Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

COMENTÁRIOS SOBRE O TRATADO DA PEDRA FILOSOFAL, de LAMBSPRING


Por Mario Sales, FRC, SI

A pedido de uma sóror de Santos, SP, começamos a estudar um texto clássico da Ordem, “O Casamento Alquímico de Cristian Rosencreutz” (1616), que junto com Fama Fraternitatis, também intitulado Fama Fraternitatis Roseae Crucis oder Die Bruderschaft des Ordens der Rosenkreuzer (1614) e Confessio Fraternitatis (1615) compõem a Trilogia de manifestos rosacruzes. Temos usado para este estudo, via Skipe, a publicação da AMORC que reúne os três manifestos, ainda sob a coordenação e supervisão de nosso antigo e saudoso Grande Mestre, Charles Vega Parucker, de 1998.


Jamais imaginei que depois das dificuldades que nos últimos três anos tenho encontrado para me acostumar com a terminologia e arcabouço de conceitos teosóficos, com a ajuda paciente e fraterna de Mestre Flavio, eu encontraria outro texto de natureza hermética equivalente.
Equivalente, por sinal, em complexidade, não é um adjetivo justo para o Casamento Alquímico, mas minha afinidade pela alquimia era mínima e minha ignorância de sua simbologia, imensa.
Durante a primeira leitura, saltava aos olhos o simbolismo quase ingênuo de certas imagens, mas como um hermeneuta prudente ainda me sentia inseguro de concluir pela interpretação deste ou daquele signo sem o apoio de um texto base.
Américo Somermann

Para minha felicidade, e atendendo a minha visualização, por motivos de estarmos no mesmo evento neste fim de semana, em Ribeirão Preto, confraternizei com Américo Somermann, este Editor corajoso que facilitou a todos os esoteristas brasileiros, acesso a textos fundamentais para Rosacruzes, mas muito mais para Martinistas, considerando que a espinha dorsal da Obra de Jacob Boheme foi traduzida. 
Américo levou para divulgação vários exemplares das publicações da Polar, mas dois ou três me chamaram atenção, já que os outros eu já possuía. 
Entre estes, cito especificamente O Tratado da Pedra Filosofal, de Lamb-spring, ou Lambsprink provavelmente um pseudônimo, em dois volumes.
Patrick Paul
A edição como tudo que a Polar publicou, é de uma elegância e beleza inspiradoras,traduzida por Marly Segreto, da de Patrick Paul (Livre docente em Ciências da Educação, doutor em Medicina e em Ciências da Educação, mestre em Ciências [Microbiologia] e em Antropologia, atualmente é Professor Visitante da Faculdade de Medicina da USP) ; o texto, do século XIV ou XV, é primoroso, publicado em dois volumes, e foi referência no estudo alquímico para famosos esoteristas ao longo dos séculos. Patrick Paul, por sinal, é uma figura constante na Ed. Polar (vide O Paradoxo do Nada, em 2011). 
Imediatamente vi que estes eram os tais textos de apoio que necessitava para continuar minha exegese do Casamento Alquímico. Ontem e hoje os folheei, curioso.

Marly Segreto
O interessante é que, embora minha expectativa fosse ter suporte para um estudo alquímico, fui surpreendido pelo fato de que o Autor, dada sua erudição, descreve e explica as imagens alquímicas do livro lançando mão de conceitos cabalísticos.







É o caso da página 195 aonde lemos: “ O Centro Frontal enunciado na Ioga está aberto. Essa mesma passagem corresponde, na Cabala, à entrada no mundo de Briah e ao acesso à Tiferet. Ela é considerada, na Cabala, como a travessia de um véu (o Parohet)[1]que separa as quatro sephirot inferiores das seis superiores (as quais, por sua vez, são separadas de três em três por outro véu, o dos Abismos). Essa travessia, que abre acesso a outro nível de realidade, é chamada de Obra em Branco. ”[2]
Para minha alegria, descubro um texto explicado em termos cabalísticos, o que, para usar uma expressão típica da minha terra, o Rio de Janeiro, é mais a minha praia. Muito bom. Acredito que será uma grande leitura, enriquecedora e esclarecedora. Mãos a obra.




Para informações, acesse o site da Polar Editorial http://polareditorial.com.br/


[1]Que eu, Mario, chamo de Paroketh.

[2] Meditações sobre o Tratado da Pedra Filosofal de Lambspring, pág.195. Ed Polar, vol 1, 2014

domingo, 11 de dezembro de 2016

CRIAÇÃO MENTAL, PÁSSAROS E GAIOLAS


por Mario Sales, FRC,SI

Trabalho apresentado na Casa Dom Luiz, em Brodowsky, dia 10 de dezembro de 2016, em seminário da Loja Ribeirão Preto.

