Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

sábado, 27 de outubro de 2012

O QUE SÃO E O QUE ESTUDAM OS ROSACRUZES

por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD) 


Boa noite Ir.'., como está?


Por email é bem mais tranquilo que o Facebook para conversar!
Eu já há algum tempo tenho tido minha atenção despertada para a Rosacruz. Pesquisei algumas coisas, especialmente seu blog por ser uma fonte confiável.
Gostaria de, quando o irmão puder e tiver um tempinho, aprender mais sobre o tema e entender melhor em um bate papo informal.
Obrigado meu Ir.'.,
Aproveito também para parabenizá-lo pela qualidade dos textos em seu blog.
TFA!

William.


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Boa Noite Willian



Já que muitos tem a mesma dúvida que voce, eu achei melhor usar o blog para uma resposta mais geral, quem sabe motive outros interessados a buscarem os portais de nossa Ordem.
Primeiro, é importante esclarecer que existem duas manifestações do rosacrucianismo, uma institucional e outra organizacional.
Como instituição, o rosacrucianismo é a fusão entre a ciência e a religião. É a construção da sociedade a partir de um referencial inverso ao que domina a ciência atual.
Porque para a ciência positivista, é importante conhecer as coisas através de seu funcionamento, o "como" de cada coisa. Busca-se entender o funcionamento de tudo através da compreensão de seus aspectos visíveis, palpáveis, ou pelo menos mensuráveis. Assim também o homem é estudado, como corpo e mente, através de seus aspectos detectáveis aos aparelhos ou a percepção de seus cinco sentidos externos.
Para a ciência com viés rosacruciano, no entanto, a busca segue a máxima de Delfos: "Homem, conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o Universo e os Deuses." 
E para tal empreendimento, os rosacruzes elegeram a autopercepção como seu único e mais precioso instrumento de investigação, se bem que usando do mesmo positivismo que a ciência ortodoxa. Estudantes rosacruzes não são obrigados a crer naquilo que não experimentaram, mas sim a experimentar até conseguir indubitavelmente realizar e sentir aquilo no que acreditam. E quando falo "autopercepção", refiro-me ao ato de olhar para dentro.
Sem aparelhos, sem recursos externos, mas de forma sistemática, buscando o que Schopenhauer, se bem que em outro sentido, chamava "dar atenção ao interno".
Por que da mesma maneira que, à nossa mente, chegam as informações do que está fora, através dos cinco sentidos, através desta mesma mente somos informados de coisas que estão dentro de nós, a começar por coisas muito fisiológicas e compreensíveis, como a necessidade de água, a necessidade do alimento, a necessidade do ar e do afeto.
O interior, no entanto, dialoga conosco acerca de outras necessidades, não tão orgânicas, aspectos que Schopenhauer, salvo engano meu, não elencou.
Existe em nós a necessidade do transcendente, algo que está para além da descrição das palavras, mas que grita em nosso interior.
O transcendente, aquilo que vai além de nós, está presente dentro de nós.
Inconsciente da real natureza deste estado de transcendência que a todo momento se manifesta em nós, com pensamentos dificilmente sustentados em fatos, mas que nos induzem a confiar, a ter esperança de sucesso ou a acreditar que existe algo mais além daquilo que podemos perceber, o homem comum classificou-o de muitas formas e inclusive organizou a sua volta uma estrutura hierarquizada e material para lhe dar um aspecto visível, tal qual o tabernáculo, a tenda aonde os hebreus guardavam a Arca da Aliança e sobre a qual a Nuvem de Deus descia, como descrito no Velho Testamento.
Esta sensação interna e poderosa da presença da Transcendência em nós, também chamou-se a Presença do Sagrado, e para dar forma e organizar as buscas e as tentativas de compreensão deste fenômeno interno, inventaram-se as Religiões. E foram centenas delas ao longo da história da humanidade.
Os rosacruzes seguiram, entretanto, outra estratégia. Reconheceram esta presença da Transcendência como uma característica humana, não apenas divina, e elaboraram esforços e métodos para estudar esta curiosa natureza interior.
Assim, podemos dizer que os rosacruzes são os arqueólogos da alma humana, buscando os mais antigos traços e características de funcionamento deste estranho universo dentro do homem.
Se os cientistas ortodoxos dirigem suas pesquisas para fora, os rosacruzes fazem as suas para dentro.
Se os cientistas ortodoxos pesquisam a imensidão do infinito exterior, em busca da compreensão dos planetas, das estrelas, os rosacruzes pesquisam o infinito interior, em busca da compreensão dos sonhos, da habilidade telepática, da capacidade de projeção astral, da telecinese, da intuição.
Não há um real interesse, pela ciência ortodoxa em geral, ou pela religião, de estudar tais aspectos.
Isto por que ambas trabalham o externo, o visível, o palpável.
Os rosacruzes estudam o interno, o invisível, o impalpável, porém, da mesma forma, perceptível.
Estudar não significa dominar tais técnicas. Estudar é apenas reconhecer a existência destas capacidades em todos os seres humanos e tentar desenvolvê-las dentro de nós mesmos, como manifestações daquela Transcendência detectada pela mente em nosso íntimo, sem lhe dar qualquer caráter especial, sem rotulá-la de modo peculiar.
Da mesma forma que não faz sentido uma religião para a Audição, uma religião para o Tato ou para a Visão, para os rosacruzes não existe sentido em criar-se uma religião em torno da Telepatia, da Intuição ou da Projeção do Espírito através do espaço, de forma consciente e voluntária.
São habilidades presentes em todos os seres humanos, estejam ou não conscientes disso, tenham sido ou não educados para duvidar ou crer na existência desses atributos.
Muitas pessoas possuem estas habilidades sem ser rosacruzes, da mesma forma que muitos estudantes rosacruzes não são capazes de realizar tais coisas, embora reconheçam sua existência.
O mais importante fator do trabalho rosacruz, portanto, é a educação e o descondicionamento, o qual é um fator importantíssimo na prática do rosacrucianismo.
Pois a percepção rosacruciana depende muito mais de uma deseducação, um descondicionamento, do que de uma educação.
Quando eu me descondiciono de certas compreensões para as quais fui educado toda a minha existência, começo a perceber coisas que antes não perceberia.
Por isso, já dizia Goethe "aquilo que supomos ser a coisa mais simples, ver, é a mais difícil de todas". 
Entender e compreender certas habilidades internas no homem, qualquer homem ou mulher da face da terra, de qualquer país, não é tão simples por causa de séculos e séculos de pregação e doutrinação quanto a não existência de tais coisas.
E considerando que não enxergamos com os olhos , mas com a região posterior do cérebro, vemos aquilo que podemos, como mostram as chamadas ilusões de ótica. 



Compreendemos e aceitamos aquilo que podemos, pela mesma razão. 
Rosacruzes trabalham com a pesquisa interna, portanto.
Temos já alguma experiência neste campo. Este é o espírito do rosacrucianismo, como entendido em todas as suas manifestações.
É óbvio, a partir disso, que não se trata de uma religião, mas de uma escola científica de autopercepção. Acontece que exatamente em função desta forma peculiar de trabalho, o foco no transcendente, naquilo que chamaríamos a vida sem fio, sem ligações visíveis embora existentes, a vida wi-fi, passamos, enquanto rosacruzes, a nos dar conta de uma vasta rede de conexão entre todas as coisas. O que nos transcende, nos ultrapassa, vai além de nós. Assim, este estudo da Transcendência que o rosacrucianismo empreende nos leva a perceber que estamos em conexão com todas as coisas que existem, mergulhadas também na mesma rede invisível de conexões. Este estudo lida com coisas misteriosas e profundas e por isso recebe o nome de estudo das coisas misteriosas ou misticismo.
Ora, é impossível, tendo-se um espírito religioso ou não, não ser tocado por um senso de propósito na criação, não perceber ao entrar nesta rede a existência de uma Inteligência que a tudo dirige e mantém.
Uma Consciência, que ordena e sustenta a existência de modo harmonioso e equilibrado, mesmo considerando os cataclismas e convulsões sociais que estamos habituados a testemunhar em nossa chamada vida real.
Os Rosacruzes chamam esta Consciência de Consciência Cósmica.
Existe aparentemente um propósito e uma razão para todos os acontecimentos e o que chamamos Caos, percebemos, é apenas uma forma altamente complexa de organização, ordem esta cuja mecanismo interno nos escapa, mas que os rosacruzes chamam, usando um termo do Egito Antigo, aonde começaram seus trabalhos, de Lei de Anra, a lei do Dar e Receber. Na Índia, este princípio de organização da existência também foi reconhecido e recebeu o nome de Lei de Karma.
Todo o processo de reeducação rosacruciano, portanto, é lento. Implica a compreensão de vários e importantes aspectos contrários a compreensão ordinária do mundo, mas mais que isso, implica a prática de exercícios para dominar e manifestar estes dons internos, às vezes profundamente adormecidos e acanhados dentro de nós mesmos.
Os rosacruzes propõem que, modificado o homem, modifica-se, automaticamente a sua percepção do mundo e que a idéia que fazemos do mundo é tão falsa e incompleta como aquela que um míope tem antes de colocar os óculos.
A Utopia Rosacruz é que todos os homens e mulheres do mundo coloquem seus óculos espirituais para que possam perceber a grandiosidade do que os cerca de maneira como nunca antes puderam perceber.
Para concluir, gostaria de dizer que como se viu, entrar para a Ordem Rosacruz não torna ninguém, automática e magicamente, rosacruciano. É preciso esforço solitário, persistente e demorado para se conseguir algum tipo de sucesso na sua filiação. Os testes serão muitos, e silenciosos. O estudante será tentado a se afastar de seu trabalho, a abandonar sua busca, a desistir deste empreendimento. Muitos se perdem pelo caminho, primeiro, por que entram na Ordem, como de resto em outras Ordens, atrás de idéias pré concebidas em suas próprias mentes, e quando a realidade não condiz com a fantasia, com a ilusão, surge a desilusão.
Segundo, porque não tem a mais útil e importante virtude para qualquer ser humano: determinação. Buscam os portais de quaisquer empreendimentos como se comessem um hamburguer, ou como se tomassem uma pílula de resultados. Claro que após alguns anos, abandonam também a Rosacruz, como já devem ter abandonado outros projetos de vida antes deste.
A vida, a verdadeira vida, não é retilínea; é tortuosa e sujeita a chuvas e trovoadas, de manhã ou de tarde. É preciso contarmos com os imprevistos em nossos planos, mas muitos problemas podem ser evitados com o guarda chuva da disciplina e do planejamento.
Não podemos planejar tudo em nossa vida, mas podemos planejar quase tudo. A isto os modernos rosacruzes se referem como sistema e ordem, e são estas as únicas duas exigências para se tornar membro de uma escola rosacruz, ou melhor, de qualquer escola. Vida sem plano, sem metas, sem uma organização, está fadada ao fracasso e ao desalento.
De resto, Willians, se voce quiser tornar-se um estudante rosacruz, a AMORC, a Antiga e Mística Ordem Rosacruz é uma boa escolha. Dentre todas as manifestações organizacionais e denominações rosacruzes que voce encontrará, esta é a mais completa e estruturada forma de acesso aos conhecimentos rosacruzes. O link está do lado direito da página de rosto do blog, logo abaixo do meu retrato, com o título "Torne-se um Rosacruz". Basta clicar e seguir as orientações de afiliação.
E como costumamos dizer ao nos cumprimentarmos, nós rosacruzes, que sua filiação, se consumada, ajude voce a encontrar o mais precioso dos tesouros da existência na terra, a paz profunda.

