Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O PÁLIDO PONTO AZUL 1

O PALIDO PONTO AZUL 2

A FALTA QUE CARL SAGAN FAZ É INDISCUTÍVEL


A IMPORTANCIA DA OBJETIVIDADE NA SUBJETIVIDADE


por Mario Sales




É no processo de visualização criativa que fica claro a necessidade da objetividade em um das mais subjetivas técnicas rosacrucianas. Visualizar com sucesso e materializar determinadas necessidades materiais (casas, empregos, cursos, etc.) depende principalmente da clareza e concentração da idéia em questão em nosso desejo e necessidade.
Uma imagem fraca, pouco nítida, ou uma motivação pouco definida e sem uma fundamentação em um motivo realmente importante são condições determinadoras de fracasso na técnica.
Tanto a imagem deve ser clara quanto os motivos para visualizarmos o que desejamos também. É preciso saber tanto em nosso cérebro quanto em nosso coração, com nitidez e contornos bem definidos, aquilo que realmente queremos do Cósmico.


Uma pessoa insegura, para a qual as coisas podem ou não podem ser, que confunde indefinição e desorganização com "livre arbítrio", jamais vai materializar nada que necessite e é bem capaz de vaticinar para outros: "Isto é fantasia, esta técnica não funciona".
Com ela com certeza não, mas não porque a técnica é ruim.
Ou o rosacruz busca qualidade em suas experiências ou acumulará fracassos e se decepcionará. E nem todos os impressionantes conceitos e técnicas que a rosacruz ensina são tão intuitivos assim.
É preciso praticar e aperfeiçoar a prática, com o máximo de objetividade. Yogues meditam. Rosacruzes aplicam.
Visualização criativa não é a mesma coisa que sonhar acordado. É na verdade uma construção mental. E como na construção de uma catedral, é preciso suar e trabalhar muito. O resto não é visualização mas pura fantasia.

MENSAGEM DO GERIATRA

CONVERSANDO COM FRATER FRANCISCO, SOROR MONICA E QUEM MAIS QUEIRA CONVERSAR 2


Mônica Lampe deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CONVERSANDO COM MONICA":

Fr. Francisco,

Saudações! Sou grata por suas considerações dentre as quais destaco as seguintes:
"As ferramentas estão aí, nas mãos dos membros, basta ter vontade de usar, cada qual é responsável pelo seu desenvolvimento."
"Nossa senda é muito solitária neste aspecto e creio que assim deva ser."
A Jornada Iniciática é individual, por que cada ser é manifestação única da energia Divina, assim cada u cântaro possui sua singularidade e seu tempo de mesclar-se com o conteúdo até perder seus contornos.
Pergunto:
O fato de tentar equalizar os participantes sobres os conceitos e fundamentos Rcs não seria uma interferência no livre-arbítrio e ritmo pessoal? Não seria uma interferência maior ainda no Crivo Cósmico?
Concordo com o Fr. quando diz que " muitos serão chamados e poucos escolhidos"
Sinto que cabe-nos apenas sustentar o amor incondicional em nossos corações e seguir nosso ritmo pessoal, respeitando o ritmo, a vontade, escolhas de temas de aprofundamento, o conhecimento integrado através da experiência, as deficiências, a salada russa e o caminhar de cada um. Sinto que a RC respeita este ritmo pessoal incondicionalmente assim como os Mestres Cósmicos.
Um abraço fraterno e Paz Profunda


Minha resposta:

Sóror Monica, a soror dirigiu-se em seu comentário ao Fr. Francisco, mas quero meter o bedelho.
 Quando eu, ou o Frater Francisco falamos em "tentar equalizar os participantes sobres os conceitos e fundamentos Rcs não seria uma interferência no livre-arbítrio e ritmo pessoal? Não seria uma interferência maior ainda no Crivo Cósmico?" estamos falando em dar e não em tirar alguma coisa de qualquer um que seja, nem que seja o chamado "livre" arbítrio.
Será que a soror acharia ruim que alguém da GLP lhe telefonasse preocupada com seu desempenho e absorção dos conceitos e ensinamentos rosacruzes? 
Será que qualquer membro ficaria chateado em perceber em um email ou outro tipo de contato um real interesse em acompanhar se o membro alcançou real compreensão  da técnica de visualização criativa? Será que rosacruzes tecnicamente mais competentes serão rosacruzes mais infelizes ou será que, finalmente, sua encarnação começará a parecer menos árdua, menos acidental, e mais relacionada a escolhas conscientes? Eis a questão.
Grande abraço sóror e obrigado por partilhar conosco suas posições.
Paz Profunda 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

CONVERSANDO COM FRATER FRANCISCO, SOROR MONICA E QUEM MAIS QUEIRA CONVERSAR



OS PROBLEMAS METODOLÓGICOS DE SE TRANSMITIR O CONHECIMENTO E A TRADIÇÃO





Fr. Francisco 30 de janeiro de 2013 18:17


Prezados Frater Mario e Soror Mônica: Saudações Rosacruzes! Infelizmente há sim muitos e muitos membros que desconhecem nossa cultura, tradição e história. Há ainda aqueles que fazem uma "salada russa" com ensinamentos os mais diversos e que, de cultura rosacruz, nada possuem... Muitos serão chamados e poucos escolhidos???? Dá para monitorar a vontade de estudar de aprender, de ler, de refletir sobre os ensinamentos rosacruzes? Falo aqui de vontade! As vezes vejo membros falando certas coisas e me pergunto: o que ele(ela) faz aqui????!!!! Desculpem se soou arrogante, mas a idéia não é essa. Tenho visto muito pouco interesse em aprender, em estudar e praticar em casa(na vida) e mais ainda nos templos. Volto para a pergunta dá para monitorar isso? Uma vez um mestre (já falecido) do Capítulo Rosacruz São José me disse "ficamos anos e anos acumulando monografias num baú, um dia olhamos para aquele baú, acordamos e nos damos conta do tesouro imensurável à nossa frente e tentamos recuperar o tempo perdido". Realmente não sei se monitorar o aprendizado intelectual dos membros é a resposta. As ferramentas estão aí, nas mãos dos membros, basta ter vontade de usar, cada qual é responsável pelo seu desenvolvimento. A soror Mônica tão bem lembrou que temos fases em que "damos um tempo" e considero isso.
Nossa senda é muito solitária neste aspecto e creio que assim deva ser. Precisamos lutar contra nós mesmos, ultrapassar barreiras, sair da inércia... Mas não sermos monitorados como em uma escola. Concordo em certos aspectos que há sim muita coisa a ser melhorada na AMORC, mas descordo de muitas colocações que se faz neste canal, onde, dentro de seu direito, alguns membros falam coisas a respeito da AMORC que simplesmente desconhecem. Seria interessante, antes de falar, frequentar organismos por alguns anos, visitar organismos e melhor ainda, visitar a Grande Loja em Curitiba e conversar com seus funcionários, marcar entrevista com o Grande Mestre e conversar...creio que várias opiniões mudariam... Um fraterno abraço e Paz Profunda!
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Meu comentário:
Frater Francisco
Destaco as expressões "Salada Russa" e "o que ele(ela) faz aqui????!!!! ".
Concordo plenamente. Não é arrogância do frater não.



