. Mas nada existia, exceto em nome.” Este é o Espaço sem Tempo. A Prancheta de Deus, um desenho da Obra, o plano no papel, o pensamento e a intenção transformando-se em projeto. Desenho sem vida, imóvel, apenas traços em uma folha, rabiscos da Criação.
Em Yetzirah as bases da sinfonia embora prontas, não estão redigidas, devidamente delineadas. Começa então o Criador-Compositor a escrevê-la. Ele tem diante de si a pauta e repassa todos os detalhes, compassos, tempo de entrada em relação a todos os instrumentos. O Som , entretanto, ainda não se propaga.
Yetzirah é a redação das notas, não o concerto. Diz o Cabala: “Deus separa de Si mesmo todas as coisas ainda que Ele não esteja separado delas.” Yetzirah é Elaboração, Organização do Desejo em Projeto.


O Compositor está Criando, colocando suas Inspirações e Imaginações em uma folha de papel, retirando D´Êle a Obra, que ainda assim será uma extensão de Si Mesmo. Mas não há som, apenas um espaço em potencial a ser preenchido. Não havendo Som que se desloque, não há movimento no ar, não há deslocamento, não há Tempo.
Tempo é Movimento. Espaço é “uma cortina estendida diante D´Êle, e nela Êle começa a desenhar Seu Reinado”.
O Espaço, sem Tempo, é a Prancheta de Deus, Seus Traços, Seu Projeto.