Um tríplice e fraternal abraço.

domingo, 21 de outubro de 2012

EMAILS


por frater Mario Sales e Soror I, ambos rosacruzes




From: sóror@xxxxx.com
To: mariosergio47@hotmail.com
Subject: teia de indra - desejo participar
Date: Fri, 19 Oct 2012 23:56:59

Estimado frater Mario Sergio

Saudações Rosacruzes

Digno Frater, gosto de ler seu blog, mas confesso que não gosto de vê-lo falando publicamente da AMORC em suas dificuldades operacionais, (não acho legal falar mal das pessoas que se ama para não reforçar seus defeitos e nem expo-los) pois para mim é como voce diz: pensamento, palavra e ação pois nós também somos a AMORC. Somos uma pedrinha tal qual aquela colocada na cerimônia da pirâmide (não recordo agora o novo nome).Assim gostaria de poder participar do grupo.

Com sinceros votos de paz profunda

Soror I.P.T.

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Sóror, boa tarde. Gostaria de ouvir mais sobre a posição da sóror. Ao que a sóror se refere quando cita que me vê "falando publicamente da AMORC em suas dificuldades operacionais?" O que a sóror chama de "dificuldades operacionais"? A sóror diz que "não acha legal falar mal de pessoas que se ama". A que "pessoas" a Sóror se refere?. Se fosse possível a sóror gentilmente estender e dar contornos mais nítidos e específicos, citando se possível o texto aonde a sóror julgou ter-me visto "falando publicamente" da AMORC, de alguma forma que lhe pareceu inadequada, por favor, queira me dizer aonde e quando foi. No meu entender sóror, nós, a sóror e eu, não somos também a AMORC, nós somos a própria AMORC, e por isso precisamos zelar pela manutenção de sua qualidade e buscar sua evolução, aperfeiçoando-a na forma e no conteúdo, da mesma forma que Spencer Lewis fez lá em 1917. Se ele não tivesse transformado textos antigos e maneiras antigas de divulgar a tradição, nem a sóror , nem eu teríamos tido a graça e o privilégio de ter acesso a este magnífico conhecimento. Por isso, e pelo enorme carinho que tenho por nossa Ordem, gostaria de saber aonde de alguma forma, deixei transparecer que alguma palavra, algum texto meu, no blog, foi entendido como "falar mal". Só cuidamos daqueles que amamos. É por amor que pergunto a minha esposa se tomou seus remédios de pressão todos os dias, é por amor aos meus pacientes que cobro deles com ênfase que tomem suas medicações regularmente e demonstro minha insatisfação quando percebo que não tem dado importância ao seu tratamento. Tenho colegas que pouco se importam com pacientes que não seguem suas orientações. "O Problema é deles" dizem nos corredores. Não acredito. Quem ama, sóror, cuida. Tudo que quero em minha vida é demonstrar amor as coisas que me são caras. Minha espécie biológica, minha família, e a Rosacruz. Qualquer outra interpretação além dessa está equivocada. E preciso saber o que deu a entender tamanho equívoco. Aguardo sua manifestação ansiosamente e desde já agradeço.

PP

M

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Olá mario

o texto foi " Sim,sou rosacruz, mas não praticante"

"...Por tudo isso, e pelo privilégio de ter conhecido rosacruzes tão apaixonados e muito mais capazes do que eu, como Diva Ogeda e Reginaldo Leite, ou mesmo a minha iniciadora, hoje aos 80 anos, Abadia Caparelli, uma sóror provavelmente anônima para muitos, como outras tantas, mas respeitada até por Maria Moura, é que me entristece tanto ver, entre meus frateres e sorores, a perplexidade diante de exposições as mais banais, como se estivessem tendo contato com estas noções rosacrucianas fundamentais pela primeira vez, (que é não uma impressão mas realmente o que ocorre), noções e conceitos que já deveriam estar cansados de estudar." (lembrei-me do frater Adilson (dizendo)"- 'Se voce ja é borboleta seja tolerante com as lagartas'. - cada um em seu nível".)

(Depois em outro trecho, vc diz)

"Parte do meu trabalho pela minha Ordem é dar palestras que acabam em debates e conversas muito mais enriquecedoras que as palestras em si. E qual não é a minha estranheza em ver perguntas ou colocações que contrastam com a idéia rosacruz de mundo. Como modelo, apenas para retirar o caráter abstrato deste raciocínio, vejamos a questão da morte e do morrer."
"As monografias recebidas precisam ser lidas, e quanto a isto, temos tido, como Organização, não como Instituição, uma atitude tolerante em demasia.
Provavelmente, ao deixar as pessoas sem nenhum tipo de cobrança quanto ao desempenho de seus estudos, sem nenhuma contrapartida ao recebimento dessas monografias, como um teste de verificação de conhecimento que travasse o envio de monografias até que fosse enviado, ou a necessidade de trabalhos que demonstrassem a proficiência nos assuntos discutidos naquela monografia ou naquele grau como condição para ascender a graus mais altos, estamos cultivando uma legião de "rosacruzes não praticantes", frateres como um que testemunhei ao abrir um pacote de monografias dizer, com ar irônico:"-Deixa eu ver em que grau estou agora."
É preocupante. Mudar este modus operandi implica em reformular todo o nosso departamento de instrução. Já li textos de irmãos que defendem a tese de que a Ordem não é um curso por correspondência. Já tarda uma intervenção e uma mudança operacional no nosso modelo educacional."


(E ainda no ensaio:) "JORNAIS DE DOMINGO, POPPER, MATÉRIA ESCURA E A BUSCA DO INVISÍVEL""...Trata-se de uma discussão que tive, no ambiente interno da Rosacruz, com um físico, membro da nossa Ordem, que vive em minha região. Ele é respeitado entre nós como representante do meio científico ortodoxo e como dentro da Rosacruz temos por tradição amor ao conhecimento e à atividade científica, todos o tratamos com a maior deferência. Alguns anos atrás eu o procurei, levado pela mão de outro frater, Waldemiro Guzzi, e combinamos de trocar emails sobre a minha obsessão dos últimos anos: a possibilidade de visualização da Aura Humana por pessoas não videntes, tal como se consegue ver o interior do u falava com um físico, mas não com qualquer físico, um físico rosacruz, de quem esperava pelo menos algum tipo de simpatia com a minha curiosidade. 
Qual não foi minha surpresa quando, ao longo de 6 ou 7 emails ele defendesse veementemente de que nada podia ser feito quanto a esse aspecto, já que a emanação da aura dizia respeito apenas ao campo psíquico e não ao físico e assim não se podia pensar em desenvolver qualquer tecnologia para auxiliar neste particular, ou por outra, não se podia usar algo visível para visualizar o invisível. O que me surpreendeu foi encontrar este tipo de timidez investigativa em um cientista que também é rosacruz, e que por isso eu achei "que era um cientista rosacruz". Não era. Não há necessariamente relação entre uma coisa e outra, descobri.
Ser um rosacruz, ser um cientista e ser ousado em suas pesquisas não são coisas necessariamente relacionadas. Quando vejo astrofísicos procurando o invisível, mesmo que seja um invisível perceptível pelos seus efeitos gravitacionais, morro de inveja das pessoas que tem acesso a estes recursos. E fico triste que em minha Ordem, no passado reduto de mentes pensantes, atualmente, mesmo mentes de irmãos ligados a ciência, estejam tão burocráticas e pouco ousadas. É pena. Popper estava certo. O que não pode ser questionado, é dogma. Para mim, ser rosacruz não é crer em dogmas, é avançar com coragem, ousadia, e procurar outras possibilidades de estabelecer pontes entre o pensamento ortodoxo e o místico, usando o visível para buscar o invisível. Para mim é a única alternativa de devolver a AMORC a glória da qual ela já desfrutou e interferir na sociedade como é tradição dos rosacruzes, através do conhecimento. M"