É seriedade, a mesma seriedade que eu tenho com o que é rosacruciano, só seriedade. Qualquer pessoa pode entrar na Ordem, todos são bem vindos, não há critério maior do que a vontade genuína. Uma vez dentro, no entanto, precisamos cuidar do que se chama pós venda, ou melhor, manter o foco no nosso cliente, que é o nosso frater e soror neófitos. Eles precisam de carinho e atenção, de acompanhamento didático sim. Eu sempre achei que as monografias fossem muito didáticas e acessíveis. Pelo que vi, como o sr., Fr.Francisco, em 37 quase 38 anos de AMORC, no Rio e em São Paulo, na Morada do Silêncio, em Manaus, não é assim. Motivação pessoal não se controla, nem eu falei isso. Regularidade e disciplina é uma prerrogativa do estudante, claro, óbvio, também não era disso que eu estava falando. Eu estou falando de suporte conceitual e didático nos pontos fundamentais da cultura rosacruz, e eles existem, as coisas não são tão subjetivas e relativísticas assim.



Temos que ser dignos de nosso irmão rosacruz Comenius, que há 400 anos atrás foi o fundador da didática moderna. Existem algumas coisas, no conjunto das monografias, que deveria se ter certeza de que todo rosacruz de AMORC entendeu ou ao menos teve contato com o conceito.



Comenius

Existem temas, chamemos de idéias força, que precisamos trabalhar ao longo do tempo, não tem jeito, são anos e anos aperfeiçoando, mas não é possível que não haja nada o que fazer para melhorar este ensino, que não haja nada a aperfeiçoar, senão as monografias não precisariam ser atualizadas. É um assunto pra discutir com frater Osvaldo, responsável por este trabalho.
"Salada Russa" e "o que ele(ela) faz aqui????!!!!"
É culpa só do estudante, ou ele foi deixado ao relento, cheio de espaços em branco em seu aprendizado, e na falta de um apoio mais presente preencheu os espaços com o que conhece e acredita ser o certo, já que ninguém lhe disse que não era?
A "Salada Russa" mais comum é aquela que mistura rosacrucianismo e kardecismo. Culpa dos kardecistas ou falta de um espaço, não em blogs ou fóruns como este, mas junto a própria GLP para esclarecer as diferenças? E não é nem um tema polêmico entre a elite da AMORC. Um livro antigo (Perguntas e respostas rosacruzes) de Spencer Lewis e um novo (História da Rosacruz e seus mistérios) do frater Cristian, são absolutamente harmonicos na visão deste caso em particular. Mas a "Salada Russa" continua. Por que? Medo de ser mais claro  quanto as discordâncias entre uma e outra linha e perder mais membros, aumentando esta sangria que não acaba? Ou falta de informação sobre o assunto? Não sei. Talvez ambos. Agora, tem gente que não sabe o que é uma assunção, que não sabe quem publicou os Manifestos rosacruzes, que embora a Ordem tenha uma linha ocidental cristã, seu cristianismo era o dos protestantes e não dos papistas católicos, tem irmão ou irmã que não sabe visualizar criativamente, que não sabe aplicar uma mera técnica de cura do sexto grau, e coisas assim, estando já no 11° grau. Isso faz sentido? Interromper aqui e ali o curso dos estudos, todo mundo interrompeu, todos passaram pela noite negra, repito, não é disso que eu estou falando, estou falando de responsabilidades administrativas educacionais que uma instituição séria como é a nossa Ordem não pode abrir mão de assumir, por respeito ao seu trabalho de correta transmissão da tradição. Aí não haveria espaço para dizer a frase acima contemplando o baú de monografias: "ficamos anos e anos acumulando monografias num baú, um dia olhamos para aquele baú, acordamos e nos damos conta do tesouro imensurável à nossa frente e tentamos recuperar o tempo perdido". Repito: é culpa só do estudante? Não é esse o termo que usamos, "estudante"? Às vezes eu me sinto muito cansado de ficar repetindo essas coisas, mas se um argumento tão simples como esse não é facilmente compreendido sem toda esta discussão imagine os sagrados ensinamentos que deveriam ser tratados com carinho e ATENÇÃO.Pra entrar, tudo bem , todos são bem vindos. Mas pra ficar, e principalmente para ascender de grau, as coisas poderiam ser muito mais cuidadosas.Em nome de uma Ordem mais homogênea e fiel aos seus princípios de educadora mística de altíssima qualidade. Quem ama cuida. Quem não ama, não liga, deixa assim mesmo, pra que mexer?, vai dar trabalho.
Tá errado. A Ordem é a minha vida desde 17 anos de idade e eu tenho 56 anos. Não posso olhar pra isso calado.
Quem ama cuida, não se pode achar que preocupar-se e dar voz à esta preocupação seja contra aquilo com o que a gente se preocupa, só pode ser a favor, quando melhor o nosso trabalho, maior a minha alegria. Mas precisamos nos mexer. 

O RESSENTIMENTO E O MISTICISMO PRÁTICO


         por Mario Sales

NOTA: Seria extremamente mais produtivo que antes de ler este ensaio, você assistisse os vídeos abaixo, pelo menos as aulas da psicanalista Maria Rita Khel, aos quais este comentário está vinculado. 


É de "Princípios Rosacruzes para o Lar e para os Negócios" que retiro o trecho abaixo:
"Visualização criativa não é a mesma coisa que o mendigo que olha por uma vidraça o jantar de uma família abastada e espera que, por meios mágicos, aquela comida possa ser compartilhada com ele sem que ele nada precise fazer para que isto aconteça."

Este é um dos momentos em que Spence Lewis, nosso primeiro e mais importante imperator para este ciclo de atividades nos lembra da importância da maturidade psicológica e emocional como condições prévias a aplicação das técnicas rosacruzes para o cotidiano.
Uma relação ingênua com a realidade prejudica e inviabiliza muitas das poderosas ferramentas do rosacrucianismo, já que o mundo psíquico só prospera em um ambiente psicológico são.




Toda vez que eu vou ao universo místico sem cuidar antes de meus problemas psicológicos, de minha harmonia psicológica, geralmente o resultado é a perversão do objetivo, ou por um projeto de poder através do ocultismo ou através da criação de falsos agrupamentos esotéricos que visam apenas e tão somente satisfazer o Ego, os Desejos e a Vaidade de seus fundadores, como o caso de Aleister Crowley e de sua filosofia básica, Thelema.
Faço sempre distinção entre estas três palavras, Esoterismo, Misticismo e Ocultismo, entendendo Esoterismo como conhecimento marcado pelo segredo, o ato ou protocolo de esconder dos olhos dos não iniciados determinada informação através de códigos, juramentos, símbolos etc.; Misticismo como a prática da busca interior da conexão com a divindade (ou melhor, da conscientização da presença de Deus em nós, já que sem Sua Presença em nós nem existiríamos) seja através da prece, de certos exercícios espirituais ou sons; e finalmente o Ocultismo, como conjunto de práticas que visam obter controle das coisas da Natureza Terrena (Magia) ou das coisas divinas (Teurgia) através de rituais, encantamentos e palavras.
Hoje, como Martinista, não Martinezista, e como Rosacruz, me interesso muito mais pelo Misticismo, já que o Ocultismo, como já argumentei aqui, é um procedimento arcaico e o Esoterismo, nesta época digital e informatizada é algo quase impossível do ponto de vista formal, e somente o esoterismo de conteúdo persiste (exemplo: esotérico não é aquele saber que eu escondo em um cofre, mas sim o conhecimento de difícil compreensão pela sua própria natureza, seja aquele simbólico-místico, filosófico ou técnico, seja a Doutrina Secreta de Blavatsky ou um texto sobre física de partículas sub atômicas).


