Multi pertransibunt et augebitur scientia (Muitos passarão, e o conhecimento aumentará).

domingo, 30 de setembro de 2012

TEXTO, IDÉIAS E TRANSVERSALIDADES

por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)



Teixeira Coelho, curador do Masp


Em erudito ensaio para o jornal "O Estado de São Paulo" Teixeira Coelho, curador do MASP, comenta o livro "O Chapéu de Vermeer", de Timoty Brook, tradução de Maria Beatriz de Medina, Ed. Record.


Timothy Brook, professor de História da China na Universidade de Oxford


O texto de Coelho é delicioso pela presença das intervenções reflexivas transversais, aquelas que, a partir do tema original, surgem como um jato súbito que brota de um lago tranquilo, causando-nos admiração e encanto.Estas transversalidades do discurso, consequência das inúmeras associações de idéias que fazemos enquanto pensamos, nos faz escrever sobre misticismo enquanto discutimos estética e história da arte, ou interdisciplinaridade e epistemologia, quando o tema é literatura.



Como exemplo destas pérolas (palavra muito usada no ensaio) estão os seguintes trechos: "De arte, o livro fala pouco. E muito. Mas, está bem que seu autor seja um sinólogo, não um especialista em arte: quando o autor vem de outro campo, o que era invisível (porque o especialista vê sempre a mesma coisa) emerge." (O grifo é meu).
Ou em outro trecho: " Um historiador da arte "normal", viciado nos códigos e rumos esotéricos de sua disciplina, não faria o que Brook fez ao oferecer, nas palavras de Descartes sobre a Amsterdã de 1631, um "inventário do possível" em arte, economia, geografia e ilusão humana. 



E o autor revela seu método, sumariado na imagem budista da "Teia de Indra": quando Indra moldou o mundo, o fez na forma de uma teia; e de cada cruzamento da teia fez pender uma pérola. Cada coisa,cada ser, cada idéia é uma pérola na teia de Indra. Cada pérola une-se a outra nesta teia e em cada uma vê-se o reflexo de todas elas...




O deus Ariano Indra

E mais a frente, diz Teixeira: "E assim Brook pinta a globalização, que as almas pequenas insistem em ver como grande trama maliciosa enquanto Brook mostra quanto de acaso & escolha existiu e existe nisso.(A idéia do acaso é simplesmente inaceitável para as almas místicas e as materialistas.) (Novamente o grifo é meu.)Belíssimo.
O artigo em questão pode ser lido na íntegra no endereço:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,de-perolas-e-reflexos,937974,0.htm


Abaixo, alguns exemplos do trabalho do artista holandês Vermeer.
A Leiteira, de Vermeer.

Mulher com jarra de água, 1660-1662
Mulher segurando uma Balança, 1665. Na época, as moedas de prata não tinham o mesmo peso e precisavam então ser pesadas para estabelecer seu valor.

Moça com brinco de pérola, 1665. Talvez o seu mais conhecido trabalho na contemporaneidade, dado o filme de Scarlet Johanson e Colin Firth , de 2003, que o popularizou.



sábado, 29 de setembro de 2012

COMUNICAÇÃO


por Mario Sales, F.:R.:C.:;C.:R.:+C.:;S.:I.:(membro do CFD)

"Há muitos séculos, no Egito Antigo...um grande pensador egípcio observou essa relação entre pensamento e fala ou, simplesmente, o poder da palavra falada. Este antigo filósofo e estudioso de ética foi Ptah-hotep, Grão Vizir ou Primeiro Ministro , durante o reinado do faraó Isesi da Quinta Dinastia, em 2700 A.C. No tocante àquela relação, disse Ptah-hotep: "(pois todas as coisas) passaram a existir através daquilo que o coração(mente) pensou e a língua ( a fala) comandou."... Porque nos comunicamos com nosso semelhante? Para transmitir conteúdos de inteligência. Mais simplesmente, trata-se de estendermos nossa cognição , nosso conhecimento de alguma coisa a alguém, de maneira que essa pessoa tenha a mesma consciência do que nós percebemos e pensamos."