Mario, fiz alguns recortes. Quero aproveitar a oportunidade e manifestar minha opinião; não o fiz no blog para não polemizar. Para mim o que precisamos no momento é de espiritualidade, consciência, bondade, fraternidade e amor, e não mais conhecimento científico. Que sentido tem o homem buscar o invisível a partir do visível se ele não consegue minimizar tantas dores humanas e obter paz? É somente sua onipotência e desejo de ser (tal qual o próprio) Criador, ou seja, novamente querer usurpar o poder de Deus. Como estudantes da AMORC aprendemos que o visível provém do invisível, e que devemos ser práticos na criação de um mundo melhor. (Esta é a) UTOPIA RC. Para que então saber alcançar o invisível se o objetivo de tal empreendimento não é claro? Foi assim com (a) bomba atômica, a tragédia que causou e ainda a ameaça que paira sobre nós com esse poder em mãos não evoluídas. Para mim a Ordem esta na vanguarda quando propõe e reafirma a todo o momento a necessidade humana de evoluir como ser divino que é e não cientista sem consciência. Assim devemos sim criar a partir do invisível o mundo visível que sonhamos.
Tem um texto legal sobre isso no blog do GM francês Serge "Tousaind" sobre profecias.

com sinceros votos de paz profunda

Soror I

PS- Concordo com você em relação a eficiência do atual modelo pedagógico. Para nós da medicina, que somos acostumados a estudar, não é difícil, mas para outras pessoas pode ser. Daí porque achei legal a criação do espaço. (teiadeindra.blogspot.com)


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Sóror I

Agradeço sua resposta

Muitas idéias me atravessam a cabeça e com certeza suas colocações merecem uma abordagem mais longa e cuidadosa. Hoje, infelizmente, estou impossibilitado de trabalhar o tema como gostaria. Domingo, com calma, com certeza voltarei a estes emails.
Mas só para começar a conversa gostaria de abordar alguns trechos de seu esclarecedor email.
1. "...Por tudo isso, e pelo privilégio de ter conhecido rosacruzes tão apaixonados e muito mais capazes do que eu, como Diva Ogeda e Reginaldo Leite, ou mesmo a minha iniciadora, hoje aos 80 anos, Abadia Caparelli, uma sóror provavelmente anônima para muitos, como outras tantas, mas respeitada até por Maria Moura, é que me entristece tanto ver, entre meus frateres e sorores, a perplexidade diante de exposições as mais banais, como se estivessem tendo contato com estas noções rosacrucianas fundamentais pela primeira vez, (que é não uma impressão mas realmente o que ocorre), noções e conceitos que já deveriam estar cansados de estudar.(lembrei-me do frater Adilson (dizendo)"- Se voce ja é borboleta seja tolerante com as lagartas". - cada um em seu nível.)"
Ao ler a citação do Fr. Adilson, que a sóror colocou ao pé do trecho selecionado, entendi a crítica da sóror. A seu ver, no meu texto, eu estava de alguma forma sendo impaciente e excessivamente crítico com a pouca cultura de alguns frateres ou sorores. Graças a Deus, tudo não passa , como eu pensei, apenas de um equívoco de interpretação.
No meu texto eu não julgava a capacidade cultural de nenhum de meus frateres, porque não tenho competência para isso nem sou tão arrogante a ponto de achar que posso fazê-lo, graças ao bom Deus. Sei das minhas próprias limitações. Se outros a tem, isto é entre eles e o Todo Poderoso, e minha função nesta vida é servir, e se alguma vez eu detectasse dificuldades intelectuais em algum frater ou soror, a minha única e possível atitude seria auxiliar este frater ou esta soror, jamais julgá-lo, muito menos menosprezá-lo. E parafraseando a frase do Fr. Adilson, nem me suponho borboleta, nem suponho ninguém lagarta.
Pra mim, todos estamos em um casulo, em permanente transformação. As aparências enganam muito e é preciso estar atento tanto aos murmúrios dos loucos como aos discursos dos doutos, pois " Deus não faz distinção de pessoas" como está dito em Atos dos Apóstolos, como eu poderia fazê-lo?
Não, não era isso que eu dizia naquele trecho. Naquela parte, eu me referia a um fenômeno que talvez a sóror conheça. O conhecimento rosacruz, a sóror sabe, é vasto. Organizado, porém imenso. Muitas informações sobre habilidades mentais e místicas são fornecidas didaticamente aos nossos irmãos. E o que testemunhamos? Um falso profeta qualquer, e eu pensava em Ron Hubbard, fundador da Cientologia, escreve um texto recheado de meias verdades neurolinguísticas e auto condicionamento, em moldes pavlovianos, funda uma igreja, e cria uma legião de seguidores de olhos estatelados,fixos, com falas radicais. Um desses veio ao nosso capítulo aqui em Suzano. E eu vi, sóror, os membros de nossa Ordem, que são depositários de um conhecimento milenar, inestimável, com seus olhos fixos neste homem, hipnotizados por um discurso que a qualquer pessoa de bom senso pareceria um simples crise de hipomania, mas para eles , ditos estudantes rosacruzes, pareceu que estavam diante de uma revelação, de uma epifania.
Aquilo me preocupou muito, sóror.
Se meus irmãos de Ordem não têm a serenidade suficiente para distinguir um discurso banal e superficial de um conhecimento profundo e milenar como o que eles receberam na Ordem, se ainda se fascinam com as luzes da ribalta de outros shows que não o nosso, ainda estão, eu diria, perigosamente inseguros da sua filiação.
É disso que eu falava. Nada a ver com a capacidade intelectual de A ou de B. Isto não tem a menor importância nem era o meu tema. Eu discutia a Maturidade Psicológica dos frateres, a sua falta de sagacidade ao julgar atraente um discurso de auto ajuda de segunda categoria. E a sóror sabe que independente do grau de intelectualidade ou dos muitos títulos que possa ter ou não ter da vida acadêmica, sua maturidade psicológica será ditada por outros fatores que estão fora da Universidade, dentro de seus corações e mentes, mas longe de seus cérebros.
Era disso que eu falava. Era a isso que eu me referia.
2. Quanto ao trecho:
"Parte do meu trabalho pela minha Ordem é dar palestras que acabam em debates e conversas muito mais enriquecedoras que as palestras em si.
E qual não é a minha estranheza em ver perguntas ou colocações que contrastam com a idéia rosacruz de mundo. Como modelo, apenas para retirar o caráter abstrato deste raciocínio, vejamos a questão da morte e do morrer."
está fora de contexto e é importante ver a continuação, que é a seguinte:
"A Rosacruz é o que são os rosacruzes.
E é consenso entre a maioria de nós, que a vida é eterna, que somos seres espirituais, emanados de Deus, portanto feitos da sua própria natureza divina e portanto, eternos; que nossa experiência na carne é temporária, que nossos corpos sofrerão uma decomposição natural com o tempo, e que ao terminar o tempo deste corpo, fluiremos para outra experiência em outro corpo, em outra identidade aparente. Mesmo assim, vejo tristeza nas funções fúnebres rosacrucianas, que deveriam ser a comemoração pela Grande Iniciação. É como se fossemos católicos enterrando seus mortos, chorando por aqueles que realmente acreditam que morreram, mesmo que nesta religião a mais impressionante mensagem de seu fundador, o Cristo, Jesus, tenha sido a da ressurreição e da Vida Eterna. Rosacruzes não são seu corpo, sabem disso. Mesmo assim não se desfazem dele sem apego. Vejo nos rostos de meus irmãos o mesmo materialismo e a mesma subserviência a valores não iniciáticos que em pessoas que não são iniciadas. Mesmo considerando que uma iniciação é apenas isto, o início de uma caminhada, e que existe necessidade de tempo para que a mente e suas convicções sejam transformadas, é estranho ver entre rosacruzes um comportamento tão pouco místico. "
Era este paradoxo, entre o que uma pessoa diz ser (mística rosacruz) e seu comportamento diante da mais alta iniciação (a morte física) que eu constatei ao conversar com vários frateres e sorores e ao acompanhar enterros de sorores e frateres com os quais convivi. Diva costumava dizer que "misticismo era pra tomar na veia". E eu concordo com ela. Nós, rosacruzes, deveríamos ser, pelo menos, mais rosacruzes do que aqueles que não são. E mesmo assim, vejo mais serenidade diante da morte e do morrer entre os zen budistas do que entre nós, seres espirituais em uma experiência material, segundo Teilhard de Chardin.
Eu tenho mais coisas a conversar com a sóror e este papo está tão bom que poderia se a sóror autorizar, virar uma publicação do blog, para as pessoas que talvez tenham tido a mesma impressão equivocada do meu texto, claro que por minha culpa de ter sido pouco claro, tenham a oportunidade de ver a mesma questão por outro ângulo, coisa que só foi possível graças a sua oportuna intervenção.
Depois então continuamos.