O ressentimento que inviabiliza a prática do misticismo, (ressentimento no sentido como está descrito nas palestras da psicanalista Maria Rita Kehl e na fala de da pensadora e teatróloga Ayn Rand, que eu postei em vídeo no blog agora há pouco, e que norteiam este comentário) pode ser percebida na infantilização com que alguns praticantes de misticismo se relacionam com o Universo, não entendendo que quando falamos que, com a iluminação, toda a Criação conspira a nosso favor, não queremos dizer que ela se torna magicamente nossa escrava, mas sim que por ampliação de qualidade da nossa consciência nos tornamos harmônicos com ela, absolutamente rendidos a sua vontade, que aí sim passa a ser a nossa vontade.



O verdadeiro poder vem da empatia entre o que somos e o que a criação é, não de um processo de subjugação da Natureza ao nosso egoísmo.
Criar uma vida próspera mentalmente e transformar essa visualização em fato, na vida material, só é possível quando estamos despidos de egoísmo ou ressentimento, quando estamos livres de uma perspectiva infantil de nossa própria relação com Deus. Saber que Deus proverá não significa negociar com a Divindade, prometendo-lhes coisas materiais em troca de outras coisas materiais, já que Deus não participa de tais estratégias nem as reconhece como legítimas. O Altíssimo nos provê materialmente por que a abundância é a natureza verdadeira da vida, haja visto as estrelas no céu e os peixes no mar.



Se a vida humana deve ser abundante como a Natureza é abundante, porque tantos passam fome e sofrimento? Por não acreditarem que esta abundância é a forma natural da existência, tomando para si a maldição bíblica do "trabalharás a terra com o suor de teu rosto" ou "parirás com dor" como paradigmas da existência e não condições circunstanciais históricas ou econômico-científicas.
E quando digo "acreditarem" uso uma palavra inadequada pois não se trata de uma questão de fé, mas uma convicção íntima, uma vivência espiritual. Ou o místico já percebeu em si, nos seus ossos, no seu coração, esta condição, e supõe-se que atingiu o grau de consciência adequado a esta percepção, ou não há como demonstrar tal fato, já que sem uma experiência pessoal teremos um diálogo de surdos e o choque de crenças e convicções.
No máximo, podemos fazer o que o rosacrucianismo faz na primeira iniciação de templo: prometer este conhecimento, este poder, esta empatia com a vontade divina como consequência da vivência rosacruciana, embora não se especifique ali que tal poder só contempla aquele que extraiu de si todo ressentimento contra qualquer dificuldade que tenha atravessado.
Um homem ressentido acha sempre que o Universo lhe deve alguma coisa, que seus problemas não foram causados por suas escolhas, que ele não está sujeito a lei do Karma que ele mesmo construiu e constrói todos os dias. Ele atribui seu sucesso ou fracasso aos números, aos odores dos incensos, ao pensamento negativo de outros, às maldições que lançaram sobre ele, porque, supõe ele em sua infinita vaidade, todos o invejam, e ele é uma vítima de sua própria luz.
Prestem atenção: só os carros mais velhos tem plásticos comentando a inveja como um problema. São os mais incapazes exatamente os mais inconscientes de sua responsabilidade em sua própria incapacidade, seja esta incapacidade moral, técnica ou financeira.
É preciso virar o jogo e o começo é mudar a cabeça, a visão de mundo. Primeiro, conscientizar o próprio ressentimento, afeto que, como lembra Maria Rita Kehl, não é um afeto único mas uma constelação de afetos, composição esta que inclui mágoa, inveja, raiva e desejo de vingança, vingança contra aqueles que na sua fantasia o ressentido a culpa pelo seu próprio fracasso.
Somos o que somos por causa de nossas escolhas e pela maneira como encaramos principalmente as escolhas ruins.
Errar e a morte física são as únicas certezas da existência. Só o que podemos é escolher o que fazer com nossos erros e não evitar de cometê-los. Se os considerarmos como fonte de sofrimento, assim será. Se os considerarmos, entretanto, como fonte de aprendizado, elementos de correção de rumo de nossa Vida, assim será, da mesma forma.
Tentar, errar, aprender, tentar de novo, agora com mais conhecimento. E acima de tudo, persistir na busca. Este é um conhecimento de poder, isto é Força, Vida, ou nas palavras de Nietzsche, Vontade de Potência.
Não esqueçamos nunca que o Universo não nos deve nada e nem nós a ele; tudo que está a nossa frente é para ser desfrutado, em sociedade com a Criação.
Esta é a fórmula da Prosperidade física e espiritual, já que uma não anda sem a outra, como lembrava Max Webber, e como todo iniciado rosacruz sabe.

MARIA RITA KEHL - RESSENTIMENTO 1

MARIA RITA KEHL - RESSENTIMENTO 2

MARIA RITA KEHL - RESSENTIMENTO 3

MARIA RITA KEHL - RESSENTIMENTO 4

AYN RAND

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

DA PENA DE FERNANDO: A CHARGE DO MARIO NO IMAGINARIO


Obrigado Fernando, ficou legal.

CONVERSANDO COM MONICA


diálogos com leitores



Diz a sóror Monica:
Tenho acompanhado as discussões neste blog que acredito serem válidas. E expresso aqui o que sinto quanto ao acompanhamento pela Ordem da formação dos membros - é a vida que faz o acompanhamento, quando se recebe uma iniciação em loja, na sequência vem uma iniciação da vida, para avaliar se o membro passou mesmo de um grau a outro. No templo recebemos informações para relembrar os níveis de Consciência que já somos, alguns relembram com a iniciação outros não e permanecem como estão. no teste da vida, alguns se dão conta que é mais um nível da iniciação e outros não. Assim, quem está apto a passar pelo teste, o fará conscientemente. É a forma que o Sagrado tem de se preservar, o Sagrado só se revela para quem estiver pronto. Não cabe a Ordem fiscalizar, monitorar ou acompanhar o desenvolvimento de seus membros como uma escola primária. O despertar da consciência é individual com um ritmo particular para cada ser único, não é algo monitorável da forma como o fr. coloca. Aprecio a ideia de se criar um fórum, ou grupo de estudo e partilha dos conhecimentos, desde que estes fóruns não sejam palco para egos proeminentes expressarem seu nível de conhecimento, transformando os encontros em monólogos enfadonhos, e sim, sejam fóruns circulares, de compartilhamento de ideias, dúvidas, conhecimentos, sabedoria e principalmente vibrações de amor e luz...onde os frateres e sorores possam comungar no verdadeiro sentido.
Sóror Monica Lampe

minha resposta:
Sóror
Que a vida é a "professora pública" como dizia Nietszche, concedo.
Que as monografias não são o único caminho, com certeza não são, fazem parte do processo, são uma das pernas do banco aonde sentaremos.
Que " o despertar da consciência é individual com um ritmo particular para cada ser único" e que este aspecto da evolução não possa ser monitorado, também concordo.
Mas que " não (caiba)  a Ordem fiscalizar, monitorar ou acompanhar o desenvolvimento de seus membros como uma escola " discordo em gênero, número e grau.
Existem dois tipos de perspectivas aqui misturadas.
Uma a avaliação da evolução espiritual, impossível de ser mensurada e acompanhada.
Outra, muita mais prosaica, é a evolução cultural do membro, em relação a cultura rosacruciana, as técnicas fundamentais, espalhadas ao longo das monografias, neste que é o mais longo curso por correspondência que se tem história.
É uma posição perigosamente omissa que tem gerado uma grande quantidade de estudantes desmotivados e sem noção de valores básicos de nossa tradição porque não o conhecem, por que não abrem nem seus pacotes quando o recebem, como descrito em outro ensaio daqui do blog por título" Sim , sou rosacruz, mas não praticante".
Se as monografias são enviadas em ritmo anárquico, sem critérios, sem avaliação de desempenho, então que não sejam  mais enviadas, elas não são necessárias.
fraternalmente
Mario Sales