De uma monografia rosacruz de graus mais avançados.


O que se faz em um blog? Escreve-se. Redige-se por horas a fio, linhas e mais linhas com pensamentos e opiniões sobre os temas específicos do espaço.
É isto que tenho feito aqui: desenhado símbolos que, se não falam de per si, representam o que está sendo dito em minha mente e transferido através das letras, àqueles que lêem estes textos.
Não se trata de um monólogo, portanto, se bem, que continua sendo um esforço solitário. Uma vez que o texto esteja pronto, ele é lançado ao ambiente cibernético e se espalha rápido como a fumaça na ventania.
Idéias são compartilhadas, através da língua, das palavras do nosso idioma, objetivando e materializando em texto "aquilo que o coração pensou".



O mais agradável, no entanto, não é produzir os textos, se bem que este também seja um prazer. O verdadeiro prazer é dividi-los, receber as reações, os comentários, os efeitos perceptíveis daquilo que se escreveu.
Isto é compartilhar consciência, aquilo que Ptah-hotep intuía 4712 anos atrás.
No capítulo Mogi das Cruzes da AMORC, sexta feira, dia 21 próximo passado, comentei sobre este compartilhamento, de vários modos. Falei, no debate da palestra "Tudo está Interligado", que esta conexão é permanente, estejamos ou não conscientes de sua existência.
Quando dividimos concepções através de um texto, entretanto, estamos tornando consciente aquilo que ainda está adormecido em nós. Estamos reencontrando imagens e idéias que partilhamos sem saber, perspectivas de mundo que fazem de nós, membros da Rosacruz, uma egrégora mental, uma força comum de pensamento e de valores, uma entidade supra pessoal.



Cada mente de cada rosacruz em milhares de pronaoi, capítulos e Lojas espalhados pelo planeta anseia por unir-se a este estado de comunhão psíquica de forma lúcida e participativa, e isto só acontece quando se é exposto às palavras que dão forma e contorno àquilo que vai em seus corações.
Os textos das monografias, os livros que produzimos, os ensinamentos que estudamos, de Pitágoras à Descartes, de Newton à Cagliostro, até nossos dias, enfim, nossa Doutrina de tantos séculos, unem-nos numa mente comum, que partilha as mesmas formas de compreensão, as mesmas idéias força. Quanto mais homogêneo for a natureza deste conhecimento comum que faz de nós uma Escola de Mentes Afins, mais sólida será a estrutura que se fortalece em dimensões cósmicas e terrestres, a partir do Sanctum Celestial, esta gloriosa obra de arquitetura mística, foco e centro de encontro das mentes de todos os rosacruzes na face da Terra.
E as palavras que estimulam nossos olhos nos intermináveis textos que desfilam ante nós, a chamada cultura rosacruz, contribui decisivamente para esta homogeneidade.

Sinto-me honrado em dar, neste pequeno espaço entre trilhões de páginas da mãe de todas as redes, a minha pequena contribuição para fazer circular conceitos e reflexões que façam nossa confraria buscar um discurso coerente com os ensinamentos que estão nas monografias que chegam regularmente às suas casas.
Agradeço a todos por seus comentários, emails e ponderações, uma demonstração inequívoca do efeito destas emoções "comandadas pela língua".

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

"SIM, SOU ROSACRUZ, MAS NÃO PRATICANTE"


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)