Obrigado pela conversa, até aqui.

PP

M

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Oi mario

Fiquei feliz com seu email, pois também concordo com você com relação a essas ditas práticas "psíquicas" atuais tipo coach , PNL, e outras. Preocupo-me da mesma forma que você, pois para mim as pessoas iludem-se com o canto das sereias. Como você mesmo coloca o exercício do rosacrucianismo não é fácil. o olhar para si mesmo, refletir e realizar as mudanças internas necessárias é (muito) difícil, (é) melhor para muitos ficar na ilusão. Sabe, fiquei me perguntando se você não estava tão indignado que ao expressar-se não deixou claro o referencial, tal qual eu senti ao ler seu artigo. Apenas não me manifestei e me prometi que teria uma oportunidade de colocar para você.
Sabe Mario, fico observando algumas atitudes dos estudantes, alguns comportamentos que realmente não condizem com comportamento RC. Fico então me perguntando se temos o direito de interferir, ou seja, realizar alguma ação mais direta para buscar esse desenvolvimento, tipo como nas empresas, um programa de desenvolvimento comportamental; aí penso na missão da ordem e entendo que é um processo, que a alma tal como a rosa vai abrir-se no seu tempo e hora certa para expressar sua beleza (para) aqueles que são sensíveis para admirá-la pois as monografias, os rituais , os encontros, erins, etc, são o material necessário para esse desabrochar. Porém acredito que podemos colaborar, com foco na organização e valorização, pelos frateres e sorores, dos nossos ensinamentos, algo do tipo criar algum mecanismo que faça as pessoas lerem (mais) as monografias e por (seus ensinamentos) em prática. Observo também que a literatura rosacruz é muito pouco lida e temos livros atualizados que falam de ciência e misticismo, (bem) como as grandes vias do amor e outros. Gosto da metodologia dos reflexões rosacruzes, de repente você que é também filósofo pode fazer alguma coisa questionando e propiciando interação.
Também queria colocar como sugestão que nesse espaço criado voce ficasse de moderador não desse acesso ao texto antes de passar por seu crivo mesmos aos nossos frateres e sorores artesãos .

Muita paz e luz

soror I

PS: ah mário, queria colocar mais uma coisa: quando você fala da insegurança deles quanto a afiliação concordo com você, mas sem duvida eles estão (como) seres humanos um pouquinho melhores só por terem (tido) a oportunidade de ter acesso ao conhecimento rosacruz; o que se faz necessário é a consciência e a fidelidade . Como "fenômenos", não são lineares. Acho que esse episódio foi muito bom, pois poderemos assim conversarmos sobre inquietações as quais no fundo são traduzidas por um grande amor a ordem e desejo de vê-la pura e forte.

Até domingo


Não gosto de aparecer, se puder não citar meu nome, melhor, porém, se for importante, fique a vontade.

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Sóror I

Continuando nossa conversa, gostaria de comentar outro trecho do seu interessante email. O sublinhado é meu.
" Mario fiz alguns recortes. Quero aproveitar a oportunidade e manifestar minha opinião. (1)Não o fiz no blog para não polemizar. (2)Para mim o que precisamos no momento e de espiritualidade, consciência, bondade, fraternidade e amor e não mais conhecimento cientifico. Que sentido tem o homem buscar o invisível a partir do visível se ele não consegue minimizar tantas dores humanas e obter paz? É somente (por) sua onipotência e desejo de ser (o próprio) Criador, ou seja, novamente querendo usurpar o poder de Deus. (3)Como estudantes da AMORC aprendemos que o visível provém do invisível e que devemos ser práticos na criação de um mundo melhor. (Esta é a) UTOPIA RC. (4)Para que então saber alcançar o invisível se o objetivo de tal empreendimento não é claro? Foi assim com (a) bomba atômica, a tragédia que causou e (que) ainda é (uma) ameaça que paira sobre nós com esse poder em mãos não evoluídas. Para mim a Ordem está na vanguarda (5)quando propõe e reafirma a todo o momento a necessidade humana de evoluir como ser divino que é, e não (como um) cientista sem consciência. Assim, devemos sim criar a partir do invisível o mundo visível que sonhamos."

Bom, comecemos pela primeira parte sublinhada:
(1)"Não o fiz no blog para não polemizar".
Não sei bem porque, aliás sei sim, as pessoas em geral, senso comum, supõem que polêmica implica conflito ou briga. Na verdade, uma boa polêmica sempre esteve na raiz do crescimento científico e filosófico. Nenhum intelectual supõe que seja senhor da verdade mas defenderá seus pontos de vistas, com os recursos da lógica e da retórica de modo apaixonado, pelo simples prazer de debater. Embora a palavra, polêmica, derive do grego "polemikê", "a arte da guerra", em tempos civilizados, polemizar não é sinônimo de guerrear, mas de discutir idéias, o que sempre refresca os ares do pensamento.
E qualquer bom debatedor jamais terá medo de uma boa polêmica, pois se vencer o debate, provará seu ponto de vista, e se for derrotado, sairá do debate mais sábio.
Por isso, sóror, pelo menos comigo, polemize sempre, sem medo.


2."Para mim o que precisamos no momento e de espiritualidade, consciência, bondade, fraternidade e amor e não mais conhecimento cientifico".


Não só no momento, sempre precisaremos destas coisas. Mas jamais, em minha opinião, poderemos prescindir de conhecimento, até para conseguir maior espiritualidade, principalmente o conhecimento científico. Talvez a sóror não conheça a afirmação de Pasteur, o médico francês, na qual afirma que "conhecimento de menos afasta de Deus e conhecimento de mais, aproxima de Deus". Eu endosso este pensamento. Por ser médico e por ser místico.


3. "Como estudantes da AMORC aprendemos que o visível provém do invisível e que devemos ser práticos na criação de um mundo melhor."


Neste trecho confesso, fiquei um pouco confuso. A sóror afirma que o visível provém do invisível. Sim, concordo. Esta frase inclusive, não é da AMORC, mas do Buda, Sidarta Gautama. Depois a sóror continua seu pensamento dizendo que, por causa disso, "devemos ser práticos na criação de um mundo melhor."

Ora, a prática, a atividade prática, implica uma intervenção material no mundo. Nada tem a ver com o invisível, mas com o visível.
Se a sóror se refere a passagem da idéia (invisível) à ação (visível) no processo de transformação do mundo a nossa volta, chamado real, concordamos em gênero, número e grau.
Mas então, porque ao ler este trecho, ainda fiquei com a sensação de que a sóror tentava com esta afirmação fazer uma crítica desta mesma intervenção que a ciência faz, todos os dias, na vida da sociedade? Isso não me ficou claro. Talvez, por um solipsismo, a sóror tenha ocultado o que revela no próximo trecho que destaquei, que o importante é uma intervenção ética e que vise a melhoria da qualidade da existência das pessoas e não uma simples intervenção, como defendem alguns, e não todos os membros, da comunidade científica. Porque, é bom lembrar, se toda generalização é perigosamente enganosa, ela o será principalmente em relação a comunidade científica internacional, que é a mais heterogênea possível, do ponto de vista humano e de crenças. A única coisa igual em qualquer cientista, de qualquer parte do mundo é a curiosidade, o hábito de tomar notas e voracidade de devorar textos e textos. O resto é um verdadeiro caos caleidoscópico.


4."Para que então saber alcançar o invisível se o objetivo de tal empreendimento não é claro?"


Pelo visto, era isto mesmo que eu havia pensado. A sóror usa a palavra "objetivo" em lugar de "intenção ética". Segundo a opinião da sóror, com a qual eu concordo, deveria haver um norte ético para as pesquisas científicas, algo que garantisse que todos os esforços do pensamento científico humano fossem destinados a realizações benéficas à sociedade. Por exemplo, proibir a utilização bélica de quaisquer descobertas. Digo "proibir a utilização" e não " a pesquisa", porque o malefício de um conhecimento não é o conhecimento em si, mas a maneira como é empregado. Veja, ao proibir a ciência, proibimos a pesquisa, mas se proibimos o uso inadequado do conhecimento, determinamos que a energia elétrica será usada apenas para iluminar as casas e permitir a leitura de livros a noite, e não para eletrocutar pessoas ou matar jovens com quadros psiquiátricos como aconteceu com um brasileiro na Austrália, recentemente.

Não é a prática científica que vai contra a espiritualidade. Buscar o conhecimento é divino, como rezar. Um homem ou uma mulher mais culta é melhor como ser humano e como membro da raça humana. Quem compreende não precisa mais "tolerar", porque entende as razões daquele ou daquilo que compreendeu.
A ciência é do bem. O cientista ou o militar que usa a ciência para o mal, não.


5. "Para mim a Ordem está na vanguarda quando propõe e reafirma a todo o momento a necessidade humana de evoluir como ser divino que é, e não (como um) cientista sem consciência."


Sim, é verdade. A proposta rosacruz de por a ciência a serviço de Deus, já colocada no livro de Francis Bacon "A Nova Atlântida", é realmente avançadíssima.