sábado, 26 de janeiro de 2013

A IMPORTANCIA DO NADA


por Mario Sales



Existe um grande desespero na maioria das pessoas, uma enorme falta de espírito e de alma, que etimologicamente nomearíamos como um des-animus. Todos tem problemas e grande parte da humanidade acredita que seus problemas são os piores e os mais importantes e que suas mágoas e angústias deveriam sim receber uma maior atenção de pessoas, anjos, santos, mestres invisíveis, e até de Deus.
É uma forma de imaturidade psicológica, que faz a pessoa em questão considerar-se presunçosamente o centro do Universo.
Este tipo de comportamento mental é de interesse muito mais psicológico do que místico. Este é um ponto recorrente do meu discurso, de que aos místicos deveria ser recomendado uma avaliação psicológica antes de entrar no ambiente esotérico.
Se o esoterismo e o misticismo não é para todos, imagine o Ocultismo. Saint Martin alertava quanto a isto. O Ocultismo pode ser fonte de sofrimento e até de loucura, não é um caminho seguro, muito menos prático. 





Ferdinand de Saussure 


Quanto ao aspecto psicológico, basta ler o último capítulo do livro "Princípios Rosacruzes para o Lar e para os Negócios" de H.Spencer Lewis, que se intitulava na edição antiga da Coleção Renes, "O Esqueleto no Armário", ressaltando que o fracasso na arte da visualização criativa , na maioria das vezes se dava , não por deficiência da técnica, mas por imaturidade psicológica do praticante, que na maioria das vezes está bloqueado por complexos e inseguranças provenientes de questões de natureza pessoal. 



Pessoas com estas limitações não conseguem sequer dialogar ou compreender um argumento que lhes seja apresentado, tamanho o grau de pré-conceitos e limitações que possui em seu interior. 
Não é possível con -versar com elas, falar com elas.
Porque apenas falar não é, pois, suficiente, para se transmitir uma mensagem.
É preciso que existam do outro lado pessoas dispostas ou capazes de escutar o que está sendo dito, capacidade esta que não é uma opção, mas uma condição, existente ou não existente. Algumas pessoas sabem ouvir, sabem receber uma determinada mensagem, sem resistência, sem atropelos, sem dramas, o que não quer dizer que concordem com o que estão recebendo, com o que estão ouvindo.
Existem pessoas especiais que sabem escutar e que escutam com todo o seu ser.
Não querem apenas ser ouvidos, por causa de um desespero às vezes inconsciente por consolo para sua dor em viver uma vida aparentemente insuportável.
Sabem ser passivos e ativos de maneira harmonica.
Como são bons ouvintes também são bons falantes, os falantes de Saussure, o linguista suíço (Ferdinand de Saussure Genebra, 26 de novembro de 1857Morges, 22 de fevereiro de 1913).
Falam com pausas, alternando som e silêncio, com ritmo, seguindo uma linha de raciocínio clara, analisável, passível de ser decomposta e criticada.
Só o pensamento claro permite a análise. Ele jamais é autoritário, porque dada a sua clareza seus pressupostos são transparentes, não estão ocultos por expressões vagas, genéricas e opacas, não estão distorcidos por palavras de ordem, chavões ou lugares comuns. 



Edmund Husserl 


Trazem em si, estes discursos e estas falas límpidas, os vazios que permitem a dança dos ventos da inspiração.
Não são completos por que nada o é, e portanto facilitam outras perspectivas, outras maneiras de contemplação, como uma figura geométrica oca. 

Como não são completos, porque nada o é, inserem-se na classificação de degraus, e não de escada pronta.
Permitem um ou dois passos de evolução no pensamento de quem os escuta, mas não oferecem todo o processo de ascensão. Outros degraus podem ser acrescentados a ele e por isso, e apenas por isso, servem ao seu papel de contribuir para a construção da escada na sua completude.
Pensamento claro é um atributo de ouvintes competentes para receber qualquer mensagem, e depois de analisá-la, retransmiti-la aperfeiçoada e enriquecida pelas emendas de um intelecto ativo, que constrói junto com outros construtores a realidade a nossa volta.
Deus fez o homem, diz o Cabala, para retificar a Criação, corrigi-la, aperfeiçoá-la, criá-la e recriá-la junto com Ele, porque nada está pronto, tudo em nós e fora de nós é um processo em andamento.
Quem permite assim um tal fluxo de vida transpassar seu ser garante quantidade infinita de inspiração, uma energia sempre fresca e renovada, como a água de um riacho que passa livre entre as pedras, sempre transparente, sempre limpa.
Uma outra imagem: é a janela mais transparente que permite a melhor passagem da luz do Sol.
Sempre que ouvirmos um argumento, que lermos um texto, é preciso que ouçamos e leiamos com a mente adequadamente vazia de preconceitos, o que em filosofia chama-se Fenomenologia, a brilhante ferramenta de Husserl, Edmund Gustav Albrecht Husserl (Proßnitz, 8 de Abril de 1859Friburgo, 26 de Abril de 1938) foi um matemático e filósofo alemão.
Dizia ele que era impossível despir-se de preconceitos ao analisar uma idéia, mas era possível, para alcançá-la em seu sentido mais fiel, retirar da nossa primeira compreensão daquela idéia nossos próprios pressupostos preconceituosos, o que ele chamava de "redução fenomenológica", e eu chamava na faculdade de descascar a cebola, casca por casca.
O que resta, depois de retirarmos nossas próprias idéias, é a idéia verdadeira, não o nada, pois o Universo, é um axioma do misticismo, não tolera o vácuo ou a inércia.
Quando falamos em Nada, portanto, falamos não da inexistência, mas de uma diminuição importante do entulho das idéias e processos mentais que impedem a percepção interna e externa da Voz do Silêncio, como chamava Blavatsky.
Não devemos temer, portanto, o chamado Nada.
Este pseudo-nada é uma ferramenta importante até para aprendermos a ouvir o outro, para realmente conseguirmos escutar o que o outro quer realmente nos dizer, sem precipitação, ansiedade ou hostilidade.
Depois de uma boa escuta, nem mesmo palavras são necessárias. O silêncio pode ser, quando oportuno, a única resposta possível e a única realmente necessária.

Voces devem estar se perguntando do porque desta reflexão, já que tudo na vida, menis o Altíssimo, tem explicação.
É por que voces não recebem os comentários que eu recebo. 
Se recebessem, o sentido de todo este arrazoado ficaria muito, mas muito mais claro.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

INTERVALO MUSICAL: NOTURNOS DE CHOPIN

SEPHER YETZIRAH

Para Debate: A CARTA DE JEAN CHABOSEAU

por Jean Chaboseau


“Nosso lembrado Irmão Augustin Chaboseau ( co-fundador da primeira Ordem Martinista administrativamente organizada juntamente com Papus, e é importante salientar que documentos da época de Papus atestam que Papus e Augustin Chaboseau iniciaram-se mutuamente, unindo as duas correntes de que eram depositários, para não deixar dúvida quanto à legitimidade das iniciações que portavam e que remontavam a Saint-Martin) escreveu algumas notas sobre o que chamou de sua “Iniciação” pela sua tia Amélia de Boisse-Montemart, que não deixam a menor dúvida a respeito, tratava-se unicamente da transmissão oral de um ensinamento par­ticular e de certas compressões das leis do universo e da vida espiritual, o que em nenhum caso pode-se considerar uma iniciação ritualística propriamente dita. 