Quando eu era mais jovem,lá pelos idos dos anos 60 do século passado, havia uma frase que eu ouvia constantemente no ambiente católico.
A frase era "sou católico, mas não praticante."
Na minha ingenuidade filosófica da infância a frase fazia todo o sentido. Eu a entendia como alguém que acreditava em Deus, mas que raramente ia aos cultos da Igreja, que não tinha o hábito de tomar a comunhão aos domingos, e que até usava uma expressão depreciativa quanto àqueles que eram, digamos, mais assíduos e dedicados aos aspectos formais de sua crença, cognominando-os de "papa-hóstia".
Eram católicos que achavam suficiente dizerem-se católicos, e com isso teriam cumprido com suas obrigações de escolher uma cor e uma bandeira em uma época em que as pessoas precisavam deixar claras as suas opções tanto políticas como religiosas.
Era uma época intelectualmente mais primária, onde as pessoas achavam que eram o que eram, onde não havia nuances de cores entre o vermelho e o púrpura, tudo era preto ou branco.
Ser católico era, por assim dizer, como torcer pelo clube de futebol, aonde nunca se pisou, do qual não se é sócio, aos jogos do qual não se vai, mas pelo qual se discute e se briga de acordo com o resultado.
Esta situação ainda perdura nos dias de hoje.
Existem pessoas que se dizem algo apenas para parecer ser este algo que se dizem ser. Na verdade não dedicaram sua vida, seu espírito, seu tempo, o bem mais precioso de nossas vidas, o mais fugidio, a se envolver com os aspectos íntimos desta opção filosófica ou religiosa, ou por falta de paixão, ou por falta de convicção, mas com certeza por falta de coragem não admitem que sua ligação com este grupo a que dizem pertencer é falsa, ou extremamente instável, podendo se desfazer a qualquer momento, bastando para isso um simples empurrão.
Minha querida amiga Diva Ogeda tinha uma frase de impacto com a qual classificava a filiação rosacruz e principalmente a vida do místico. Dizia ela, com aquela veemência que lhe era característica, que "misticismo era pra se tomar na veia".
Penso da mesma forma.
Toda minha vida tenho me dedicado a compreender sinceramente a prática rosacruciana, a estudar as milhares de facetas do conhecimento místico rosacruz, e embora algumas pessoas me achem um erudito, sei por auto crítica sincera, que muita coisa ainda não domino, e muito falta para que eu possa dizer-me um conhecedor profundo do Universo de informações que AMORC me transmitiu ao longo destes 37 anos de filiação. 