Só que como ensina o Martinismo, este é um mundo dual. Fora da Rosacruz, veja bem, fora da Ordem, não há porque a ciência ter qualquer compromisso com o serviço à sociedade no intuito da melhoria da vida dos seres humanos.
Agora, dentro da Ordem, a noção de Ciência, palavra que quer dizer Conhecimento, baseado em princípios de verificabilidade, experimentação, um conhecimento fundamentado, que inspira confiança por ser baseado em dados experimentais, e sempre a serviço do Altíssimo, é a essência do pensamento rosacruciano.
Quando a sóror usa a palavra "cientista", confesso que senti como um termo desabonador, como se ser científico em seus procedimentos fosse uma coisa que falasse contra o indivíduo. Com isso eu não posso concordar. Tenho, como a sóror deve ter, como membra da classe médica, o mais alto respeito e a maior admiração pelos cientistas, membros e não membros de nossa Ordem, que nos legaram um mundo menos preconceituoso e ignorante, onde as pessoas graças a uma simples vacina conseguem viver mais e melhor e no qual, pelo menos no lado de cá do planeta, tem acesso a maior higiene e dignidade dia a dia.
Quando escrevi "Jornais de Domingo, Matéria escura, Popper,etc" o que me causou estranheza foi o fato de minha polêmica ter-se dado dentro, repito, dentro do ambiente da Ordem, com um cientista, ou pelo menos professor de física, que é rosacruz. Isso foi estranho, ver em um místico a mesma falta de ousadia de alguns cientistas burocráticos não rosacruzes.
Bom é isso. Vou colocar nossas conversas no blog. Tomarei cuidado para não expô-la como sugeriu. E agradeço, como carioca que sou, pela agradável oportunidade de conversar, fraternalmente.

Paz Profunda.

PS: Lendo seu último email, que chegou depois de eu ter elaborado esta resposta, não pude deixar de notar este trecho:

"Sabe Mario fico observando algumas atitudes dos estudantes alguns comportamentos que realmente não condizem com comportamento RC. 
Fico então me perguntando se temos o direito de interferir, ou seja, realizar alguma ação mais direta para buscar esse desenvolvimento, tipo como nas empresas, um programa de desenvolvimento comportamental; aí penso na missão da ordem e entendo que é um processo, que a alma tal como a rosa vai abrir-se no seu tempo e hora certa para expressar sua beleza (para) aqueles que são sensíveis para admirá-la pois as monografias, os rituais , os encontros, erins, etc, são o material necessário para esse desabrochar.

Sóror

Quanto a este aspecto, é certo que o processo é individual, e é certo também que, da mesma forma que quem ama, intervém, quem ama mais ainda procura às vezes, não intervir e acredita que cada um, ao seu tempo, encontrará sua própria evolução. Mas mesmo assim é possível intervir sem intervir, através do texto, como este que produzimos com nossa deliciosa polêmica.
Porque o texto tem qualquer coisa de sagrado, seja ele sagrado ou não. Só vai ao texto quem foi iniciado no amor aos livros e às idéias e isso, como a sóror sabe, já é um divisor de águas importante. Quando alguém recorre a um texto, já demonstra que é diferenciado. E nossa intervenção, portanto, é possível, sem qualquer tipo de interferência, porque o texto está lá, e a pessoa o lerá se puder e quiser, quando e onde quiser. A iniciativa é dela.
Nosso papel é deixar as marcas, as bóias de navegação. Quem quiser navegar, que navegue, com seu próprio barco, na mesma água que eu e a sóror já passamos. É assim que nós, enquanto corpos, nos fazemos eternos: pelas letras de nossos textos.

Paz profunda.

O MEDO


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)


A herança filosófica e científica ocidental é laica, ou por outra, está fundamentada na liberdade de pensamento, diante de dogmas ou determinações arbitrárias. 
A palavra Leigo, que dá origem ao adjetivo Laico, segundo o dicionário Houaiss, 1a edição, pág 1166, significa " 1.que ou aquele que não recebeu ordens sacras; designava o serviçal dos conventos;2. que ou aquele que é estranho a ou revela ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão, etc;...4.(adj) não clerical; relativo ao meio civil, mundano, secular"
É no sentido de número 4 que os pensadores e cientistas usam o termo. Todo o progresso da ciência só foi possível pela libertação da tirania dos dogmas, ou melhor dizendo, do dogma da tirania, como modelo de governo. Em uma moderna corporação como o GOOGLE, a chamada pirâmide hierárquica inexiste e as regras foram flexibilizadas em prol da criatividade. Lá todos são adeptos do trabalho secular. Milhares de jovens desejam trabalhar em uma companhia aonde os horários de trabalho não são rígidos, não existem regras comportamentais estritas e só um foco direciona o serviço: a criatividade unida a produtividade.
Ordens esotéricas, como o próprio nome diz, tem enorme receio deste modelo. Entraram no século XXI como os homeopatas de 30 anos atrás, que achavam elegante e parte do seu teatro profissional ter um consultório de móveis antigos, livros pesados em cima da mesa, e usar um linguajar conservador.
Supunham, antes que a tecnologia lhes desse programas de computador que cruzam características individuais em segundos, que fosse absolutamente necessário ser lento em seus procedimentos para parecerem confiáveis. 




A Maçonaria e o Rosacrucianismo, embora de modo diferente, tem o mesmo dilema.
Lidam com o pesado desafio de enfrentar uma era de informação vertiginosa, "em tempos tumultuosos, num mundo em transformação", sem acompanharem estas transformações, por medo de perder, digamos assim, seus fundamentos.
O curioso é que este receio de terem seu espírito roubado pela modernização de seus métodos se assemelha ao medo que os índios americanos tinham das fotografias, ou melhor, dos seus antecessores, os daguerreótipos.
A modernidade e a ciência sempre forma apanágios do exercício laico do pensamento, não da prática religiosa.E como essas Ordens entram no terreno cinza de prática devocional sem cunho religioso, aonde as almas buscam independência do clero na adoração a Deus e liberdade dos dogmas para adorar este mesmo Deus, há todo o tempo na mente desses místicos e esoteristas um conflito entre o modelo vencedor no Ocidente de estrutura religiosa, o Católico Romano, e a estrutura das Universidades, geralmente seculares e livres de conflitos de natureza religiosa e dos pesados grilhões de uma autoridade fortemente hierarquizada.
Quando Ordens Esotéricas, (que pelo próprio nome, Ordens, denunciam a indecisão entre serem ou não religiões), falam em liberdade, na importância da liberdade para seus membros, ou quando propagam lemas como frater Parucker, nosso antigo Grande Mestre, propagava,( "a mais perfeita liberdade na mais completa tolerância"), não têm uma noção clara do que signifique isso no século XXI, onde a velocidade com que as idéias são propagadas e as pesquisas são feitas tornam qualquer tipo de controle difícil e, às vezes, inviável. 

Como em uma Universidade Laica, onde a hierarquia que a comanda é a da qualidade das idéias e a produtividade de seus pesquisadores.
Como dentro da sociedade americana em que a idéia de Censura é abominada como algo obsceno e inaceitável. Culturas latinas ainda aceitam de modo mais ou menos indiferente algum tipo de autoritarismo, mas isto seria impensável na realidade norte americana. E assim as lojas Maçônicas americanas gozam de uma liberdade indescritível para lojas maçônicas sul americanas ou brasileiras. E práticas de estudo e templárias rosacruzes e martinistas também mostram pequenas diferenças em relação às americanas, que demonstram o conflito e a influência do caráter sociocultural na interpretação e aplicação das regras de prática dentro dos templos.
Na maçonaria, o exemplo destas peculiaridades locais são as fotografias e filmagens dos rituais, hoje praticamente disseminadas em todo território americano. Perdeu-se aos poucos por lá o pudor em revelar o interior do templo maçônico e até a dinâmica de suas reuniões, em troca de uma maior aceitação e penetração na sociedade na qual os maçons desejam intervir, pacífica e progressivamente.
Hoje a Maçonaria é uma escola de Líderes como tantas no mundo corporativo, só que com uma tradição histórica de mil anos. Este é o seu diferencial. E é mais comum dentro dos templos, mesmo os mais conservadores , o emprego de métodos modernos de exposição como projeção multimídia e uso de notebooks pelos palestrantes.
Já na AMORC, fundada no atual ciclo de atividades por um jornalista americano, um homem com dotes publicitários e um enorme senso de pragmatismo, as coisas evoluem nos últimos anos bem mais lentamente.
E como exemplo didático vou usar o caso do Atril. Como sabem os martinistas, não há suporte para leitura pelo coordenador da reunião, dos textos que são estudados no ritual martinista. Eu que sou míope sempre tive problemas com a distância entre o papel e os meus olhos. E é para isso que servem os Atris, suportes de madeira para livros, originalmente usados para Bíblias, e que com o advento do mundo laico, transformaram-se em suporte para qualquer tipo de livros. Um atril facilitaria a vida de qualquer leitor, seja martinista ou não.
Quando eu era mestre martinista em uma heptada da região, sugeri que se colocasse um atril em cima da mesa de leitura para facilitar a vida de meus pobres olhos.
Recebi a informação de que, como no regulamento e no manual de organização, sobre a mesa de leitura não havia a previsão de qualquer outro objeto a não ser os ritualísticos, isto não seria possível.
Qual não foi a nossa surpresa quando um irmão, membro da mesma heptada, de volta de uma visita a Grande Heptada da Grande Loja de Língua Inglesa, em San Jose, na Califórnia, antiga Suprema Grande Loja, comentou que, sobre a mesa de leitura do orientador da reunião existia um Atril para facilitar a leitura dos textos.
Mesma Ordem, diferentes interpretações dos regulamentos.
E o que mudou no século XXI? A velocidade com que percebemos estas incongruências administrativas de uma para outra região de AMORC no mundo. 