Augustin Chaboseau

As linhas que uniram Augustin Chaboseau, Papus e outros e que provém de Saint-Martin são, com efeito, linhas de afinidades espirituais...É justamente neste ponto que aparece a profunda contradição existente, de um lado, entre o desejo de liberdade interior que deve desprender-se de todo formalismo para permitir à personalidade espiritual estabelecer-se e definir-se fora de toda classe de coletivida­des e, de outro lado, esta espécie de desmentido ao anterior que parecem portar certos ocultistas dos fins do século XIX, ao criar suas associações, Ordens e Sociedades. Existe uma qualidade de alma que caracteriza essencialmente o verdadeiro Martinista, é aquela afinidade entre espíritos unidos por um mesmo grau em suas possibili­dades de compreensão e adaptação, por um mesmo comportamento intelectual, pelas mesmas tendências, de tudo o qual se segue a constatação obrigatória de que o Martinismo está com­posto, exclusivamente, de seres isolados, solitários, que meditam no silêncio de seu gabinete, buscando sua própria iluminação. Cada um destes seres tem o dever, uma vez que adquiriram o conhecimento das leis do equilíbrio, de transmitir a compreensão adquirida ao seu redor, a fim de que aqueles que forem chamados a compreender, participem daquilo que ele cria, por sua vida espiritual ou pela verdade que encerra. É aqui, então, que intervém a “missão de serviço” do Martinismo e é somente neste sentido que esta corrente espiritual especial encontra seu lugar na Tradição Ocidental. E isto é tão verdadeiro que sempre se manteve nos diferentes Ramos Martinistas o regime da Iniciação Livre, em forma paralela àquela que se conferia nas Lo­jas, como uma recordação daquela liberdade individual de que dispunha todo verdadeiro Martinista e que, em princípio, está por cima de toda “Obediência”. Em consequência, existe uma grande contradição entre o espírito digno e livre do nosso Venerável Mestre Saint-Martin, e seus sucessores, os “Superiores Incógnitos”, e a atitude de alguém que se sentiu o exclusivo depositário da Tradição do Filósofo Desconhecido, declarando-se possuidor da categoria de regulador supremo desta Iniciação e o único Martinista regular, excluindo a todos os que não o seguissem. Ainda mais, devemos recordar que cada Filósofo Desconhecido (também chamado de Livre Iniciador) ou Presidente de Grupos ou Lojas Martinistas pode dar à sua coletividade a orientação espiritual que julgue mais conveniente  de acordo com sua consciência, conhecimento e experiência (logicamente arcando com a responsabilidade de seus erros e enganos). As distensões de toda espécie nada mais são do que a prova da ilegitimidade fundamental de toda Ordem Martinista oficializada. Sinceramente desejo, em razão desta circunstância, que o Martinismo volte a ser o que sempre devia ter sido: uma simples associação de espíritos unidos pelas mesmas aspirações espirituais e guiados pelas mesmas investigações, sob a luz do Cristo, fora de toda e qualquer preocupação de Ordem ou Obediência. O Martinismo é essencialmente Cristão. Não se pode conceber um Martinista que não seja um fiel discípulo de Jesus Cristo ( Yeschouá) , o Salvador e Reconciliador, Encarnação do Verbo! (É importante esclarecer que o conceito Martinista de Jesus, o Cristo, está mais próximo ao gnosticismo e a corrente Joanita Rosacruciana ou Cristia­nismo Esotérico da Igreja de João). Porém, parece que um grande número de Martinistas não esteve, ou não está compenetrado deste espírito perfeitamente universal na mais ampla significação do termo. Desejando singularizar-se, particularizar-se, desejando presidências, Grão-Mestrados, títulos, graus e honras, em nome de um Filósofo no qual a modéstia e a sensibilidade eram proverbiais, parecem ter esquecido um dos primeiros princípios ou preceitos cristãos. Sabemos que os Grupos e Lojas Martinistas para seu bom funcionamento, de­vem ter sua diretoria, oficialidade, regulamentos, etc. , mas essa estrutura deve permanecer sempre enquadrada dentro dos limites essenciais e genuínos ao espírito do que chamamos Martinismo. Ele está em contradição com as vaidades, ambições, ansiedade em escalar graus, colecionar títulos e dignidades iniciáticas; são atitudes que revelam falta de maturidade espiritual.  O verdadeiro Martinista é um ser silencioso, humilde, tolerante e compreensivo. Vale lembrar que nosso Venerável Mestre Saint Martin nunca foi “Martinista” pois o Martinismo nasceu de seus seguidores que foram iniciados pelo Filósofo Desconhecido no sistema de Iniciações diretas nos chamados “Círculo de Íntimos” , portanto , mesmo os mais exaltados defensores do Martinismo administrativamente organizado em Ordens formais, tiveram invariavelmente sua corrente iniciática proveniente de um grupo independente. Se o Martinismo pode ser praticado com sucesso em organizações independentes no passado porque não o pode hoje? As Ordens oficialmente organizadas são a mais importante forma de trabalho Martinista, são muito mais efetivas, abrangentes, seguras e certamente tem os melhores resultados, mas nós devemos reconhecer e respeitar aqueles que escolheram um caminho diferente e mesmo assim continuam sendo nossos Amados Irmãos e agentes do Invisível."

FONTE: Hermanubis Martinista http://www.hermanubis.com.br/artigos/BR/ARBRALivreIniciacao.htm

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

HARVEY

por Mario Sales

Acabei de rever "Meu Amigo Harvey", um filme de 1950, com James Stewart, em preto e branco, dirigido por Henry Koster. O filme é baseado na peça de Mary Chase, vencedora do prêmio Pulitzer. Existem cópias em DVD na Saraiva e em Blueray na Cultura, via internet.

Henry Koster

A história é simples. Após o enterro da mãe, talvez por causa disso, Elwood P. Dowd volta para casa modificado. Alega ter ao seu lado permanentemente um coelho de 1,90m, invisível para todos menos para ele, chamado Harvey, com o qual se relaciona, conversa e frequenta, para divertimento de todos que já o conhecem, um bar chamado Bar do Charlie. 
Elwood P. Dowd é um homem pacato, gentil, educado, que encarna perfeitamente a frase do Bhagavad Gita que diz que o homem iluminado não vê diferença entre o bhrâmane, o elefante, o cachorro e o comedor de cachorro (pária).