É a exata consciência de minhas deficiências culturais místicas, que não são apenas intelectuais, mas práticas, que me faz mais e mais querer aprender e estudar os textos aos quais fui exposto todo este tempo.
Em nenhum momento, no entanto quis outra vida que não fosse essa. Tenho uma enorme paixão pelo rosacrucianismo e se cometer algum erro em relação à esta tradição que tanto prezo será por excesso e não por falta.
O trabalho rosacruz é solitário, é de compreensão pessoal, individual. É necessário ler muito, sim, mas é preciso também meditar sobre o que se leu, deixar que os conhecimentos decantem em nosso espírito, que nossa memória seja reavivada acerca de coisas que já sabemos, mas que fomos forçados pela educação religiosa e laica, à esquecer ou a negar.
Praticar rosacrucianismo é relembrar.
É acordar pouco a pouco de uma ilusão, forte, densa, como um sonho intenso que nos acompanha por alguns minutos depois que já abrimos os olhos.
Por tudo isso, e pelo privilégio de ter conhecido rosacruzes tão apaixonados e muito mais capazes do que eu, como Diva Ogeda e Reginaldo Leite, ou mesmo a minha iniciadora, hoje aos 80 anos, Abadia Caparelli, uma sóror provavelmente anônima para muitos, como outras tantas, mas respeitada até por Maria Moura, é que me entristece tanto ver, entre meus frateres e sorores, a perplexidade diante de exposições as mais banais, como se estivessem tendo contato com estas noções rosacrucianas fundamentais pela primeira vez, (que é não uma impressão mas realmente o que ocorre), noções e conceitos que já deveriam estar cansados de estudar.
Parte do meu trabalho pela minha Ordem é dar palestras que acabam em debates e conversas muito mais enriquecedoras que as palestras em si.
E qual não é a minha estranheza em ver perguntas ou colocações que contrastam com a idéia rosacruz de mundo.
Como modelo, apenas para retirar o caráter abstrato deste raciocínio, vejamos a questão da morte e do morrer.
Os rosacruzes não são obrigados a crer em qualquer coisa que a Ordem lhes diga, pelo contrário, o esforço da Rosacruz é no intuito de criar livres pensadores, pessoas capazes de interpretar a si mesmo e a criação a partir de valores e crenças absolutamente pessoais e construídas durante anos de reflexão e meditação.
Se a Ordem tem uma hierarquia administrativa, por necessidades absolutamente organizacionais, no plano místico ela é profundamente anárquica, de forma que todas as mentes colaboram, em igual nível de esforço, embora não no mesmo nível de profundidade, para a consecução de um acervo cultural comum.
A Rosacruz é o que são os rosacruzes.
E é consenso entre a maioria de nós, que a vida é eterna, que somos seres espirituais, emanados de Deus, portanto feitos da sua própria natureza divina e portanto, eternos; que nossa experiência na carne é temporária, que nossos corpos sofrerão uma decomposição natural com o tempo, e que ao terminar o tempo deste corpo, fluiremos para outra experiência em outro corpo, em outra identidade aparente.
Mesmo assim, vejo tristeza nas funções fúnebres rosacrucianas, que deveriam ser a comemoração pela Grande Iniciação. É como se fossemos católicos enterrando seus mortos, chorando por aqueles que realmente acreditamos que morreram, mesmo que nesta religião a mais impressionante mensagem de seu fundador, o Cristo, Jesus, tenha sido a da ressurreição e da Vida Eterna.
Rosacruzes não são seu corpo, sabem disso. Mesmo assim não se desfazem dele sem apego.
Vejo nos rostos de meus irmãos o mesmo materialismo e a mesma subserviência a valores não iniciáticos que em pessoas que não iniciadas.
Mesmo considerando que uma iniciação é apenas isto, o início de uma caminhada, e que existe necessidade de tempo para que a mente e suas convicções sejam transformadas, é estranho ver entre rosacruzes um comportamento tão pouco místico.
Um outro exemplo é o caso da saúde.