E com esta facilidade de comunicação e de deslocamento internacional, vemos que não existe, porque não poderia existir, esta homogeneidade litúrgica sonhada por alguns burocratas, já que Ordens esotéricas são feitas de pessoas, e estão por isso irremediavelmente marcadas pela subjetividade e pelas culturas locais o que leva a imaginar que deve ser um esforço enorme manter algum tipo de regularidade nas práticas rosacruzes de AMORC em todo o planeta. Só que entre manter uma Ordem unida pelas mesmas práticas e aceitar uma mudança aqui ou ali de procedimento que em nada mexa com o conteúdo de sua mensagem ou com a seriedade do trabalho realizado, vai uma distância bem grande. Uma coisa é manter o conteúdo, outra é preservar a forma. A forma, necessariamente, muda com o passar do tempo, pois se não fosse assim não seria tão difícil compreender os textos de Jacob Boheme que por causa da forma, a língua e as imagens típicas do século XVI, hoje são de difícil assimilação.
Um irmão , a esse respeito, me disse certa vez que, sim, ele é hermético, mas que é preciso ler Jacob com o coração, não com a cabeça. Aceito isso, mas mesmo assim, ainda é preciso lê-lo, seja com a cabeça ou com o coração, e para isso sua distancia no tempo dificulta e muito esta leitura. Talvez esta história de "ler com o coração" seja inclusive uma outra maneira de dizer " eu também não entendi nada mas achei muito bonito".
Não é satisfatório.
Como não é satisfatório práticas e métodos seiscentistas no início do século XXI, como se a proibição de qualquer modernização no trabalho de estudo prejudicasse o próprio estudo.
Existe grande medo, quase terror da mudança na forma, e assim, enquanto nas lojas maçônicas, bem menos dadas aos estudos místicos, já se usam computadores e projetores, em templos rosacruzes, quanto mais em templos martinistas, isto é impensável.
Os rosacruzes querem estudar. E a AMORC não pode ao contrário de seu reativador, Spencer Lewis, no início do século passado, voltar as costas para a modernidade.
Talvez até nossos líderes queiram esta mudança, só não saibam como fazê-lo sem quebrar outro dogma aparente: o do sigilo das informações.
Existe um medo enorme da violação de textos por olhos profanos, leigos, se enviados pela internet, como se enviá-los pelo correio também não os sujeitasse ao mesmo tipo de violação, aliás mais fácil, e que deve ter ocorrido várias vezes. Foi assim que, com enorme receio, lembro-me, foi lançado o modelo de entrega das monografias pela internet cuja mecanica não conheço bem. 

E qual foi a Grande Loja que iniciou o procedimento, depois seguido pela França? A Grande loja Norte Americana, terra do pragmatismo, terra de Spencer Lewis. 
Julie Scott, a Grande Mestra de lá, além de ser uma simpatia em pessoa, é americana e pragmática.
Jamais hesitaria em permitir um atril em cima de uma mesa com medo de que isso afetasse a espiritualidade de um templo.
Por aqui não é assim.Paciência.Ou não.
E um sinal de impaciência é o brotar de vários blogs e sites rosacruzes de qualidade, aonde a tradição rosacruz é aprofundada, não do ponto de vista técnico, mas do ponto de vista histórico. Muitas são as informações que podem ser elencadas e publicadas em um blog, com recursos de imagem, com vídeos, muitos produzidos pela prórpia Grande Loja Norte Americana, sobre a história e a tradição de AMORC.
Isto no Estados Unidos é perfeitamente normal.
Aqui, ao contrário, é visto com desconfiança e temor, e se alguém tiver a infeliz idéia de pedir permissão a Grande Loja para fazer um espaço dedicado ao rosacrucianismo, mesmo que por lealdade e seriedade se comprometa a não divulgar nenhum material considerado sigiloso, receberá o não do conservadorismo, em alto e bom som, ou num elegante email, muito educado, mas restritivo a liberdade e a criatividade civil, historicamente ligadas à origem das Ordens Esotéricas, um não que exala o medo do novo, o medo da inovação, o medo que Spencer Lewis não teve ao fazer o upgrade dos conhecimentos rosacruzes da Europa, antigos pergaminhos que ele lia, até altas horas da noite e tentava, pedindo inspiração aos Mestre e ao Cósmico, traduzir em linguagem mais contemporânea.
Sem um esforço de transformação da forma como este sagrado conteúdo tinha sido expresso em outras épocas, não existiria a AMORC a que pertencemos hoje e eu, provavelmente, não seria membro como sou já 37 anos.
O que me fascinou na AMORC não foi o discurso espiritualista, pois isto eu conseguiria em qualquer religião, mas a promessa de uma abordagem laica dos ensinamentos sagrados e da enorme liberdade que era prometida, de pensamento e da imaginação, aqueles que se tornassem membros de suas fileiras. Havia um viés cientificista no discurso de Spencer Lewis, um bem sucedido consultor de empresas, e de seu filho, Ralph Lewis, um arqueólogo autodidata apaixonado. Ambos pensavam AMORC como uma universidade mística, não como uma religião.
Ambos pregavam a liberdade laica da pesquisa, ambos falavam sobre a necessidade de testar as técnicas rosacruzes, de verificá-las, cientificamente, não de aceitá-las apenas pela fé, ou porque algum dignitário dissesse que elas funcionavam, dando um perfil posotivista ao trabalho rosacruciano em AMORC.
E se a ciência se faz dentro da comunidade científica, a ciência mística se faz dentro da comunidade mística rosacruciana internacional, sendo necessário a discussão, o debate, o intercâmbio entre iguais, pois pensar nunca foi objeto de permissão e o diálogo e a livre expressão do pensamento é um direito garantido a todos os seres humanos, que vivam em países democráticos.
E hoje, os meios de informática garantem a rapidez e a excelência destas trocas entre irmãos, frateres e sorores em qualquer local do globo, a um clique de distância.
Nos Estados Unidos, no ambiente da Grande Loja de Língua Inglesa, isto nem precisaria ser dito.
Aqui, segundo consta, não é bem assim e sites maravilhosos como o do ex frater Marco Guimarães, mantenedor do blog "Rosacruzes.blogspot.com.br", que recomendo fortemente a quem quiser acompanhar a cultura histórico mística, não foram autorizados e a idéia foi fortemente rechaçada, em suas palavras, pela GLP.
Recentemente aconteceu comigo problema semelhante. Só que, verdade seja dita, a GLP nada tem a ver com isso.
É que o Medo do erro, da punição,quase de um pecado, já se disseminou, e corre nas veias de muitos Artesãos, não de neófitos, pasmem.
Assim, na intenção de conversar com meus frateres Artesãos de todo o país, criei um site apenas para esses debates e, fiel aos meus juramentos de sigilo e discrição, e à máxima de Saint Martin de que "o alarde não faz bem, e o bem não faz alarde", neste site chamado a "Teia de Indra"(http://teiadeindra.wordpress.com) cada artigo de conteúdo importante é lacrado com uma senha passada apenas por SMS, de celular a celular, aqueles que me pedem pelo meu email, mariosergio47@hotmail.com, de maneira que tenho absoluto controle de quem me pediu e quem teve acesso às senhas. Não é um site secreto, e ao contrário do pai de nosso Imperator, o saudoso Raymond Bernard, não tenho nenhuma intenção de criar uma Ordem paralela, ou de romper com a AMORC. Se sou o que sou é porque estou dentro da AMORC, por ser leal a AMORC e não contrário a ela, e sou leal também ao juramento de auxiliar meu Grande Mestre com minhas idéias e inspirações.
Por isso, achei que havia descoberto a pólvora e pus o site no ar.
O que aconteceu? Quase nada. Afora alguns amigos e conhecidos espalhados pelo país, poucos me pediram estas senhas. Poucos entraram e muito menos ainda comentaram o que leram. Aqui da minha região, praticamente ninguém me escreveu pedindo senha. E o próprio Grande Conselheiro, meu amigo pessoal, não quis entrar.
Em silencio, sem uma palavra, era como se a iniciativa fosse censurada. Sou bom entendedor. A ausência de interesse só pode se dever a duas coisas. Ou a falta de intimidade com meios de informática, o que atualmente é difícil aceitar, ou ao Medo, o terrível Medo de ser errado participar de qualquer evento rosacruciano, que não tenha recebido a bênção oficial da hierarquia administrativa local.
O que é triste é pensar que após 37 anos dedicados a Ordem, sem interesse algum financeiro, saindo da minha casa em São Paulo para ir até Manaus ou Curitiba, para levar orientações rosacruzes aos frateres e sorores de todo o país, eu ainda seja objeto de desconfiança, e possa-se supor que seria capaz de fazer alguma coisa ou tomar alguma iniciativa que pudesse, mesmo que de leve, arranhar a dignidade da Ordem.
O que me consola e ao mesmo me entristece, é que o Medo não é especificamente relacionado a mim ou a qualquer iniciativa minha, mas sim dirigido por igual a qualquer mudança que possa modernizar o trabalho de AMORC no país, mudanças que por trazerem novas abordagens da comunicação entre rosacruzes são olhadas sem exceção, com suspeita e receio, como aconteceu com nosso ex frater Marco Guimarães.
O que dói é imaginar que, a se manter esta situação, se Spencer Lewis reencarnasse e resolvesse fazer uma atualização não do conteúdo, mas da forma de estudar as monografias, por exemplo, pelo debate via Skipe entre neofitos ou membros de outros graus e professores autorizados e capacitados na Grande Loja de Curitiba, e se colocasse sua idéia no papel e mandasse para a GLP, não o Grande Mestre, mas algum funcionário de segundo escalão, designado para receber e decidir sobre essas iniciativas provavelmente responderia: "- Saudações Rosacruzes! Informamos que até o momento não há autorização para que sejam formados tais grupos. A atividade proposta não tem o aval da Grande Loja." E tudo apenas por Medo do que é novo.
Aviso a Sir Alden. Quando reencarnar, reencarne nos Estados Unidos. Será mais proveitoso.

sábado, 13 de outubro de 2012

LEMBRANÇAS


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)

Era o ano de 1976, 19 de setembro. Guiado pela mão de minha iniciadora, Abadia Caparelli, compareci ao Grande Palácio Maçônico, na rua do Lavradio, no centro do Rio de Janeiro, para assistir uma maravilhosa cerimônia.
Não entendia bem o que ia acontecer mas ela me disse que era importante ir, que seria um evento histórico.