A todos que conhece ou encontra, mesmo que estranhos, trata com delicadeza e oferece polidamente seu cartão e sistematicamente convida-os para cear em sua casa, de uma forma sincera e direta, não um convite formal, mas um convite real, que sempre que é recusado em função de uma impossibilidade de momento pelo interlocutor recebe o questionamento : "Quando então?" demonstrando real interesse em receber o convidado.
No decorrer da história esta é a dúvida: uma crença inofensiva e que faz de alguém uma pessoa melhor pode ser tratada como um problema ou deve ser entendida com uma bênção, um toque do alto, que transforma pessoas comuns, não em loucos mas em seres incomuns?
O filme é um elogio ao sonho e ao delírio, à capacidade de sonhar e ao direito de conviver com este sonho, desde que ele sustente uma atitude positiva em relação ao mundo e às pessoas. É também uma crítica sutil e mordaz da sanidade entendida como a "normalidade", ou normose, como Hermógenes gosta de chamar, os parâmetros que fazem tábula rasa de todos os seres, independente de suas origens e características culturais e antropológicas.
Todos somos diferentes. E o delírio pode ser apenas isso, uma forma de manifestação peculiar, não uma patologia, não algo a ser tratado ou suprimido, mas algo a ser contemplado e avaliado no seu potencial de causar lucro ou prejuízo ao seu protagonista.
Existem relatos de delirantes fundamentais na história da Humanidade. Muitos diziam ouvir a voz de Deus, outros ouviam música em suas cabeças muito, muito antes dos aparelhos portáteis que todos carregam hoje em dia.
Moisés conversou com uma sarça ardente, contou ao seu povo, e nem por isso foi internado. A guerreira mais corajosa de França era uma mulher que ouvia vozes.
Sem comentar Van Gogh, Santa Teresa Dávila, ou São Francisco que abandona uma posição social nobre e opulenta para despir-se totalmente de suas roupas em plena Assis e partir para uma vida de entrega aos necessitados e aos animais, nossos irmãos em Cristo, segundo ele.
Loucos? Ou seres peculiares?
Será que esta peculiaridade, esta diferença em relação aos padrões de uma normalidade triste, medíocre, cinzenta, é realmente uma patologia?
Ah, não me entendam mal, existe a doença, a Loucura Violenta, agressiva a terceiros ou ao próprio doente, uma loucura que traz sofrimento, embaraço, angústia.
Estes são casos para a medicina, para os psiquiatras, para os que trabalham para dar condições de vida mais digna à todos aqueles que dela precisam.
Nem todos que vêem o Invisível , entretanto, nem todos os peculiares, os estranhos e singulares, os que tem seus pés apoiados entre dois mundos, precisam da intervenção dita terapêutica.
Crenças podem ser a base de todo Mal, de superstições e fantasias as mais prejudiciais; da mesma maneira, são as crenças de um ser humano que o sustentam, são suas convicções em relação a natureza do mundo, suas posturas filosóficas, feitas apenas de ventos e sombras, que dão solidez e coragem aos seus dias e às suas escolhas.
A objetividade é um remédio contra o obscurantismo, o empirismo fundamenta nossas decisões e nos dá uma ciência útil e produtiva. Mas sem o sonho, sem a imaginação, sem a peculiaridade dos gênios da ciência, da arte e da fé, jamais chegaríamos aonde chegamos.
Se para se ter uma fogueira necessitamos de toras de madeira densas, palpáveis e inflamáveis, sem o fogo que as consome jamais  a acenderíamos, jamais desfrutaríamos de seu calor.
Abençoados os que crêem, pois eles verão a face de Deus.
Abençoados os loucos do bem, que transcenderam esta triste "normose" do objetivo e do palpável e que conseguiram  ver além do que está diante de seus olhos.
É um filme didático para os místicos.
Vejam o filme. Entenderão de uma maneira artística tudo que tentei dizer. 

domingo, 20 de janeiro de 2013

MARISA MONTE E A MEDITAÇÃO


 por Mario Sales

Ouvindo Marisa Monte depois de meses.
A voz melodiosa confirma a tese de que o som tem efeito físico e emocional, principalmente o som agradável, harmônico, cálido.



É inevitável a sensação de ternura e tranquilidade, inevitável.
Hermógenes, meu velho e querido decano de Associação Brasileira de Professores de Yoga, não acreditava na meditação com música. Dizia que se buscávamos o silêncio mental, qualquer som interferiria.
Meditação com música de fundo, segundo ele, não era meditação, mas relaxamento, algo completamente diferente da meditação que exige um estado de atenção absoluto, que embora seja quietude é tensão de fluxo, como a discreta vibração de um cano quando a água passa por ele com muita pressão.
A pressão é um atributo da velocidade do fluxo e ao mesmo tempo, sua causa.
Mente livre de obstruções, de obstáculos ao fluxo, (livre das ilusões do ego que aqui ganham uma densidade atroz, capaz de interferir com o resultado da própria meditação), é um canal limpo para a passagem da energia que vem do Centro de toda a vida, contínuamente, trazendo na mesma onda, condições para a existência e informações para a otimização do desempenho do ser que vive.
Intuição é conexão, mas vida também é. Sem esta conexão é impossível existir a própria vida.
Mestre Hermógenes está certo.
Meditação é silêncio externo e fluxo interno.
Os passos são esses e sua ordem não muda desde os Rishis: os quatro passos do Samyama Yoga - prathyahara (abstração do meio à sua volta, que pode ser treinado, praticado como um exercício), dharana(concentração em um ponto da energia mental, que também pode ser treinado, praticado como um exercício), dhyana(um estado em que se está ou não se está, que não pode ser praticado, nem treinado, mas apenas desfrutado,  estado meditativo, gradualmente mais perfeito, durante a permanência do estado), para então entramos em Samadhy, ou Nirvana para os Budistas, ou despertar da Consciência Cósmica para os rosacruzes.
Quatro passos. Quatro fases. Apenas quatro fases para a Luz.
Curioso ter feito todo esta reflexão e quase ter entrado em Samadhy ouvindo um som, a música mântrica de Marisa.
Mantra. Talvez meu sábio Mestre Hermógenes não tenha considerado esta possibilidade.



Mantras também podem induzir o estado meditativo.
Como a música de Marisa.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

UMA CANÇÃO PARA DARWIN

O BEM E O MAL EM ESPINOSA


por Mario Sales 




Acaba de ser publicado em edição primorosa pela editora Autêntica, com tradução de Emanuel Angelo da Rocha Fragoso e Luis Cesar Guimarães Oliva, com um pertinente prefácio de Marilena Chauí, o volume em português do "Breve Tratado de Deus, do Homem e de seu Bem Estar", de Baruch de Espinosa, manuscrito entregue pelo mesmo, salvo engano meu, ao seu amigo, o médico Lodewijk Meijer, em fevereiro de 1677, mês e ano da morte do filósofo. 


Emanuel Fragoso 

A história deste precioso manuscrito, como precioso é todo o trabalho deste holandês oriundo de família portuguesa, humilde servo do pensamento e da concórdia fundamentada na compreensão, é narrada no prefácio por Marilena, dando conta da dificuldade que implica recuperar um texto escrito 336 anos atrás, e dar-lhe a forma que agora temos em mãos. São idas e vindas, descobertas em leilões, achados em livrarias já no ano de 1851, discussões sobre a importância e o significado do texto que levaram ao todo 250 anos aproximadamente. 

Marilena Chauí, filósofa espinosana 

Espinosa produziu dois textos desta obra: um em latim e outro em holandês, idioma que Espinosa dizia não dominar para finalidades literárias. O manuscrito em holandês, explica Marilena, foi escrito assim porque tal texto era dirigido aos seus amigos mais íntimos, principalmente Jarig Jelles, e Jelles não sabia Latim. 