O TERAPEUTA, de Magritte

Todo o universo do conhecimento rosacruz se baseia, apenas, em dois pilares: uma certa palavra e a técnica de criação mental.
É uma afirmação forte, porém fiel à importância destes dois conhecimentos técnicos, que são ao mesmo tempo impressionantes quanto aos seus efeitos quanto fáceis de demonstrar. São possíveis de serem testados quanto a sua eficácia, podem ser verificados, portanto; e apresentam a característica da reprodutibilidade.
Um não iniciado pode e deve usar estes conhecimentos como test-drive esotérico, de forma a saber se vale ou não a pena tornar-se membro desta nobre e antiga Ordem de curiosos e dedicados estudantes.
Por motivos os quais não precisamos discutir, falarei apenas sobre a segunda técnica, a de criação mental.
Da maneira mais resumida possível, a técnica de criação mental é baseada em criar e libertar.
Pensem em um animal frágil, encontrado ao relento, um pássaro, por exemplo.
Imaginem que vocês o recolham, cheios de piedade, e cuidem dele e de seus ferimentos, aquecendo-o, alimentando-o, fortalecendo-o, dando a ele ânimo e vigor.
Eventualmente este animal, antes combalido e à beira da morte, mostrar-se-á cheio de energia e vitalidade.
Agora, neste exato momento em que vocês percebem que ele já tem condições de “voar com suas próprias asas”, conscientes de que nenhum pássaro deve ficar aprisionado, levam-no ainda em uma gaiola, até a borda da floresta, e ali, no seu habitat, abrem a porta para que ele saia e voe em liberdade em busca de sua própria existência.
Esta imagem ecológica e romântica de libertação é a essência do método rosacruz de criação mental.
Cada imagem, cada pensamento, devem ser construídos cuidadosamente da mesma forma como cuidamos e fortalecemos o pássaro do exemplo.
Uma vez que o pensamento, ou melhor, a imagem que o representa estiver nítida e clara, deve ser liberada para o espaço, de forma irreversível, sendo que a melhor maneira de fazê-lo é lançando mão de atividades diferentes, envolvendo-se em assuntos profissionais, dedicando-se a trabalhos manuais, mas de qualquer forma, dirigindo nosso foco de atenção para outro ponto de forma a esquecer completamente da imagem liberada.
É uma profunda e esotérica verdade que os olhos do corpo ou os da mente não são apenas captadores de imagens, mas são também projetores que geram realidades.
Desviando nosso olhar externo ou interno de determinado foco, permitimos que aquilo que antes era objeto de nossa atenção voe livre para longe de nossa influência ou controle.
O bom criador deve ser capaz de libertar seus construtos mentais da mesma forma que o pássaro do exemplo foi libertado, sem acompanhar seu vôo, sem ficar para testemunhar seu afastamento progressivo, de preferência.
Aberta a gaiola e saindo o pássaro, voltamos as costas e seguimos nosso rumo, confiantes que nosso papel neste processo já foi desempenhado e que agora, como sempre, tudo está nas mãos do Altíssimo e de suas leis.
Outro aspecto do dom de criar é que ele é democrático.
Toda pessoa pode e deve usar esta habilidade para criar o tipo de vida que deseja, considerando, óbvio, que a mente move o corpo, e o corpo age no mundo, tanto quanto a mente.
Portanto a criação mental não é um ato apenas intelectual.
É um ato da imaginação e não um ato imaginário.
O pensamento criativo mobiliza forças e energias no mundo da vida, no mundo concreto, e é preciso deixar claro que isto só é possível porque a mente e o corpo não têm uma real separação como supõe a nossa vã filosofia.
Exatamente porque acreditamos nisso, ou seja, porque temos esta crença arraigada de que o invisível e o visível estão separados, mesmo após a psicanálise ter demonstrado no século passado a influência devastadora e inequívoca dos pensamentos nos comportamentos, de novo, do imaterial no material, ainda assim, no início do século XXI, o senso comum acredita que o que acontece na mente fica restrito a mente e o que acontece no corpo fica restrito ao corpo.
Eu costumo brincar com meus pacientes ou interlocutores que menosprezam o papel da mente no corpo e, por extensão, na vida social concreta, através do corpo, que essa separação só seria possível se não existisse o pescoço.
Como o pescoço existe, o que está em cima desce e o que está em baixo sobe.
Esta percepção aparentemente banal, ainda não totalmente assimilada, foi enunciada por um filósofo alemão, Schopenhauer, já no século XIX, o que deu base para o trabalho de Nietzsche e depois de Freud.
Isto tudo para ficar no campo do comportamento.
O Esoterismo vai além, e ensina que a influência da mente e dos pensamentos no real transcende o instrumento corpóreo, agindo diretamente no complexo jogo de forças sociais, de maneira a construir uma realidade que preencha o campo energético gerado pelo desejo do imaginador, ou, para usar uma palavra antiga e elegante em esoterismo, do conjurador.
Visualizar o objeto do desejo é planejar aquilo que se quer, é antecipar com clareza os detalhes essenciais da Obra, de tal maneira que, certas vezes, chegamos à conclusão de que o objeto de nosso desejo não é tão imprescindível como parecia.

A ARTE E A TÉCNICA DE VISUALIZAR

Três coisas são necessárias para executar a Visualização Criativa: a primeira, e mais importante, é que desejemos materializar algo de real necessidade, que não seja apenas um capricho, mas uma demanda que se origina no coração mais do que na cabeça; a segunda é ter uma idéia clara do que é fundamental no que se deseja e não dos detalhes periféricos do objeto; e a terceira e última é visualizar com nitidez e serenidade, a imagem símbolo do desejo, para depois libertá-la no espaço, como o pássaro da história inicial.
Vamos trabalhar cada item separadamente.
1.   O DESEJO DO CORAÇÃO
Porque desejamos algo? Em primeiro lugar, porque supomos que precisamos deste algo que desejamos.
A sabedoria ensina, no entanto, que esta suposição nem sempre se fundamenta na verdade.
A existência depende da satisfação de cinco necessidades básicas: Ar, Água, Alimento, Abrigo e Afeto.
Vejam, a felicidade não é uma necessidade básica.
O estado de felicidade implica uma alegria na existência que decorre da satisfação destas necessidades, mas em si não é uma necessidade. O que não quer dizer que a vida triste seja natural ou que as tristezas sejam mais numerosas que as alegrias.
Uma vez que estes cinco “As” estejam preenchidos, desfrutaremos de bem-estar. O que pode muito bem nos jogar em uma perigosa zona de conforto que nos paralisará e inibirá a evolução.
Portanto, eu colocaria um sexto “A” como necessidade básica juntamente com as outras já descritas.
Juntamente com Ar, Água, Alimento, Abrigo e Afeto, devemos preencher a necessidade do Aperfeiçoamento.
Precisamos, todos, melhorar como pessoas.
É isto que fazemos desde o berço: evoluímos.
E aí começa nosso sofrimento.
O que é melhorar, evoluir, aperfeiçoar-se? É satisfazer as cinco necessidades básicas? Ou é ir além do básico?
Aperfeiçoa-se quem domina as coisas do corpo e da matéria ou aquele que se fortalece no espírito?
Aperfeiçoamento é algo sempre visível ou trata-se de algo interior e profundo, essencial, e nas palavras de Saint Exupéry, por ser essencial, invisível aos olhos?
Nossa vida profissional pode muito bem ser exemplo disso.
Como profissionais, temos que ter um desempenho visível e manifesto de nossa competência, além de um conhecimento intelectual ou uma sensibilidade invisível que são percebidos quando abrimos nossa boca e fazemos uma intervenção qualquer no fluxo dos acontecimentos da sociedade.
É aí que o invisível se revela. E tudo isso, o exterior, visível e o interior, invisível, são partes de nosso aperfeiçoamento, porém o mais profundo sempre será a sustentação do mais externo.
Por mais belo que seja o prédio, sem fundações sólidas, desmoronará. Por isso nossa solidez moral e pessoal depende do inefável e é nele que devemos investir nossos esforços em busca de aperfeiçoamento. Viemos a este mundo para participar da criação do mundo, dia após dia, ação após ação, recolhendo os cacos de Isac Luria e juntando-os numa única peça. E para isso, precisamos de habilidade. Quanto mais hábeis, quanto mais preparados e aperfeiçoados, mais colaboraremos na grande obra, da qual somos construtores e desfrutadores.
Não existe o gênio anônimo. Existem sim aqueles que, com seu talento, criatividade e imaginação modificam o mundo a sua volta, enquanto outros permanecem presos a fantasias de grandeza paralelas ao que chamamos de Mundo da Vida Real.
Portanto, parte do nosso aperfeiçoamento, seja ele intelectual ou profissional, será visível aos olhos daqueles que conosco convivem; uma outra parte, que garantirá e sustentará esta competência visível, permanecerá oculta em nosso ser, na profundidade de nosso espírito, e só poderá ser percebido por nós mesmos ou por pessoas de rara sensibilidade.
É muito bom que recebamos elogios por nosso desempenho visível, mas só nosso guardião interno, nossa Consciência, conhece tanto ou mais do que nós, nossas dúvidas e inseguranças.
É a este guardião que prestamos contas em última análise e é apenas quando temos sua aprovação que nos sentimos realmente satisfeitos com nossa vida pessoal e social.
Repetindo: aquilo que nos faz pessoas satisfeitas e bem-sucedidas está invisível dentro de nós, e mesmo o resultado externo visível de nossa competência só existe por causa deste mundo interior.
Não importa, desta forma, que tenhamos ou não riquezas exteriores e materiais ou mesmo uma reputação, ou fama na sociedade se interiormente não estivermos em harmonia com nossa Consciência, que vela e cuida de nossos dias, zelando por nosso equilíbrio.
O sexto “A”, Aperfeiçoamento, está ligado a este estado de harmonia com a Consciência, que julgará, soberana, se realmente nos aperfeiçoamos ou não, se estamos evoluindo ou não, se nossas conquistas são banais e efêmeras ou se representam sólidos fundamentos para o crescimento de nosso espírito.
Quando desejamos coisas materiais e externas, devemos estar atentos a se aquilo que desejamos nos fortalece interiormente ou se apenas trata-se de um desejo superficial por alguma coisa que não é fundamental a nossa existência. Pode-se desejar o que se quiser desejar, mas não se deve equivocadamente caracterizar um desejo banal como algo essencial.
Por isso dizemos que nosso desejo deve sempre vir de nosso coração, representando uma necessidade básica real, que satisfaça aqueles cinco “As” já citados.