Medalhão ofertado pelo Grande Oriente do Brasil - GOB à Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis - AMORC, quando da comemoração do 75º aniversário de fundação da Loja Simbólica Cayrú, em 19 de setembro de 1976, no Templo Nobre do Palácio Maçônico do Lavradio no Rio de Janeiro - RJ. - Brasil.Por sua vez, a Ordem Rosacruz - Amorc tributou amizade ao Grande Oriente do Brasil com uma placa de prata e ouro, e à Loja Simbólica Cayrú com um trofeu comemorativo do seu 75º aniversário.Na ocasião era Grande Mestre da Ordem Rosacruz - Amorc, a Sóror Maria A. Moura, e o  Soberano Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil - GOB, o Irmão Osmane Vieira de Rezende

Fiquei no balcão, do lado direito do Oriente da Loja. Lá embaixo, em trajes cerimoniais, vi entrar, lado a lado, a Grande Mestra Maria Moura ao lado do Sereníssimo Grande Mestre do Grande Oriente do Brasil na época, também devidamente paramentado. Ambos sentaram-se juntos no Oriente.
Depois Carlos Alberto, ator e rosacruz, na época orador da Grande Loja, fez o discurso da reunião, aonde falava sobre a importância da liberdade de pensamento entre os homens.
Fiquei fascinado, pela solenidade do evento, pela grandiosidade do momento. Sim, minha iniciadora estava certa. Foi histórico.
Depois, em 1978, quando eu já estava há 3 anos na Ordem, ia começar o segundo ano da Faculdade de Medicina. Não tinha aonde ficar pois a casa em que tinha morado no primeiro ano em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, não tinha dado certo.
Tinha apenas os frateres da rosacruz da cidade para recorrer. 
O mestre do capítulo era meu amigo.
Contei-lhe meu dilema e após pensar algum tempo, disse-me: "-O templo é a nossa casa. Se voce não tem aonde ficar, fique por enquanto aqui no capítulo."
E assim, por uma semana, eu andei a cidade toda procurando um lugar para alugar sem encontrar nada que me satisfizesse. Mas a noite, eu estendia um colchonete no chão acarpetado do templo, acendia um incenso de rosa musgosa, e dormia confortavelmente em ambiente sagrado, o mais longe do sanctum sanctorum do Templo, perto da porta.
Ao fim de uma semana encontrei o lugar que eu queria. Em parte fiquei feliz, em parte triste porque não dormiria mais no templo. Mesmo que fosse no chão.
Este episódio tem 36 anos. E é um de muitos da minha história na AMORC. Um exemplo da fraternidade em funcionamento, de uma vivência que passa enquanto estive lá, pelas funções de tesoureiro do capítulo, guardião interno, e cantor. Quando saí da cidade em 1983, eu deixava para trás um rico aprendizado de solidariedade que me faria ser grato e apaixonado pelo rosacrucianismo por toda a vida.
Não sou rosacruz por acaso.
A Ordem me acompanha desde muito.
São 37 anos, não 37 dias. Por isso me irrita profundamente, e não só a mim, mas a qualquer artesão, quando alguém, apenas porque exerce um cargo burocrático, vem dizer como é o modo correto de ser rosacruz. 

MUITAS CAUSAS E UMA ÚNICA CONSEQUÊNCIA, MUITAS CONSEQUÊNCIAS DE UMA ÚNICA CAUSA


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)

A idéia linear de que a cada ação corresponde uma reação de força igual e contrária é insuficiente para representar a complexidade da vida e do Karma.
A sequência que nossa mente aceita e compreende mais facilmente é aquela das pedras de dominó que se derrubam em sequencia.
Um fato gerando outro fato a sua frente que gerará o fato seguinte.



Na vida as coisas não são tão simples assim, e lembram muito mais os ramos que surgem de outros ramos de uma árvore do que uma linha que se estende, reta, ao infinito.
Existem lateralizações e, às vêzes, uma única ação desencadeia múltiplas reações.
Como a bola de bilhar lançada no início do jogo sobre o triangulo parado de outras bolas, e cujo impacto faz com que todas se movam, num padrão matemático complexo e simultâneo.




A sucessão de eventos desencadeados por um único impacto é mais fiel aos acontecimentos da vida cotidiana. Nunca temos ou teremos uma idéia clara de quais serão as consequências de um único ato nosso, mas com certeza ele se somará a outros fatos que só o Criador consegue acompanhar, e juntos levarão a um desencadear de acontecimentos ou a um único e significativo evento que será a resultante de toda esta agitação, como descrito matematicamente, na Teoria do Caos.
Portanto o ditado de que "a semeadura é livre, a colheita obrigatória" poderia ser substituído por "a semeadura, por mais cuidadosa que seja, gerará uma colheita de qualidade imprevisível". E isto, imprevisível, não quer dizer ruim, mas algo que está acima de nossas possibilidades de previsão, dito de outra forma, corresponde a presença de Deus na existência, também conhecida como "O Acaso".
Não nos angustiemos, portanto. Nossos atos ou suas consequências são apenas parcialmente responsabilidade nossa. Tudo está nas mãos de Deus.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

INTERNET E ESOTERISMO


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)


Para usar uma palavra em voga, o Tsunami da Internet já nos atingiu.
Não há ninguém que, consciente ou inconscientemente, não esteja na rede, participando, se expondo ou sendo exposto neste novo ambiente de relacionamento humano. Com o aditivo de ser um fenomeno internacional.
As ordens esotéricas, todas, estão perplexas e inseguras com esta situação. Se já era difícil manter o sigilo dos textos considerados décadas atrás "secretos", hoje é praticamente impossível.
Vejamos por exemplo a maçonaria. Todo maçon jura segredo do que se passa em Templo e das informações que lhe são repassadas nas reuniões.
Já há décadas, tornou-se um hábito, entretanto, a demonstração de erudição através da publicação destes mesmos segredos, de forma ampla, geral e irrestrita, acompanhados de detalhadas explicações.
Agora, com o advento da Internet e dos inúmeros meios de registro eletrônico, tornou-se banal a idéia de sigilo que alguns irmãos ingenuamente ainda crêem existir.
É no mínimo constrangedor ver, todas as noites de reunião, homens adultos jurando manter um segredo que não existe mais. Até hoje, quando levanto o tema, existe um certo desconforto, como se as pessoas fossem despertadas aos solavancos de um sono profundo.
Na Internet encontramos filmes, vários, mostrando ao vivo momentos de rituais maçônicos. Fotos, com paramentos, os mais variados, são em número infinito.
A conhecida vaidade maçônica transcende qualquer cuidado de sigilo. Baixei do facebook, semana passada, 50 fotos postadas de uma reunião em uma loja sul americana.
Até práticas consideradas altamente secretas foram devidamente fotografadas e postadas em uma rede de profanos, sem nenhum pudor.
A Maçonaria, hoje, ou melhor, há anos, vive de ilusões. E uma dessas ilusões é de que ainda seja uma Ordem Secreta. São muitas potências. E o que uma esconde e oculta, a outra revela e publica.
A AMORC, pelo que converso com amigos que ocupam cargos administrativos, Monitores Regionais ou Grandes Conselheiros, passa por problema semelhante.
E pelo que escuto está totalmente despreparada para lidar com estes novos tempos, em que uma foto de celular pode atravessar o planeta em segundos.
Para ilustrar, narrarei um episódio pessoal.
Há alguns anos atrás eu era Monitor Cultural da minha Região, a SP2. Havia um consenso de que as atividades dos corpos afiliados deveriam ser planejadas em conjunto para que o evento de um Organismo Afiliado próximo não prejudicasse outro Organismo. Como no caso de churrascos ou almoços beneficentes feitos por dois pronaoi, em cidades vizinhas, na mesma hora, o que consequentemente esvaziaria o quórum de ambos os eventos.
Com essa preocupação criei, com recursos gratuitos do Google, um calendário on line de eventos e tentei durante meses convencer a todos que publicassem neste mural da Internet seus eventos, ao mesmo tempo que o usassem para consultar os eventos de terceiros, antes de marcar seus próprios eventos. Com isso, ninguém poderia dizer que não sabia do outro evento ou lamentar dois eventos simultâneos por falta de informação.
Levei meses fazendo intervenções e palestras sobre isso e em determinado momento , passei uma circular avisando da existência do Calendário Google da Região. Como o email foi para todo mundo, no meio dos emails devia haver o email da Grande Loja de Língua Portuguesa da AMORC, (AMORC-GLP) porque para minha surpresa recebi um email de uma funcionária ou sóror, não sei, que me orientava que em princípio, havia uma determinação do Grande Mestre de que todos os procedimentos de AMORC no Brasil deveriam estar no domínio do site da Grande Loja, mas que excepcionalmente, eu poderia continuar o que estava fazendo.
Não entendi nada, uma vez que não havia pedido permissão para ninguém para fazer o Calendário da Região, que não era um site rosacruz, mas uma ferramenta administrativa, de domínio público, com a única finalidade de organizar eventos.