Espinosa 

Chamo atenção para a página 86, capítulo X, "o que são o bem e o mal", aonde com aquele estilo espartano e com veleidades de precisão matemática, Espinosa aborda o tema com graça e elegância, intelectual e humana. Diz ele no item 2: 
"Assim se põe agora a pergunta, se o bem e o mal se incluem entre os ENTIA rationis (entes da razão) ou entre os ENTIA realis (entes reais). Mas posto que o bem e o mal não são outra coisa senão relações, então está fora de dúvida que devem ser colocados entre os ENTIA Rationis, pois jamais se disse que algo é bom, senão em relação a outro que não é tão bom ou não nos é tão útil quanto o primeiro. E assim, quando alguém diz que um homem é mau, não o diz senão com relação a um outro que é melhor; ou, também, que uma maçã é má, senão em relação a outra que é boa ou melhor. Tudo isso seria impossível poder dizer, se esse melhor ou bom, em relação ao qual ela foi classificada como tal, não existisse." A precariedade de nossos julgamentos e a enorme variedade de conceitos de bem e mal espalhados pelo mundo, nas diversas épocas e culturas, encontra no relativismo espinosano uma explicação simples e coerente.

O CONCEITO DE EGRÉGORA


por Mario Sales



Como responsável por dois anos pela monitoria cultural de minha região da AMORC, elegi como tema prioritário a discussão do fenômeno da superstição.
Como místicos, para lembrar uma frase de um livro de Somerset Maugham, andam no fio da navalha, entre um mundo invisível e outro visível, manter um atitude equilibrada e uma mente clara, livre da superstição, é na maioria das vêzes muito difícil.
O conceito de Egrégora sofre com este fenômeno e mais de uma vez senti no tom de voz de alguns irmãos um pressuposto de que "uma vez que estamos envolvidos na egrégora estaremos protegidos de todo mal".
Lembremos que informações históricas dão conta de que nosso imperator entre os séculos XVI/XVII, Francis Bacon, após uma vida de glória, acabou seus dias, não com serenidade, mas na masmorra da torre de Londres, ou que nosso irmão, o sublime mago e alquimista Cagliostro, Giusepe Bálsamo, terminou seus dias, da mesma maneira, na prisão da Bastilha. Lembremos ainda Lavoisier, irmão da rosacruz, barbaramente decapitado na Revolução Francesa.
Estes eram rosacruzes da elite, irmãos que encarnavam em si o espírito da Ordem em suas épocas.
Não podemos negar que estes homens estava mergulhados na egrégora da Ordem, a qual não os protegeu de destinos trágicos.
Para ficarmos em exemplos mais próximos, lembremos meus cursos na Morada do Silêncio, de revisão do sexto grau de Templo, o grau da Terapia Rosacruz.
Lá, em ambiente absolutamente tranquilo e propicio, discutimos aspectos da aplicação da técnica de cura dos rosacruzes, baseada na harmonização interna das energias do corpo e da mente.
Pois é exatamente lá que recebo, não todos, mas muitos rosacruzes altamente debilitados, com histórias pessoais de dificuldades graves de sua saúde, ou em andamento, ou pela qual teriam passado recentemente.
Já li na revista O Rosacruz, faz algum tempo um artigo cujo título era sugestivo: "Porque tantos rosacruzes adoecem?", como a questionar que os portadores de um conhecimento milenar de domínio sobre os elementos básicos de uma vida equilibrada, fossem, ao mesmo tempo, incapazes de aplicá-lo. Neste caso a Egrégora não teve um papel de escudo contra o mal, se é que podemos usar esta expressão, a qual implica em uma compreensão supersticiosa do papel do fenômeno energético da egrégora ( do grego egrêgorein, velar, vigiar) em si. A egrégora é um campo que interliga uma assembléia focada em objetivos comuns.Como o pensamento é energia e cada pensamento tem um padrão vibracional próprio, se muitas mentes comungarem pensamentos iguais, valores iguais, acabarão harmonizando-se umas com as outras e este somatório de mentes harmonizadas será conhecida como a egrégora. Quando acontece tal harmonização, não estabelecemos um campo de proteção, mas um campo de vibração comum, aonde compartilharemos um único padrão mental só se a qualidade dos pensamentos for muito, muito semelhante. Na maioria das vezes, como os padrões mentais dos envolvidos nesta egrégora são muito heterogêneos, o campo é a resultante do encontro destes padrões mentais individuais diversificados, podendo em alguns casos elevar o padrão vibratório de um indivíduo, mas, da mesma forma, rebaixar o padrão vibratório de outro. Neste sentido, um sadhu e gúru da Índia moderna, Ramana Maharishi, dizia que a ignomínia de um único homem rebaixa toda a humanidade, da mesma forma que o gesto de bondade de um único ser humano eleva toda a Humanidade. Assim, na verdade o que uma egrégora faz é partilhar o karma de uma determinada Organização ou grupo e não proteger este grupo, indivíduo por indivíduo, de algum mal físico ou mental. A Lei do Karma funciona para todos nós e cada um de nós é responsável por seu próprio karma. O fato de pertencer a esta ou aquela escola esotérica não nos torna isentos de responsabilidades pessoais seja perante o Universo, seja perante nossa própria história pessoal. Egrégora é comunhão, não proteção, é o encontro de mentes, que a partir disso, começam a ser alimentadas com informações ligadas aquele tipo específico de comunhão, como inspiração para compreensão de determinados conceitos místicos mais elevados. Proteção verdadeira é aquela que advém de uma vida física e mental serena e da colocação de nossa existência totalmente nas mãos do Altíssimo, ou pela oração ou pelo estado devocional semelhante ao dos bakhtis yogues. Isto sim gera um bom karma.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

CHOOGYAL NAMKHAI NORBU

por Mario Sales 


Choogyal Namkhai Norbu 

Terminei de assistir o filme "My Reencarnation", disponível em http://www.movie2k.to/My-Reincarnation-subtitled-watch-movie-1487218.html, cujo link me foi enviado por um leitor anônimo, filme que narra a vida e o relacionamento do Mestre Budista Tibetano Choogyal Namkhai Norbu e seu filho ocidental, Yeshi, o qual foi reconhecido como a reencarnação de um famoso mestre espiritual, razão do título do filme, e a vida de ambos em plena Itália moderna, aonde o Oriente e o Ocidente, o Muito Antigo e o Muito Novo se encontram.
Yeshi Silvano

Choogyal é casado com uma italiana nata e com ela tem um casal de filhos, do qual Yeshi é o mais velho.
É um relato comovente pelo caráter humano , pois não só descreve o cotidiano de Yeshi e seu pai por vinte anos, mas além disso, mostra o conflito interno de Yeshi em aceitar a idéia de ser a reencarnação do tio e ex mestre de seu pai, Kyentse Rimpoche, morto sob tortura pelos chineses, durante a invasão.



Se em território tibetano, ser reconhecido como a reencarnação de um homem sábio é absolutamente normal e louvável, para alguém nascido e criado na Itália pode ser um transtorno psicológico e existencial. É interessante acompanhar as dúvidas, as hesitações e a sinceridade que a narrativa demonstra em expor todas estas nuances do processo de recuperação de memória cármica hoje, em nossos dias, não por um monge, mas por Yeshi, italiano, europeu e um ex funcionário da IBM, por formação um indivíduo adaptado a resolução de questões corporativas, empresariais.