2.   TER UMA IDÉIA CLARA E NÍTIDA
Uma vez que a nossa demanda seja legítima inicia-se o processo de organização da imagem, o tratamento do pássaro ferido da nossa história.
Devemos começar por partes e um protocolo bastante simples é colocar em uma página em branco tudo que vier a nossa cabeça em relação aquilo que desejamos.
Vamos usar um exemplo prático, supondo que queiramos uma casa nova.
Suponha que você more em um apartamento, pagando um aluguel, e você deseja mudar para uma casa própria, aonde sua família consiga ter conforto, Abrigo, livrando-se assim de uma dívida mensal improdutiva.
Como vou visualizar a minha nova casa?
Devo considerar em minha visualização o valor financeiro da transação?
Não, o Universo não trabalha com esses pressupostos.
Para o Universo, dinheiro é um meio e não um fim e raramente é a questão fundamental em um desejo.
O que realmente importa é aquilo que você deseja, ou seja, aquilo que você compraria ou conseguiria com esse dinheiro.
Se você tem ou não os recursos para conseguir o que você quer no momento, isso não tem a mínima importância para o método de Criação Mental, pois os meios surgirão desde que se defina com CLAREZA E NITIDEZ, os fins.
Lembremos de Mateus, 7:7: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á.”
Este versículo começa com o imperativo “Pedi”, que implica em transmitir à Mente Cósmica aquilo que desejamos com clareza. E qual é a linguagem de todos os mundos? A Imagem Mental, aquela mesma que depois de ser visualizada interiormente será descrita em palavras, em várias línguas diferentes.
Só que antes de ser transformada em palavras, uma Imagem é uma Imagem, e esta Imagem é a língua do Universo.
O que se vê não precisa ser descrito.
Não preciso pensar nos recursos porque essa é a parte do Universo, não a sua. Sua parte é pedir, com clareza imagística. Veja em sua mente a imagem do que você quer, este é o pedido em linguagem Universal.
E o que devo ver em relação a minha casa?
A cor das paredes, se é no alto de um monte, se é uma determinada rua ou bairro, se tem gerânios nas janelas?
Na verdade, o que é material serve apenas para abrigar o imaterial. Ou seja, o que queremos de uma casa própria é que seja confortável, acolhedora, segura. Que nesta casa todos os membros da família se sintam bem, que exista alegria dentro de suas paredes. Se será grande ou pequena de paredes amarelas ou brancas, com janelas verdes ou azuis, de dois ou de um único andar, deixemos a critério d´Aquele que conhece aquilo que vai no nosso coração antes que nós o conheçamos, e que vive em todas as épocas, em todas as partes, em todos os tempos.
Sua Divina solução para nosso pedido será, com certeza, melhor do que a melhor solução que pudéssemos imaginar.
Portanto, como no tratamento do pássaro, vamos alimentar nosso desejo com ar, água, alimento adequados e dar abrigo e proteção à nossa idéia enquanto ela se fortalece, deixando que a natureza faça a sua parte, e a partir de nossos estímulos garanta a vitalidade da idéia e do desejo.
Em uma casa realmente satisfatória, importam mais suas qualidades operacionais do que sua aparência externa se bem que não se quer dizer com isso que a aparência externa seja algo a se desprezar. A beleza e elegância do Universo demonstram que a Consciência Cósmica, como os rosacruzes costumam chamar o Criador, teve um particular cuidado em criar com arte e proporção aquilo que fez.
Sabendo quais as características que desejamos para o que desejamos, passemos a terceira e última parte deste protocolo, a criação de uma imagem símbolo.
3.   VISUALIZAR COM NITIDEZ E SERENIDADE
Já que pelo que vimos acima, visualizar coisas complexas não é ver coisas, mas qualidades, como podemos trazer essas qualidades para uma imagem?
A resposta é: sentimentos. O desejo deve vir do coração. Da mesma forma à imagem devemos acrescentar sentimentos que a definam enquanto visualizamos.
No exemplo da casa, podemos visualizar uma imagem esfumaçada, com os contornos de uma casa, quatro paredes esfumaçadas, um telhado com dois caimentos esfumaçados, sem definição de tamanho, forma ou cor. Sobre essa imagem, durante a visualização, lançamos nossos votos de que deva ser um local aconchegante, harmonioso, seguro, e aonde nossa família possa se sentir protegida e acolhida.
Não precisamos pedir que seja grande ou pequena, isto o Cósmico definirá.
Não precisamos definir sua localização, isto o Cósmico decidirá.
Não precisamos pedir que o preço seja accessível às nossas posses, isto o Cósmico providenciará.
O que precisamos, é ter claro para nós o que queremos e o que esperamos encontrar com a realização desse desejo.
Uma casa não são apenas suas paredes, mas é também formada da felicidade que possa acontecer debaixo de seu teto, dos encontros, das alegrias, da convivência enfim, harmoniosa, entre os membros da família que ali reside.
Este é o verdadeiro conceito de Abrigo, dos 6 “As” anteriores, não apenas um teto sobre nossas cabeças, mas um lugar que nos proteja de todo o Mal.
Esta é uma imagem para pedidos complexos, que carregam grande número de variáveis na sua concepção.
A regra é que quando seu pedido possuir muitas variáveis concentre-se naquilo que é constante e entregue as variáveis nas mãos do Altíssimo.
Finalmente, quando visualizar, esteja calmo e sereno. Não contraia o rosto ou os músculos nem aperte as mãos como se estivesse realizando um esforço físico. O trabalho é essencialmente mental e nesse caso, quanto maior a serenidade do visualizador, mais clara e nítida será a visualização.
Não, não pense que vai tocar uma música de suspense ao fundo. A verdadeira magia é discreta e não tem como nos filmes, fundo musical.

Darei agora um exemplo prático, real, que ilustram o método em ação, retirado do livro que resume esta técnica, até o momento de maneira insubstituível, “Princípios Rosacruzes para o Lar e para os Negócios”, de Harvey Spencer Lewis.