Todo místico sabe que o início de um estado de saúde é a serenidade interior. A vida biológica, para o místico rosacruz, é escrava da vida mental, dos pensamentos, das convicções e receios que uma pessoa possa ter em relação ao seu corpo. Todo um grau da Ordem, o sexto, é dedicado ao estudo da saúde e da aplicação de técnicas para melhorá-la e mantê-la bem. Espera-se que um iniciado, ciente disso, não tenha ansiedades a respeito de sua saúde, já que, em função de sua formação inciática saberá vencer seus receios físicos com seus conhecimentos esotéricos e com suas convicções espirituais, e sua confiança no poder será tamanha e tão intensa que nada poderá tirar-lha a felicidade de desfrutar a vida no corpo pelo tempo que o Altíssimo determinar. Mesmo assim, testemunho casos de irmãos, e não são poucos, dilacerados por problemas de saúde, às vêzes banais, outras vêzes nem tanto, e com uma qualidade de vida mental abaixo daquela que se esperaria para um rosacruz, digamos assim, praticante. Houve certa feita até um artigo em "O Rosacruz", já não me lembro em qual, em que um irmão perguntava, no título, "porque existem tantos rosacruzes doentes?".
Sempre comentamos na Ordem que nossa maior propaganda deve ser a nossa felicidade em pertencermos à Ordem e em desfrutarmos dos conhecimentos por ela proporcionados. Se no entanto, encontramos tantos irmãos tristes e doentes, e com medo da transição, há de se perguntar o que está ocorrendo.
A primeira conclusão, a mais óbvia, é que , embora sejam membros de AMORC, esses irmãos estão na mesma situação daqueles católicos que citei no início deste ensaio.
Se respondessem com sinceridade a pergunta : "Voce é um estudante rosacruz?", sua resposta deveria ser, "Sim, sou rosacruz, mas não sou praticante."
Isso significa que, embora frequentando corpos afiliados, o que em si não fala a favor de seu envolvimento com o conhecimento da Ordem, embora pagando em dia suas mensalidades, não podendo ser assim caracterizados como inativos, estes estudantes não tem empregado com frequência seus ensinamentos, ou mesmo talvez não tenham feito de maneira constante seus estudos. A regularidade do sanctum no lar está entre elas, mas não é a única. As monografias recebidas precisam ser lidas, e quanto a isto, temos tido, como Organização, não como Instituição, uma atitude tolerante em demasia.
Provavelmente, ao deixar as pessoas sem nenhum tipo de cobrança quanto ao desempenho de seus estudos, sem nenhuma contrapartida ao recebimento dessas monografias, como um teste de verificação de conhecimento que travasse o envio de monografias até que fosse enviado, ou a necessidade de trabalhos que demonstrassem a proficiência nos assuntos discutidos naquela monografia ou naquele grau como condição para ascender a graus mais altos, estamos cultivando uma legião de "rosacruzes não praticantes", frateres como um que testemunhei ao abrir um pacote de monografias dizer, com ar irônico:"-Deixa eu ver em que grau estou agora."
É preocupante.
Mudar este modus operandi implica em reformular todo o nosso departamento de instrução. Já li textos de irmãos que defendem a tese de que a Ordem não é um curso por correspondência. Não concordo. Tanto é que a base de nossos trabalhos é o recebimento pelo correio, e modernamente, em algumas jurisdições, pela internet, de textos sobre temas especialmente elaborados para serem objeto de estudo e reflexão. Isto caracteriza um "Curso de Ensino a Distância", como qualquer outro, mesmo que nossos temas e assuntos sejam de uma profundidade muitas vêzes maior. O estranho é que, considerando a dificuldade e a profundidade dos temas que discutimos em nossas monografias, não exista nenhum acompanhamento do grau de progresso ao menos intelectual nesses estudos, já que o progresso espiritual em si seria impraticável acompanhar.
Não quero ver mais a surpresa nos auditórios que frequento como palestrante e facilitador de debates no ambiente da Ordem. Meus Irmãos (Frateres) e minhas Irmãs (Sórores), precisam receber uma atenção maior, do ponto de vista administrativo, quanto ao progresso em seus estudos, para termos mais claro se aquilo que estamos enviando para suas casas tem sido realmente lido e estudado. Claro que vamos precisar de um departamento de instrução maior e talvez , mais computadores conectados de forma que, através do Skype, um programa gratuito, possa se tirar dúvidas com educadores rosacruzes em tempo real, na Grande Loja ou na Suprema Grande Loja, já que a Internet tornou a distância absolutamente desprezível.
Talvez com isso possamos evitar a disseminação de "rosacruzes, não praticantes" no seio de nossa, como costumamos dizer, Amada Ordem, pelo menos por causa deste mesmo amor à esta Instituição que sempre dizemos ter, lembrando que Amar não é apenas dizer-se que se ama, mas sim agir pelo bem do Ser Amado, seja ele uma pessoa ou uma Instituição.
Já tarda uma intervenção e uma mudança operacional no nosso modelo educacional.