A minha sensação , lembro-me, foi de que alguém na Grande Loja tinha a impressão, equivocada claro, de que seria possível controlar os milhares de eventos que ocorrem por segundo na Internet, e discipliná-los de forma que não fossem contra diretrizes imaginadas por alguém em Curitiba.
A Internet é como um furacão, não pode ser engarrafada, e se alguém tentar fazer isso, terá que se preparar com uma quantia inimaginável de dinheiro e uma centena de advogados em vários países.
E isto porque, os próprios governos admitem, não há como controlar, em ambiente democrático, o fluxo das imagens ou das publicações que ocorrem em velocidade alucinante, a cada segundo.
É óbvio que haverá vazamentos. É óbvio que imagens que não deveriam aparecer, aparecerão. Mesmo aquelas que forem de autoria identificável, no entanto, nem sempre poderão ser barradas antes de causarem grande prejuízo a causa do sigilo.
É preciso repensar a idéia de segredo.
É preciso entender que o esotérico se defende sozinho, não precisa ser defendido, ocultado, escondido.
Coisas esotéricas o são por sua profundidade e especificidade, não porque nunca foram publicadas. Basta levar em consideração o seguinte exemplo: esta semana saiu o Nobel de Física, para um pesquisador americano e um francês, que desenvolveram métodos de medir atividade de partículas quânticas  Seu trabalho poderá levar num futuro de alguns anos, talvez duas décadas, à computação quântica, um sonho alimentado por todos. Seus nomes e seus rostos foram publicados em jornais de todo o mundo, estão na Internet e nas televisões. Eu mesmo li sobre ambos hoje pela manhã. E pasmem, já não me lembro seus nomes.
E amanhã, fora uma pequena parcela da humanidade, chamada comunidade científica, ninguém saberá seus nomes. Esses homens não só trabalham com algo esotérico, eles mesmos o são, porque dominam uma área de conhecimento tão específica que poucos, a despeito do esforço de jornais por todo o planeta em explicar didaticamente o que fizeram, entenderão o que aconteceu ou o porque de terem sido premiados.
Provavelmente, a vida de todos no planetas será afetada por suas descobertas. E quase ninguém, no entanto, os reconhecerá nas ruas. Poderão ir a mesma banca de jornal que sempre foram, comprarão seu pão ou tomarão seu café no mesmo local de sempre sem serem perturbados e ninguém, ninguém mesmo lhes pedirá autógrafos ou tentarão ser fotografados ao seu lado.
Eles vivem em outro mundo. Não no mundo comum.
Esta aliás, é uma lição de psicologia básica, que está no livro Ilusões, de Richard Bach, e que as escolas chamadas esotéricas deveriam compreender. Ninguém vive no mesmo mundo. Cada um vive no seu próprio mundo, com seus valores, angústias, convicções, e com muita pouca disposição para tentar compreender aquilo pelo que não seja naturalmente atraída.
Todos nós somos esotéricos uns para os outros.
Quanto as chamadas informações secretas, seja da AMORC ou da Maçonaria, poucos estão interessados em violar. Primeiro porque não tem nenhum interesse ou atração por esses assuntos; depois porque são coisas que demandam tempo, e neste mundo de aflitos, poucos tem tempo para se dedicar demoradamente a qualquer coisa.
Isto é triste, mas verdadeiro.
Só pelo fato de uma pessoa chegar aos portais de uma Ordem Esotérica já demonstra que não é uma pessoa comum. Mas aí começa uma jornada longa e cansativa. Será apenas um curioso? Será determinado? Suportará os anos e anos de leituras sem desanimar?
Existe uma estatística de que de 1000 neófitos que entram nos graus de ATRIUM, da AMORC, os primeiros graus, apenas um chegará ao 12°.
A Internet não vai mudar isso.
É melhor tê-la como aliada, não como inimiga. Ela pode ser a solução, não o problema.
Depende da perspectiva e da sabedoria ao usar esta poderosa ferramenta de nossos novos tempos.
E é sempre bom lembrar. Se Spencer Lewis não fizesse a atualização dos textos e esquemas que recebeu da Europa, a AMORC como a conhecemos hoje, não existiria. 

Precisamos continuar atualizando os meios de transmissão do conhecimento. O conhecimento tradicional não está ameaçado. A não ser pelo provincianismo administrativo de alguns ao lidar com novas tecnologias.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A NECESSIDADE DO BEM


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD) 



O Bem não é uma virtude. O Bem é uma necessidade como elemento de compensação da dualidade natural da existência. Pois a natureza do plano em que vivemos é dual; é sua característica, uma de suas qualidades. É como o raio de luz. Ele atravessa o ar e mergulha na água. E o que ocorre? Refrata, desvia seu curso. E porque isto ocorre? Meios diferentes, diferentes densidades. Cada ambiente tem suas peculiaridades.
O nosso meio, a vida na matéria, como conhecemos, também as tem.
E a principal delas é ser um ambiente polar, dual, onde sempre, todas as coisas se manifestarão com dois aspectos, duas faces. Luz e Sombra, Certo e Errado, Vida e Morte, Guerra e Paz, Bem e Mal. Pratos de uma mesma balança, que precisam ser mantidos em equilíbrio, como a balança de Anúbis, que pesa contra a pena de Maat, a Verdade, o coração daqueles que chegam ao mundo dos mortos. 



O Bem é, portanto, necessário para equilibrar o Mal do Mundo. E nós, seres do Bem, representantes de Deus na Terra, tudo devemos fazer para manter a força deste Bem, não porque sejamos virtuosos ou puros de Coração, mas sim porque é necessário que o façamos.
Com certeza os Agentes do Mal não faltarão aos seus trabalhos, aos seus compromissos, não porque sejam pessoas ruins, mas porque esta é a natureza das coisas e eles são partes desta natureza.
Cumprem um papel neste drama de dois atos, nesta dança permanente, nesta oscilação. Eles tem uma função; nós temos a outra.
Aceitemos a natureza dual da existência e convivamos em paz com ela. Passaremos por diferentes estágios, momentos de prosperidade, momentos de retração, felicidades e tristezas, e é assim que as coisas sempre serão, num mundo entre duas colunas, entre dois pólos, entre dois pontos que se contrapõem e criam a faísca da manifestação do Terceiro Ponto, o ponto da Manifestação.

domingo, 7 de outubro de 2012

A TEIA DE INDRA


Por Mario Sales, FRC.:, S.:I.:(membro do CFD), C.:R.:+C.:


Estamos iniciando uma nova empreitada. Na intenção de auxiliar o Grande Mestre em seus esforços de aperfeiçoamento da GLP, e considerando que é obrigação e dever dos Artesãos oferecer sugestões ao seu GM no intuito de municiá-lo com a maios quantidade possível de alternativas administrativas ou culturais e educacionais, abrimos um novo espaço virtual exclusivo para artesãos da AMORC, com o nome de TEIA de INDRA, que poderá ser acessado no endereço http://teiadeindra.wordpress.com/
A idéia se baseia na lenda já descrita no post anterior. "Teia de Indra": quando Indra moldou o mundo, o fez na forma de uma teia; e de cada cruzamento da teia fez pender uma pérola. Cada coisa,cada ser, cada idéia é uma pérola na teia de Indra. Cada pérola une-se a outra nesta teia e em cada uma vê-se o reflexo de todas elas...
Nossa intenção é que os artesãos possam interagir, independente do local onde vivam, e finalmente estabeleçam neste site uma rede de trocas de idéias, de opiniões, acerca de problemas administrativos, culturais e educacionais próprios da nossa vivência dentro da AMORC. É também nossa intenção, através da categorização de comentários e posts, por meio de uma votação por estrelas de 1 a cinco, classificar quais seriam as 5 ou 10 opiniões ou queixas ou sugestões educacionais mais importantes e transformá-las num relatório ao GM, que ele poderá receber em qualquer parte do mundo, e que poderá acessar na hora e momento que lhe aprouver.
Tudo será construído de forma dinâmica e interagindo com os próprios usuários que nos mostrarão aos poucos, através da Teia, os rumos e os meios que a própria Teia terá. Desde já, conto com a aprovação e o auxílio de Frater Marcelo Sobral do Recife, Mestre atual da Classe de Artesãos da Loja Recife.
Que o Cósmico nos auxilie e guie nesta nova empreitada, e que faça dessa iniciativa uma ferramenta de auxílio ao nosso querido Grande Mestre.