Aprendendo a usar a Visualização Criativa

Por Spencer Lewis



Permita-me dar um exemplo do método errado e veja o leitor se consegue apreender o argumento, de modo a registrá-lo definitivamente, e durante muito tempo, em sua mente.
Vamos supor que um homem tem uma propriedade que está ansioso por vender. Ele não quer continuar arcando com impostos e seguros e prefere ter o dinheiro, de maneira a poder usá-lo imediatamente para comprar passagens para si e sua família e partir para o Oeste. Lá ele deseja estabelecer seu lar e obter uma nova posição de modo a recomeçar a vida em melhores condições e numa região que, em sua opinião, é melhor. Ele tentou todos os métodos conhecidos para vender a sua propriedade. Procurou corretores de imóveis, publicou anúncios em jornais e fez ofertas pessoais. Após muitos meses, conseguiu um grupo de prováveis compradores, mas depois de todo esse tempo o resultado total de seus esforços consiste em uma provável venda a uma de três pessoas.
Uma delas lhe pagaria imediatamente se pudesse resolver seu caso no tribunal, o que lhe daria dinheiro suficiente para comprar a propriedade, mas o caso está nas mãos de um juiz que demora em lavrar sua sentença. O candidato número dois compraria a propriedade imediatamente, mas o caso é que seu negócio está entregue a um síndico de massa falida e ele está esperando receber o dinheiro resultante de um ajuste de contas entre os credores e outras pessoas.
O candidato número três é um jovem que deseja comprar a propriedade para começar a vida de agricultor, mas seu pai está na Europa e só voltará dentro de alguns meses, e o filho está esperando que o pai lhe mande dinheiro pelo correio ou por telegrama, mas parece que não poderá consegui-lo.
Então, nosso homem que deseja vender a propriedade e ir morar no Oeste acha que deve apelar para a ajuda do Cósmico. Ele passa a se concentrar no Cósmico e a visualizar o que gostaria de tornar manifesto. Adota o sistema típico esboçado pelos modernos cursos de psicologia e, assim, senta-se e projeta para a mente cósmica seus pedidos e exigências, mais ou menos nestes termos: “Agora - diz ao Cósmico - quero vender minha propriedade para que possa mudar-me para o Oeste, comprar uma casa e começar vida nova, e não posso vender minha propriedade a menos que um destes três candidatos tenha dinheiro.   Portanto, por favor, ajude o homem para que o juiz lhe dê uma sentença favorável, ou ao síndico (da massa falida), para que consiga um acordo quanto aos seus negócios (do segundo candidato), ou que o pai que está na Europa mande dinheiro para o filho”.
 Então nosso concentrado amigo começa a visualizar o juiz trabalhando no processo e tomando a decisão de liberar o dinheiro de que o candidato precisa. A seguir visualiza o síndico (da massa falida) trabalhando em seus papéis e tomando uma decisão favorável ao candidato número 2. Em seguida, visualiza o pai na Europa lendo as cartas do filho e decidindo mandar-lhe dinheiro.
Depois de fazer tudo isso e passar meia hora em concentração e visualização, ele está certo de ter deixado bem claro para o Cósmico exatamente o que quer. E espera dia após dia que o Cósmico manifeste sua solução.
Mas não há nenhuma manifestação. Naturalmente quer saber o que está errado.
Agora examinemos o problema deste homem e vejamos se ele estava ou não fazendo a coisa certa. Em primeiro lugar, quando me consultou – e escolhi este caso de uma ocorrência real – incutiu-me claramente o fato de que seu grande desejo era vender sua propriedade a um desses três candidatos, para obter o dinheiro e partir para o Oeste. Este era o pensamento dominante em sua mente em todas as suas concentrações e em todos os seus apelos ao Cósmico. Entretanto, estou certo de que todos concordarão comigo sem delongas quando digo que tudo bem considerado, o que o homem menos queria era vender sua propriedade e obter o dinheiro. Na verdade, a venda da sua propriedade e a obtenção do dinheiro não era a questão vital ou a coisa real que ele mais desejava. O que o homem queria realmente era ir para o Oeste e recomeçar a vida. Eu o convenci disso dizendo-lhe: “-Vamos supor que você não vendesse a casa, mas tivesse recebido uma oferta de uma firma na Califórnia para se mudar para aquele estado e administrar uma de suas grandes fábricas, e esta oferta fosse acompanhada de uma promessa de pagar todas as suas despesas de viagem e ajuda-lo a alugar uma boa casa. Você aceitaria esta oferta? ”
Ao que ele respondeu prontamente: “-É exatamente isto o que eu quero, e de bom grado aceitaria esta oferta”.
Está claro que o verdadeiro desejo dos sonhos deste homem não era vender a propriedade. Do seu ponto de vista limitado, material, terreno, só havia um modo pelo qual ele podia mudar-se para o Oeste e recomeçar a vida, e este era vendendo a sua propriedade e usando o dinheiro para realizar seus planos. Ele jamais pensou, por um momento sequer que o Cósmico poderia ter outras maneiras de efetuar a realização de seus desejos. Em outras palavras: seu desejo era mudar-se para o Oeste; e ele sentara-se e ponderara, elaborara a partir de seu ponto de vista e decidira, arbitrariamente e de modo final, que só havia um modo de controlar seus problemas, que era pela venda de sua propriedade. A seguir, passou, em todo o resto de seu pensamento, planejamento e concentração, a usar esta decisão arbitrária, sua conclusão final, seu raciocínio e ponderação, como sendo a maneira decisiva, a maneira perfeita, a única maneira de realizar seu sonho.
Tendo decidido assim, então passou a dizer ao Cósmico que este devia aceitar a sua decisão, seu plano, sua solução, e resolvê-la para ele. Por certo, trata-se de uma imposição ao Cósmico, e ao mesmo tempo era a pior solução que podia obter para efetuar a realização que esperava.
Em outras palavras, o homem estava apelando ao Cósmico para vender sua propriedade, em vez de apelar para que o Cósmico o ajudasse a mudar para o Oeste e começar nova vida.
Ou de outro modo, podemos dizer que ele estava dizendo ao Cósmico: 
Quero que você me ajude a realizar meus planos; mas ouça, Cósmico, decidi como deve ser feito e como ele pode realizar-se, e como você deve ajudar-me. Vou dizer-lhe exatamente o que quero que você faça, e quero meus planos executados unicamente desta maneira. Não quero que você me mande dinheiro do céu. Não quero que você me faça vir dinheiro de um testamento ou por presente, ou por qualquer outro canal, mas pela venda de minha propriedade. Não quero que me mande passagens por alguma firma que gostaria de me chamar para o Oeste. Não quero que você me dê as passagens por intermédio de alguma instituição bancária que me ajudaria a me mudar para o Oeste. Não quero que você faça que o representante de uma companhia do Oeste me chame e se ofereça para pagar minhas despesas, mas quero que você me dê o dinheiro unicamente pela venda da minha propriedade. Não quero que você faça uma empresa me oferecer um cargo ou uma casa no Oeste. Quero ir para lá com minha família e buscar um emprego, achar um a minha maneira, e levar a cabo a parte final de meu plano por meus próprios esforços. Não quero que você faça qualquer coisa de singular ou original que eu não tenha pensado, mas simplesmente que você siga as minhas instruções, e então saberei que o cósmico é meu sócio”.
Agora, deixo ao bom senso do meu leitor julgar se tal raciocínio e tal apelo ao Cósmico podem ou não dar os resultados desejados. A prova da minha afirmação está no fato de que depois que eu falei com este homem e lhe mostrei as limitações que estava criando em torno da solução de seu problema, e a atitude ditatorial que adotara para com o Cósmico, ele foi para casa e passou a se concentrar de maneira apropriada a conseguir realizar plenamente suas esperanças. Ele se concentrou na seguinte imagem: viu-se e a sua mulher viajando, não especificamente de trem, carro, ou qualquer forma definida, para o Oeste.  Viu-se reunido com um grupo de homens que lhe ofereceram uma boa posição. Viu sua mulher, em sua companhia, entrando numa casa aconchegante, sem tentar visualizar a casa com ou sem varanda, com um ou dois pavimentos, pintada de vermelho ou de verde, com pátios grandes ou pequenos, mas apenas uma casa confortável, e conforme o que ele realmente precisava. Isto era tudo o que ele tinha em mente ao se concentrar, e ao apelar para o Cósmico. Ele estava completamente indiferente a se ele próprio comprava as passagens ou se alguma outra pessoa o fazia; se ele iria nesta ou na semana seguinte; ou para que parte do Estado da Califórnia iria, ou que tipo de cargo lhe era oferecido. Todos estes pequenos detalhes e meios ele deixou inteiramente a critério do Cósmico.
Qual foi o resultado? Um de seus amigos, que por acaso escrevera a um conhecido no Oeste sobre seus desejos, de volta recebeu uma carta dizendo que havia um cargo numa nova fábrica de calçados a ser instalada no Oeste, e como este homem já fora superintendente de uma fábrica de calçados, havia a possibilidade de um cargo para ele. A carta foi mostrada ao homem que estava se concentrando e ele escreveu diretamente para a nova fábrica na Califórnia. Ofereceram-lhe um cargo e mais um adiantamento de seu salário, suficiente para que ele fosse com sua família para o Oeste.
Em doze dias ele estava a caminho do Oeste. Precisamente três semanas após lá chegar, e já estar instalado em sua nova casa e em seu novo cargo, uma companhia de imóveis em Nova York, notificou-o de que uma grande empresa, até então não considerada como cliente para a compra da propriedade fizera uma excelente oferta por ela e que a oferta “caíra do céu”.
Desse modo, nosso homem viu-se confortável e alegremente instalado em sua nova casa e em seu novo cargo, numa nova região do país, e também com uma bela soma em dinheiro que podia deixar de lado, numa caixa econômica, reservado para emergências. Todos os seus sonhos tinham se realizado e mais ainda; entretanto, nenhum dos detalhes da concretização fora semelhante aqueles em que ele se concentrara em suas tentativas originais de exigir do Cósmico sua cooperação.