É um filme comovente porque além de mostrar as vicissitudes dos exilados tibetanos sem qualquer pieguice, mostra também a possibilidade de convivência entre a tradição e a modernidade, independente das dificuldades em que tal relacionamento sempre implica.
Existe um momento especialmente interessante para rosacruzes aonde acontece uma reunião administrativa do centro de ensino italiano de Dzogchen, que pode ser traduzido grosso modo por "Grande Perfeição" ou "Grande Completude", aonde vislumbramos os mesmos problemas de quaisquer pronaoi ou capítulos da AMORC para se chegar a um consenso acerca de procedimentos operacionais.
Desolado, mas conformado, logo na sequencia, Choogyal Namkhai Norbu comenta que a convivencia humana é sempre dificil, e que provavelmente após sua morte seu movimento na Itália se dividirá em linhas diferentes, já que nem o Buda conseguiu evitar que após sua morte surgissem 18 escolas diferentes de Budismo. E que é assim que as coisas, entre seres humanos, são. 
Centro de Estudos de Budismo Dogzchen na Toscana, Itália

A MORTE DA PAIXÃO



Mario Sales



Quando saí de outras linhas e fui iniciado em uma escola esotérica, acreditei ter transposto o limiar da mediocridade, da superficialidade no examinar das coisas, da pouca atenção aos detalhes.
Pensei estar me unindo a uma classe especial de seres humanos.
Aos poucos percebi que eu não era nada mais, nada menos do que apenas um outro ser humano encontrando seres humanos como eu, todos em busca de alguma luz para suas vidas, para suas existências, enfim, um sentido para os eventos aparentemente desconexos do cotidiano.
O diferencial é que eu reconheceria isto a partir de agora, não pensaria mais como um ser humano comum, que por ser comum, julga-se especial, tem de si mesmo um alto conceito, julga-se superior em bondade, dignidade, e honra.
Conheci minha própria noite negra aonde meus orgulhos, talvez não todos, mas quase todos, foram queimados no cadinho do Carma.
Humilhado, desconstruído, desiludido, pude reiniciar minha caminhada, renovado como a Fênix, deixando para trás os conceitos de perfeição e certeza que tinha acerca de mim mesmo e do mundo.
Tudo em mim agora era dúvida e espanto, fascínio pelo que a partir de minha transmutação alquímica eu via com outros olhos. De um estado de convicções firmes passei a condição de um investigador cuidadoso e mais prudente, principalmente do que estava dentro de mim mesmo.
Apeguei-me à visão científica do mundo, procurei pensar com mais fundamentação, atento às pequenas trapaças que um pensamento descuidado faz com nossas palavras e atos. Prestei mais atenção aos meus próprios erros, às minhas próprias imperfeições, minhas próprias tentativas de parecer aquilo que nunca fui.
Aceitei melhor minhas limitações e compreendi que tudo que fazemos é o melhor dentro de nossas capacidades e grau de compreensão.
Ao perceber esta verdade, senti renovada minha noção de Humanidade, e entendi que nada, em nenhum lugar me ameaçava e que o Universo a minha volta era uma energia que embora magnífica em exuberância não me era hostil, como não me causam nenhum mal o barulho dos trovões de uma tempestade.
Existe força e vigor em todas as coisas e a única coisa que me causava insegurança ao me deparar com toda essa exuberante energia da Criação a minha volta era a minha ignorância e o meu medo.
Procurei amadurecer psicologicamente e entender que força e vigor não são sinônimos de ameaça.
Procurei aprender a lição dos surfistas sem nunca ter sequer subido em uma prancha de surf, de que a Força descomunal das Ondas do Oceano pode, se eu souber usá-la a meu favor, ajudar-me a conseguir dias mais felizes e gratificantes, dias de Sol, não de Sombra.
O segredo era a comunhão com estas forças, a capacidade de me harmonizar com sua intensidade, sua vitalidade.
O Universo, aprendi, é feito dessas forças, poderosas forças, que interagem umas comas outras, e a Vida em si é produto desta interação.
Não haveria Vida Manifesta, como dizem alguns, pelo poder de Shin, a letra hebraica que simboliza o Fogo Transformador, sem o choque dos contrários, que devem se opor e não se anular, para conseguir a manifestação.
Não é a junção de 1 e -1 que dá origem ao 3.
O 1 e o -1 levam ao Nada, ao 0, e o Nada é o Imanifesto.
Não há Vida como a conhecemos, nem Tempo nem Espaço no Imanifesto. Apenas o Vazio, a quietude sem som.
Não existe nem a Morte, pois só pode haver Morte se alguma vez houve Vida, mas somente Inexistência, o Grande Vazio.
O confronto não é pois, necessariamente conflito, mas encontro de forças, que geram reações, mudanças, Vida.
Ele é sempre melhor que o Vazio, o Nada, que pode ser uma das consequências da falta de choque de contrários, de energias, não da Di-vergência, mas da Con-vergência de duas forças que ao colidirem geram um ponto de síntese.
A opção a este choque renovador é o Nada, o 0, a banalização da existência no Silêncio e na Ausência de Paixão no cotidiano, em uma palavra, o Nihilismo.
A misericórdia e a bondade não são feitas de Vazio, são ações na realidade, são intervenções de força e regeneração.
Querer fazer o bem não é o mesmo que fazer o bem.
Não dizer uma palavra aparentemente dura não significa ausência de rispidez. Pode-se ser muito ríspido no silêncio, o silêncio dos sem paixão, o silêncio dos omissos, o silêncio dos que não querem se comprometer, se expor, dos que não querem confrontar, dos que não querem viver.
A Vida pode ser bem cômoda no silêncio, na omissão, mas jamais será a vida verdadeira, aquela que nasce do encontro entre forças, aquelas que realmente transformam alguma coisa quase morta em algo vivo e melhor.
Não há reação sem uma ação que a desencadeie, e não agir é condenar a vida ao silêncio.
Há cristãos que crêem que a mensagem mais importante do Cristo foi a de oferecer a outra face.
Não entenderam que para oferecer realmente a outra face é preciso coragem e destemor, não covardia.
Não a coragem dos fortes, mas a coragem dos que compreenderam o Universo e suas forças e a ausência de hostilidade ou perigo em sua magnífica exuberância.
É a coragem dos que não tem medo porque compreenderam que não há o que temer, que as forças que nos envolvem são as mesmas forças que garantem nossa existência e de tudo que nos cerca.
A coragem da compreensão.
Viver é agir, intervir, dizer com sua boca o que vai no seu coração.
A isto no passado chamava-se "ter espírito", ser "espirituoso", que em última análise significa estar preenchido por uma Força Espiritual garantidora de contentamento e êxtase na existência, melhor dizendo, Paixão em Viver.
Os que têm espírito têm paixão, vivem pela paixão, morrem por ela, como o Cristo demonstrou, ao virar as mesas dos vendilhões do templo ou ao entregar-se à imolação pelos romanos, confiante na ressurreição.
Quem tem confiança, não apenas fé, mas confiança no Universo, não teme nem mesmo a morte física, já que tudo que nos cerca é como um sonho, uma Ilusão.
É isso que ensina a minha fé, o Hinduísmo, e seu livro santo, o Bhagavad Gita, aonde é dito que qualquer ação é sempre melhor que a inação, que o Vazio.
Nenhum de nós é o que é por quer ser.
Todos somos, enquanto seres vivos, agentes divinos na Terra, que estão aqui, como o nome diz para agir, não para se omitir.
Somos o que somos pela vontade de Deus e não por nossa própria vontade, e toda ação, seja ela qual for, em pensamento, palavra ou ação, é mais santa que o silêncio e a omissão.
Não existem, na concepção hinduísta e não moralista, boas ou más ações, mas apenas ações.
Como ensina o Ocultismo, até o chamado Mal tem seu papel.
E o Ocultismo mas elevado completaria: "O Verdadeiro Mal está no Vazio, no Nada."
Nos tempos de hoje, neste mundo de pessoas educadas e superficiais, o Demônio do Vazio e da Omissão tenta nos seduzir.
Oremos a Deus por forças para vencer esta terrível ameaça.