domingo, 16 de setembro de 2012

JORNAIS DE DOMINGO, POPPER, MATÉRIA ESCURA E A BUSCA DO INVISÍVEL


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)



O dia está propício para a leitura dos jornais. Aproveito o silencio e a solidão (todos dormem) para tomar um café tranquilo regado a pão torrado e a notícias.
As manchetes econômicas e políticas, locais e mundiais, são o átrio daquilo que eu chamo de "páginas profundas", as que trazem os verdadeiros textos de reflexão, sem o compromisso com o imediatismo e a cotidianidade que um jornal precisa ter.



Mario Vargas Llosa


E nestas páginas, encontro alguns tesouros como o ensaio de Mario Vargas Llosa, sobre o "Jovem Popper". Fala sobre um livro de Malachi Haim Hacohen, Karl Popper: The Formative Years 1902-1945 (Karl Popper: os anos de formação). 





Sir Karl Popper foi um filósofo austríaco, exilado na Nova Zelândia da perseguição nazista, mas pelo qual tive simpatia na faculdade de Filosofia por causa de sua área de especialização: a teoria da ciência, a busca pelo estabelecimento de critérios de verdade, ou, como é mais conhecida, a Epistemologia, de espistéme, que em grego quer dizer conhecimento de certeza, ao contrário da doxa, que é a mera opinião, sem fundamentação. 


Sir Karl Popper


Embora o artigo foque no aspecto de pensador social que Popper desenvolveu em sua obra mais famosa "A Sociedade Aberta e seus Inimigos", um libelo contra a tirania e o totalitarismo, enquanto eu lia lembrava da imagem de Popper que mais me marcou, e que não estava neste texto mas em outro, anterior, chamado "A Lógica da Pesquisa Científica", aonde ele desenvolve, salvo engano, as teses de "falsificabilidade" na busca da verdade pela ciência. 



Malachi Haim Hacohen

Tudo que é científico, segundo ele, pode ser submetido a testes de falsidade, verificações que averiguam o grau de verdade das coisas. O que é passível de ser testado, submetido a verificações constantes, é científico; o que não pode ser testado é dogma. E dizia ele, uma teoria deve ser capaz de se defender sozinha dos ataques realizados nestes testes. 




Não há necessidade de que este ou aquele cientista venha em seu socorro. Se 2 e 2 são 4, são porque são, por que todas as vezes que somamos duas unidades ( sejam bananas, maçãs, garrafas ou pessoas) com mais duas unidades de qualquer coisa, chegamos ao mesmo resultado de 4 unidades destas mesmas coisas.
Não é a toa que a matemática de Descartes a Kant, é sempre tomada como referencial daquilo que é confiável, enquanto conhecimento de certeza, científico.
Só que a imagem que mais me marcou em Popper foi a imagem do farol.
Ele dizia que o intelecto e a busca científica eram como um farol, que ora lançava luz sobre uma área, ora sobre outra. Ele não disse, mas de sua imagem eu inferi, que ao lançar luz sobre determinada área, todas as outras ficam na escuridão, ou seja, o intelecto, ao contrário do pensamento intuitivo captativo, tem um curso direcionado e linear, não consegue uma visão de 360°, pois não tem condições para tanto. Não é a toa que falamos de "linha de raciocínio", "curso do pensamento", etc. Com o intelecto, só o que podemos é subir uma escada reta, degrau após degrau.
Este é o processo da razão, na ciência e na filosofia.
Mudemos de página, e na 23 encontramos um belo artigo do repórter Herton Escobar, sobre o mais ambicioso projeto da astronomia brasileira, em trabalho conjunto com cientistas espanhóis. 



Jornalista Herton Escobar


Fala da construção de um mega observatório (veja o esquema abaixo) em uma montanha próxima a Teruel, no leste da Espanha, no chamado Pico do Abutre, a dois mil metros de altura. 





E pasmem, este complexo será direcionado apenas para a pesquisa do mais interessante fenômeno astronômico dos últimos 80 anos: a matéria escura, uma área gigantesca do Universo, cinco vezes maior que a área de matéria visível, a qual não irradia nem absorve luz, e que é não vista, mas inferida a partir de seus efeitos gravitacionais.
O complexo será chamado de Observatório de Javalambre, em homenagem a cadeia de montanhas que o abriga, ao custo total de €30 milhões, o qual está em fase adiantada de construção, com túneis subterrâneos, sala de controle, dormitórios, etc. Faltam, segundo a matéria, duas peças fundamentais: o telescópio T250, que está sendo montado na Bélgica, e a "câmera J-PCAM, que foi projetada e está sendo construída parcialmente no Brasil", no valor de €5 milhões. 


É o astrônomo Renato Dupke, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, que relata que esta câmera será a segunda maior do mundo, com uma resolução de 1,2 bilhão de pixels, pesando mais de uma tonelada.
A previsão é de que fique pronta só em 2014, mas o observatório começa a operar já em 2013. 





Renato Dupke 

Também envolvidos no projeto estão o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo, através do pesquisador Laerte Sodré e sua equipe. Renato Dupke, do Rio, divide a coordenação do projeto com o colega espanhol Narciso Benítez, do Instituto de Astrofísica de Andaluzia. 