A Arte da Visualização Mental garante, portanto, que todas as nossas necessidades básicas, se assim desejarmos, serão satisfeitas e que a miséria física e espiritual é consequência de nossas crenças mentais muito mais do que de nossas posses materiais.
Tudo que for básico, que fizer parte dos 6 “As” está garantido pelo universo àquele que, pela iniciação, for levado a conhecer o potencial de realização de sua imaginação.
É claro que para isso, certas condições são necessárias, como serenidade, capacidade intelectual de abstrair, curiosidade sincera e perseverança ao exercitar uma habilidade esquecida pela falta de prática há séculos.
Um músculo imobilizado por anos se atrofia. Para recuperar sua vitalidade, seu “tônus” normal, este músculo deve ser gradualmente acostumado ao movimento e sua habilidade não será retomada imediatamente após ser libertado de sua imobilidade.
É preciso praticar com este músculo para que ele retorne ao seu desempenho normal.
A IMAGINAÇÃO CRIATIVA é, do mesmo modo, uma capacidade presente em todas as pessoas e só não é usada como ferramenta cotidiana por motivos culturais, já que a sociedade olha com desconfiança e medo para a Criação e supõe que a maldição bíblica em Gênesis 3: 19 (“No suor de teu rosto comerás teu pão, até que te tornes terra; porque delas fostes tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás”) é real e intransponível.
Somos vítimas de nossas crenças, de nossas idéias de mundo, que nos impelem nesta ou naquela direção, como marionetes.
Convicções: este é nome daquilo que nos oprime.
Para usarmos bem a Visualização Criativa precisamos fazer um exercício de desapego de convicções e testar o que aqui é proposto mantendo aberta nossa mente aos acontecimentos; depois, se não estivermos satisfeitos, testar novamente e novamente, de forma que uma sucessão de experimentos bem-sucedidos façam que as convicções mudem e novas idéias de mundo assumam o comando de nossa mente.




quarta-feira, 16 de novembro de 2016

TEMPO LINEAR, TEMPO CIRCULAR


Por Mario Sales, FRC, SI


A estação espacial

Era 1999. O primeiro episódio da nova franquia de Star Trek, (Jornada nas Estrelas), Deep Space Nine, que duraria sete temporadas, escrito pelo roteirista Rick Berman, começava a ser exibido.
Seu título é “O Emissário” e foi dividido em duas partes.
Revi com prazer este episódio agora, já que toda a série está disponível na Netflix
O enredo é básico para o desenrolar de toda a trama.
Benjamin Sisko (Avery Brooks), comandante e representante da Federação de Planetas, assume a administração de uma ex estação espacial do povo Cardassiano, que acabou de se retirar de um planeta chamado Bajor, em órbita do qual a estação está.



Benjamin Sisko, vivido pelo ator Avery Brooks

Os Cardassianos subjugaram e dominaram política e militarmente o povo bajoriano por décadas, e com sua saída e a retomada da autonomia do planeta, a Federação é chamada a apoiar a transição, tecnológica e militarmente.
O Comandante Sisko é um homem solitário e amargurado pela lembrança da morte de sua esposa em uma batalha três anos antes, contra uma nave Borg, que coincidentemente era liderada por um Jean Luc Picard abduzido e transfigurado pelos Borgs em Locutus, destino do qual eventualmente seria salvo pelos seus oficiais.
Neste ínterim, entretanto, ainda na situação de abduzido, Locutus (Jean Luc) comanda um ataque a Terra e enfrenta a resistência de várias naves da Federação, entre elas aquela aonde servia o atual comandante Sisko, juntamente com sua esposa e seu filho adolescente, Jake.

Locutus


Durante o ataque, sua esposa é morta e ele escapa com o filho por pouco.
Ao assumir Deep Space 9, Cisco é apoiado pela Interprise, capitaneada pelo mesmo Jean Luc Picard, já de volta ao seu estado humano normal, e o primeiro encontro de trabalho entre ambos, por causa disso, é tenso. A mágoa de Sisko com Jean Luc reflete mais a sua tristeza e seu luto do que uma raiva pessoal, já que ele lhe lembra aquilo que mais queria esquecer.