Narciso Benítez

O adjetivo escuro tem a ver com a total invisibilidade desta massa. Para enfrentar o problema, novos recursos óticos foram postos em ação. O mais interessante, a meu ver, foi o de acoplar à supercamera J-PCAM 56 filtros para estudar todas as cores da luz possíveis. Ora, supõe-se que ao usar-se de forma sequencial, um a um destes filtros, possa-se encontrar algum comprimento de onda perceptível ao olho humano ou aos recursos computacionais que integram o software da J-PCAM.




É o uso de tecnologia visível na busca da percepção do invisível.
Ao final da matéria, o jornalista Herton Escobar deixa uma frase de Laerte Sodré , da USP.



Prof  Laerte Sodré


 "Quem não procura, não acha" diz ele cobrando mais ousadia da ciência brasileira, que segundo ele, "costuma trabalhar com questões mais periféricas". "Se não arriscarmos" continua ele, "e não ousarmos a responder perguntas fundamentais, não vamos chegar a lugar nenhum, temos de meter as caras mesmo", conclui.
Fiquei com isto na cabeça. Ousadia e ciência. Busca. Coragem na busca. 





Pesquisas científicas não são apenas a reunião de fatos. Elas partem também da coragem de perguntar, de questionar verdades e possibilidades, de tentar "falsificar" o que se acredita, separando o que é dogma do que é conhecimento científico, como dizia Popper. Não há pecado em tentar, desde que haja coragem de fazer as perguntas certas, de manter a curiosidade ativa e tenha-se a ousadia de fazer as "perguntas fundamentais".
Se estivermos certos, nossos esforços serão coroados de êxito. Se não estivermos certos, pelo menos estaremos mais longe do erro, como lembrava Platão, pois saberemos o que não fazer.
Não tentar, não ousar é que é o verdadeiro pecado. Mas nunca tinha ouvido um membro da comunidade científica astronômica brasileira dizer isto com todas as letras.
Isto me lembrou um episodio recente que aconteceu comigo.
Trata-se de uma discussão que tive, no ambiente interno da Rosacruz, com um físico, membro da nossa Ordem, que vive em minha região. Ele é respeitado entre nós como representante do meio científico ortodoxo e como dentro da Rosacruz temos por tradição amor ao conhecimento e à atividade científica, todos o tratamos com a maior deferência. Alguns anos atrás eu o procurei, levado pela mão de outro frater, Waldemiro Guzzi, e combinamos de trocar emails sobre a minha obsessão dos últimos anos: a possibilidade de visualização da Aura Humana por pessoas não videntes, tal como se consegue ver o interior do corpo através de um simples aparelho de raio x.
Argumentei com ele, na época, que existiam duas possibilidades em relação a esta questão: a primeira, que a aura humana fosse apenas uma emanação psíquica, fora de nosso plano de manifestação, e por isso não houvesse possibilidade alguma de visualizá-la por meios materiais. A segunda, que a aura fosse uma emanação de baixa intensidade, mas ainda assim luminosa, e que pudesse ser captada desde que usássemos recursos óticos adequados: câmeras de alta sensibilidade, dotadas de filtros para verificação de vários espectros de luz, à semelhança do observatório, ora em construção no leste da Espanha.
Eu falava com um físico, mas não com qualquer físico, um físico rosacruz, de quem esperava pelo menos algum tipo de simpatia com a minha curiosidade.
Qual não foi minha surpresa quando, ao longo de 6 ou 7 emails ele defendesse veementemente de que nada podia ser feito quanto a esse aspecto, já que a emanação da aura dizia respeito apenas ao campo psíquico e não ao físico e assim não se podia pensar em desenvolver qualquer tecnologia para auxiliar neste particular, ou por outra, não se podia usar algo visível para visualizar o invisível.
Guardadas as devidas proporções, é exatamente o que está se fazendo na Espanha, usando o visível (cameras com gigantescos recursos óticos) para buscar o invisível (a matéria escura). E a argumentação de que eu era um místico conversando com um homem de ciência também não se aplica aqui, considerando o fato de que ambos, eu e ele, independente de ser um físico, é um rosacruz e além disso martinista como eu, ou seja, teoricamente professamos crenças em coisas semelhantes.
Ele apenas enterrou minha proposta dizendo da sua inviabilidade e quando indaguei da possibilidade de conversar com alguém da área de ótica, reagiu com veemência, dizendo que o problema não era esse, que o problema não era ótico, mas metafísico.
Faltou ousadia, como diz Laerte Sodré, da USP. Embora Rosacruz e físico, ele não se encantou com o desafio, nem quis envolver-se. Preferiu desmerecer a iniciativa. Faz parte, e o debate científico é assim mesmo, duro, áspero, mas fundamentado em convicções, nem sempre baseadas em fatos, mas em idéias de mundo, preconceitos.
O que me surpreendeu foi encontrar este tipo de timidez investigativa em um cientista que também é rosacruz, e que por isso eu achei que era um cientista rosacruz. Não era. Não há necessariamente relação entre uma coisa e outra, descobri.
Ser um rosacruz, ser um cientista e ser ousado em suas pesquisas não são coisas necessariamente relacionadas.
Quando vejo astrofísicos procurando o invisível, mesmo que seja um invisível perceptível pelos seus efeitos gravitacionais, morro de inveja das pessoas que tem acesso a estes recursos. E fico triste que em minha Ordem, no passado reduto de mentes pensantes, atualmente, mesmo mentes de irmãos ligados a ciencia, estejam tão burocráticas e pouco ousadas.
É pena. Popper estava certo. O que não pode ser questionado, é dogma. Para mim, ser rosacruz não é crer em dogmas, é avançar com coragem, ousadia, e procurar outras possibilidades de estabelecer pontes entre o pensamento ortodoxo e o místico, usando o visível para buscar o invisível.
Para mim é a única alternativa de devolver a AMORC a glória da qual ela já desfrutou e interferir na sociedade como é tradição dos rosacruzes, através do conhecimento.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