A cena da esposa soterrada pelos escombros e sem possibilidade de ser retirada da nave, a qual explode pouco depois de ser evacuada, marca o drama pessoal deste comandante viúvo, descrito nesse episódio.
O enredo então avança pelos problemas administrativos e políticos da reconstrução da vida social de Bajor, pari passo com a reorganização e adaptação à tecnologia cardassiana da estação pelos técnicos da federação.
Surgirão problemas de interação entre os homens e as máquinas e entre bajoriano e humanos durante este período.
O destaque, no entanto, fica para o significado da espiritualidade nesse processo.
A major Kira, adida bajoriana e segunda em comando na estação alerta Sisko que o seu planeta está dividido depois da retirada cardassiana, e que só uma coisa une a todos: a religião.


Jean Luc Picard

A líder espiritual do planeta, Ka Opaka, recusa-se a fazer a ponte entre todos e se afasta, tornando-se reclusa.
Surpreendentemente, convoca Sisko para uma reunião através de um de seus sacerdotes, que trabalha na estação espacial. Sisko atende seu chamado e se reúne com ela em Bajor. Ela lhe fala sobre o destino de cada um, o qual ela chama de Pah. E alerta Sisko de que seu Pah o trouxe aquele mundo, e poderá fazer por ele mais do que ele supõe.
Neste momento, ela revela a ele que possui um objeto, parte de um grupo de nove, mas dos quais sobrou apenas um, sendo que os outros oito haviam sido roubados pelos Cardassianos, quando de sua violenta estada em Bajor.
Este orbe remanescente está por isso mesmo, devidamente escondido de todos, e ela mostra-o somente a Sisko.
Trata-se de um objeto semelhante a um pequeno peso de ginástica, mas em posição vertical, que flutua dentro de um escaninho com portas (que se fecham para ocultá-lo) e gira sobre si mesmo enquanto emite uma hipnotizante luminosidade azul.

Ka Opaka

Ka Opaka diz a Sisko que ele precisa resolver sozinho seus problemas pessoais e deixa-o experimentar o Orbe, como é chamado. Abre a caixa para espanto de  Sisko que olha aquele objeto fascinado e sai da sala.
Sisko é então tomado por um estado de consciência alterada em que revive o dia da morte da esposa, e perde durante o processo a noção de tempo e espaço. Quando sai do transe, Ka Opaka retorna e diz a ele que este é um dos efeitos do Orbe sobre quem o contempla, e que é seu Pah interpretar o significado do Orbe.


O Orbe dentro de sua caixa

Numa demonstração de inexplicável confiança, Ka Opaka dá o Orbe a Sisko dizendo que ele deve buscar “Os Profetas” através deles e achar sua Morada, o “Templo Celestial”, seu destino pessoal, seu Pah.
Sisko leva o Orbe para a estação e pede a um velho amigo, um ser simbiótico capaz de viver várias vidas em corpos de hospedeiros diferentes, chamado Dax, agora na pele de uma bela moça, Jadzia Dax, que examine o Orbe e tente entender seu mecanismo.
O episódio se desenrolará com outros acontecimentos, mas para não me estender em demasia, salto para o momento em que, com a ajuda de Jadzia, Sisko descobre aonde deve se dirigir para encontra essa região ou dimensão, chamada na mitologia bajoriana de “templo Celestial”, a qual ele começa a suspeitar, seja apenas uma vestimenta mitológica de fatos até aquele momento inexplicáveis a luz da cultura daquele povo.
Sendo assim, ele e Jadzia, a bordo de uma nave auxiliar, dirigem-se a uma região do espaço aonde uma grande concentração de neutrinos denuncia uma atividade de campo intensa e, até aquele momento, invisível.
Para sua surpresa, quando se aproximam, a atividade dos neutrinos aumenta exponencialmente e um Buraco de Minhoca tempo espacial se abre a sua frente, para dentro do qual são lançados e que atravessam em grande velocidade, saindo um pouco mais a frente, para sua surpresa, milhões de anos luz distantes de onde estavam, no chamado quadrante gama. Mais espantosamente, percebem que o Buraco de Minhoca é estável, que não foi um fenômeno natural, mas que é artificial, que tem provavelmente 10000 anos de existência, período durante o qual os nove orbes apareceram e que era produto de uma avançada tecnologia de um povo, até aquele momento, desconhecido.
Dão meia volta na nave auxiliar e começam a retornar ao seu próprio quadrante espacial, passagem permitida novamente pela abertura graciosa do portal com a sua aproximação.
Só que dessa vez eles não conseguem atravessar e sair simplesmente. A nave reduz sua velocidade e, espantosamente, pousa em algum lugar. Perplexos eles saem da nave dentro de um bolsão atmosférico adequado a vida humana, de aparecimento tão inexplicável quanto o próprio portal. Sisko sai da nave e se depara com uma paisagem sinistra e desolada, com abismos e rios de lava correndo entre rochas disformes.
Já Jadzia, ao sair, depara-se com um local semelhante ao paraíso, um lindo jardim com um sol agradável, cheio de árvores frutíferas.
Ambos, no mesmo espaço físico, se assim podemos chamar, vivenciam experiências de interação ambiental absolutamente diversas, talvez uma manifestação do estado interno psicológico de cada um. O deprimido viúvo e a sábia criatura de centenas de anos experimentam o mesmo espaço tempo de modo absolutamente desigual.
Súbito, um Orbe surge, semelhante aquele que Sisko e Jadzia receberam para análise de Ka Opaka. Ele flutua sobre ambos até que captura Jadzia enquanto Sisko é envolto por um estado de consciência alterada.

Jadzia e Sisko sendo sondados por um Orbe antes de Jadzia ser levada de volta da Fenda espacial para a estação


O Orbe levará Jadzia em segurança até a estação espacial Deep Space Nine, enquanto Sisko começa uma estranha conversação com os seres que, agora se revelam habitantes daquela fenda espacial.
Eles não se revelam como formas. Para que Sisko os compreenda, assumem ao falar a forma de pessoas que fazem parte das memórias de Sisko, sua esposa mais jovem, seu filho conversando com ele no holodeck da nave que os trouxe a estação no início do episódio, ou mesmo na forma de Ka Opaka ou Jean Luc Picard. Eles falam como se cada um fosse parte do outro e a frase e o pensamento de um geralmente são completados por outro personagem.
Cisco está mergulhado nesta estranha experiência de interação, mas percebe o que ocorre e entra no jogo deste estranho primeiro contato com o povo da fenda espacial, que ele ainda não sabe, tem parâmetros de compreensão absolutamente distintos dos parâmetros epistemológicos e psicológicos humanos.
Esta é talvez a cena mais forte do filme. Sisko precisa conversar com rostos que não são aqueles de seus interlocutores, mas apenas máscaras, personas de seu próprio universo psicológico interior.
É durante este estranho colóquio que ele percebe a mais impressionante diferença daquele povo: eles não conhecem o conceito de tempo linear já que vivem em uma percepção de tempo circular ou eonica, como chamavam os gregos.
Desta forma, durante a conversação, esforçam-se para compreender o que é tempo linear, o que é porvir, futuro, e o que é passado, aquilo que não volta mais.
Para eles tudo isso é novo e complexo já que tudo que existe, existiu ou existirá, para eles, é um presente eterno.
Sisko esforçar-se-á para explicar o que significa viver com uma compreensão linear da vida, e a natural impossibilidade humana de voltar fisicamente ao que já aconteceu.
Neste momento, eles o questionam sobre suas lembranças pessoais que contemplam telepaticamente, nas quais o episódio de maior sofrimento para ele, o dia da morte de sua esposa, é revisitado com frequência.
E quando eles o questionam ele diz que aquilo já passou, que é apenas uma lembrança, ao que retrucam que não é apenas uma lembrança, mas uma vivencia, da qual ele não se liberta, e que ele experimenta seguidas vezes, como em um looping, como em um círculo vicioso. Eles perguntam: "Se isto não existe mais, porque voce vive aqui, porque voce existe aqui?"
Esta é a natureza psicológica dos traumas.
Eles são experiências que são revisitadas pela vítima de maneira descontrolada e constante, de maneira que aquele que vinha em um curso linear de vida e crescimento para neste ponto e fica ali, rodando em círculos, sem poder se libertar daquele momento, daquela emoção, daquela memória.
E então os habitantes da fenda argumentam com Sisko que aquele comportamento não é linear. Ou seja, no seu processo de compreensão da natureza da psicologia humana e da sua peculiar relação com o tempo, percebem que, como no caso de Sisko, o que para eles era seu modo natural de ser, para seres lineares era uma denúncia de doença e trauma mental.
Sisko desaba em lágrimas ao perceber a profundidade desta descoberta aparentemente tão simples.
E ali, sua recuperação psicológica se completa e ele consegue superar a perda da esposa.
O episódio segue, mas o que me interessa acaba aqui.
É talvez um dos mais fascinantes filmes de ficção científica que eu assisti, e que há anos eu não revisitava.
Teve forte impacto sobre mim. Eu mesmo estava paralisado, há mais ou menos um ano, por uma desagradável experiência que atravessei no meu ambiente profissional.
Percebi o quanto de circularidade em minha mente e em meus pensamentos este trauma existencial havia me atirado.
E como o comandante Benjamin Sisko, em uma catarse, começo a ir em frente e voltar a um tempo psicológico linear.
Tudo na arte, do teatro ao cinema e à música, pode sim ser terapêutico.
Uma experiência enriquecedora que eu quis compartilhar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O ESTOFO DAS AMIZADES

Por Mario Sales,FRC,SI




Não se pode discutir com pessoas que não concordam conosco a não ser no âmbito da ciência e munido das evidencias que possam embasar nossa posição.
Na vida do senso comum, entretanto, nem com evidências nas mãos podemos ter uma conversa civilizada que convença nosso interlocutor de coisas nas quais ele não deposita confiança.
Conversar com alguém que concorda conosco é como encontrar com alguém em um hotel e, durante um café, fazer uma nova amizade. No decorrer desta conversa, comparamos nossas experiências turísticas e é como se tivéssemos visitado os mesmos monumentos, as mesmas cidades, os mesmos museus.
Pessoas que concordam, mesmo que não se conhecessem antes, tiveram trajetos semelhantes em períodos diferentes de vida. Depois, ao conversarem é como se mostrassem cada um, fotos dos mesmos locais um para o outro.
Ninguém chega a um relacionamento de mãos vazias.
Todos nós temos uma bagagem.
É muito bom quando nossas bagagens são semelhantes a do nosso interlocutor.
Goethe dizia que gostava de conversar com pessoas que divergissem dele, de forma a melhorar e ampliar sua visão de mundo, sua retórica, seus argumentos.
Concordo. Nada disso é, no entanto, prazeroso. Parece mais com um exercício, como a esgrima, em que cruzamos floretes com elegância, mas com virilidade, competitivamente.
Já o encontro de almas afins é sempre acalentador e comovente.
Aquece o coração e o espírito.
Fortalece nossa crença de que sempre, queiramos ou não, existe um grau especifico de pertencimento que carregamos conosco, na maioria das vezes inconscientemente, e que uma vez percebido, tornado manifesto, nos posiciona no mundo e na vida social.
É assim que nascem fortes amizades.
Como no ditado árabe: “enquanto só perceberes as diferenças entre as coisas, teu conhecimento não valerá uma rúpia. A sabedoria só vem quando se começa a ver entre todas as coisas suas semelhanças. ”
É isso

sábado, 29 de outubro de 2016

ESPIRITUALISMO MATERIAL

Por Mario Sales

“Nós não podemos ir além
Se não conseguirmos sentir o amor comum
Nós não podemos ir mais alto
Se não conseguirmos lidar com o amor comum

U2, in “Ordinary Love”







Meus anos dedicados ao Misticismo e ao Esoterismo me deram, no início, a falsa impressão de que conseguir distância das coisas da Terra fosse o caminho para encontrar as coisas de Deus.
Foram necessárias várias décadas para que eu percebesse o erro conceitual de minha premissa, um traço romântico e fantasioso de minha personalidade, difícil de aperfeiçoar.
Hoje minha jornada está na mesma direção, mas em sentido inverso.
Eu imaginei que o caminho para o espírito fosse olhar para dentro saltando por cima do corpo. Hoje entendo que se não vivenciar minha experiência corpórea jamais chegarei a entender a minha natureza espiritual.
A falsa dualidade platônica denunciada por Espinoza me iludiu, confundiu e constrangeu minha capacidade de perceber a santidade existente nesta manifestação física que ora habito.
Negar a mim mesmo enquanto corpo não me tornará mais refinado, percebo agora, algo óbvio do ponto de vista intelectual, mas não tão óbvio do ponto de vista existencial.
Hoje suponho ter percebido este simples fato: é mantendo com carinho e cuidado minha casa, minha morada, que crio as condições externas adequadas para quem a habita, ou seja, eu mesmo. E cuidar da morada, do corpo, não é apenas garantir a satisfação de suas necessidades básicas como ar, água, alimento e abrigo. É preciso cuidar do afeto, com tanta ou mais importância que os outros quatro itens anteriores.
Precisamos amar o corpo e as coisas do corpo, sem que isso signifique tornarmo-nos escravos do corpo. É dar a César o que é de César, fator sem o qual a equação estará desbalanceada.
Com certeza ninguém elevará sua alma pela negação de sua própria carne. Só tolos como eu, poderiam cometer este terrível equívoco.
Alguns pensadores já mostraram os perigos implícitos na expressão “amar a humanidade e odiar o próximo”. E ninguém é mais próximo de nós do que nosso próprio corpo.
Da mesma maneira é estúpido supor que nosso amor será mais espiritual e elevado se não conseguimos lidar com o Amor Comum. Toquemos a nós mesmos. Sintamos nossa pele.
Ela tem, com certeza, muitas lições a nos ensinar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

TEMPO

Mario Sales


“Na candente manhã de fevereiro em que Beatriz Viterbo morreu, depois de uma imperiosa agonia que em nenhum instante se rebaixou ao sentimentalismo ou ao medo, notei que os porta-cartazes de ferro da praça Constitución tinham renovado não sei que anuncio de cigarros; o fato me tocou, pois compreendi que o incessante e vasto universo já se afastava dela e que aquela mudança era a primeira de uma série infinita.”    
 
“O Aleph”, um conto de Jorge Luis Borges (1949), Companhia das Letras, 2008





energia fugiu de mim, 
como a corça do leão e do guepardo
Ideias ou inspirações, nenhuma,
Só esse silêncio na cabeça e na alma
Que me preenche
Como só o vazio pode preencher alguém.

Mas o tempo lá fora não se importa e segue em frente
Fluxo inexorável, implacável, inesgotável,
Que antes de impressionar, causa inveja.

Queria para mim, esta imperturbabilidade
Essa incapacidade de se desviar ou distrair do foco
Do horizonte a alcançar
Determinação inabalável e rítmica
Que só o tempo tem.

Nada, nem ninguém 
é capaz de impedir que flua
Livre, perene, indiferente.

Mesmo que os eventos 
tenham significado,
quer sejam de vida
ou de morte
Não são capazes de abalar,
em um segundo, a sorte
e o passar incontrolável das horas,
O Devir contínuo
Do qual somos, tão somente,
Espectadores passivos.
Ou não.
O tempo segue em frente,
Célere, Inconsciente 
daqueles que o preenchem
E aos quais atravessa.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

MAIS LEITURAS E REFLEXÕES


Por Mario Sales




Estou lendo agora no e-reader da Livraria Cultura, o Kobo, a biografia de Carlos Chagas Filho,(“Um Aprendiz da Ciência”) que cheguei a ver em vida, em uma visita de minha turma de faculdade à Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Lembro-me de um homem alto e de cabelos muito brancos que me disseram ser o eminente, depois vim a saber, cientista, que por sua biografia descubro foi por toda a vida emaranhado (para usar um termo da Mecânica Quântica) com a Biofísica, e com pesquisas com o peixe elétrico brasileiro.
Este descendente do mesmo Carlos Chagas que dá nome a doença tornou-se uma autoridade científica respeitada internacionalmente, mas se eu não lese este texto jamais saberia disso. Faleceu no ano 2000, coroado de láureas e títulos de Doutor Honoris Causa de dezenas de Universidades em todo o mundo, além de ter sido a pedido de Paulo VI presidente da Academia Pontifícia de Ciências em Roma.



Um cientista, um homem da pesquisa, que participou ativamente da fundação do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPQ) e mesmo assim, sem pertencer ao clero, um homem da religião.
Acabei de ler A Ilha do Conhecimento de Gleiser, e lá também encontrei vários momentos em que, às vezes de modo sutil e em outros momentos, de forma não tão sutil assim, o físico e palestrante brasileiro, professor da Universidade de Dartmouth, (em Hanover, New Humpshire), flerta com a espiritualidade.
Ao que parece o fenômeno é mais difundido do que supõe a vão filosofia de racionalistas extremados como o biólogo evolucionista Richard Dawkins.
Não há certos ou errados nesta questão.
O que Dawkins chama de crença irracional para muitos é algo natural como a fome ou a sede. Para pessoas assim, como eu mesmo, a percepção do divino em nada afeta a razão ou a sensibilidade à argumentos lógicos.
Cretinos e idiotas existem em ambos os campos, sejam crentes ou ateus.
O que deveria se combater isto sim era a estupidez e a ignorância e não a sensibilidade de certas pessoas que independente de sua formação intelectual sólida (Carlos Chagas Filho lia Goethe no original aos 10 anos) são capazes de abraçar uma crença de modo sereno e sincero.
Dawkins e outros revoltados como ele não estão errados ao elencar os problemas ligados à crenças religiosas extremadas e que tem uma história nefasta em relação a liberdade de pensamento e à ciência em si. O problema é que, se existiam, repito, cretinos entre os crentes que queimaram pensadores e mataram homens de ciência, lembro as palavras do professor Karnal que, como bom historiador e estudante das religiões, embora diga-se ateu, alerta que assassinos existem entre religiosos e ateus, lembrando sempre que “o homem mata porque gosta de matar e não em nome de seu Deus”.
Penso sempre nisso quando lembro o destino de Frater Lavoisier, químico guilhotinado pela junta do período pós revolução francesa, a época conhecida como Terror.
Não, não é a fé ou a percepção da existência de algo superior a nós, uma inteligência que tudo governa e administra, que faz de nós cretinos assassinos. Ou mesmo maus cientistas.
As coisas não são tão simples. Lutar contra a religião e o senso do divino entre seres humanos é tentar segurar o vento entre as mãos e faz de qualquer um como Dawkins ou o escritor Christopher Hichtens, um cruzado ridículo.
Todos têm direito a crer ou não no que queiram. Ninguém, no entanto, tem o dever de tentar convencer de modo acintoso alguém de seu ponto de vista.
Mesmo homens de ciência sabidamente distantes de problemas como a religiosidade pensam assim, considerando este proselitismo, mesmo que feito por ateus uma coisa extremamente chata e desconfortável.
O próprio Dawkins sofreu na pele a conhecida ironia de ninguém menos do que o professor Hawkins, que de sua cadeira de rodas zombou dele pela sua obsessão antirreligiosa. Confiram o vídeo do link abaixo em 3’ e 29”.
Este debate hoje é no mínimo ridículo, e a insistência dos entrevistadores e de alguns intelectuais de forçarem este tipo de questão primária e superficial me irrita profundamente.
Newton era profundamente ligado a alquimia e um home de crenças em uma divindade inabaláveis. Nada disso afetou seu brilhantismo, suas contribuições a ciência ou seu papel no enriquecimento do conhecimento humano na ótica, nos estudos gravitacionais e na criação do Cálculo, em matemática.
Não porque Newton fosse um crente, mas porque ele não era um cretino. A inteligência não é nem nunca foi incompatível com a sensibilidade às coisas de Deus.
Eu já usei a palavra cretino várias vezes e pode parecer que estou tomado de fortes emoções ao fazê-lo.
Não é bem assim. A palavra define um estado de deficiência mental característicos de portadores de hipotireoidismo congênito e é por extensão a todas as pessoas limitadas intelectualmente.
É nesse sentido que uso o termo.
A luta não foi entre o bem e o mal mas entre o conhecimento e a ignorância. E a humanidade não tem, na sua maioria, pessoas da estirpe intelectual de um Marcelo Gleiser ou de Carlos Chagas Filho.
É de se lembrar aqui que existem espíritos antigos e sábios fora da academia, fora da ciência e da filosofia.
Longe de mim achar que a razão é o que garante a qualidade das almas e das mentes, bem como dos comportamentos.
Não, a razão já mostrou que pode causar muito mal, que ode ser tanto uma geradora de luz como também um monstro perigoso. A razão, de per si, não merece confiança.
Mas é uma ferramenta importante que se manipulada com destreza e sabedoria pode ajudar muito a sociedade e aos seres humanos.
Oxalá superemos a ignorância, a fome e a miséria material. Que nossas vidas possam ser apenas a busca por um nível de espiritualidade maior e mais profundo.
E que então debates estúpidos e inúteis sejam substituídos por diálogos sérios em busca de soluções objetivas para os reais problemas que afligem nossa espécie, como um todo.