ANIVERSÁRIO DIGITAL


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)




Hoje, 11 de setembro, eu , minha esposa e meu sobrinho comemoramos aniversário. Eu completei hoje 56 anos, e aos 56 anos não se espera festas com bexigas e brigadeiros para comemoração. Abraços, muitos; alguns telefonemas de antigos e fiéis companheiros de encarnação, mas, e isto foi o mais interessante, pouco mais de uma centena de manifestações calorosas ou contidas de acordo com o perfil de cada um no Facebook, este amigo inseparável dos aniversariantes e da memória dos amigos, a lembrá-los que hoje é o aniversário do Mario. Houve também emails, que atualmente não tem a mesma instantaneidade que as redes sociais desfrutam, mas que são bem vindos, como demonstração de que a Nokia foi extremamente feliz ao definir seu trabalho tecnológico, e por extensão todo o universo da tecnologia de comunicação moderna, como a arte de "conectar pessoas". 

O mais surpreendente, no entanto, ficou para a noite. 




Cheguei sonolento em casa, um sono anormalmente intenso, e precisei deitar. Neste ínterim, não pude, infelizmente atender a ligação de Wilson Aguiar, meu amigo, irmão e Grande Conselheiro da região SP2 da AMORC. Quando levantei, já eram mais de 9 hs da noite e minha filha, que não tinha conseguido falar comigo durante o dia, me ligou pelo Skipe.
Ao mesmo tempo, o meu primo também ligou pelo mesmo Skipe e como há muito não se viam, entramos ele em Guaratinguetá, minha esposa e minha outra filha, aqui em casa, e minha filha em Tatuí, em videoconferencia para conversarmos e comemorarmos juntos o aniversário. No meio da conversa minha filha saiu do quarto e voltou com dois pequenos pedaços de bolo, com uma vela em cima de cada um. Apagamos a luz e, ainda em videoconferencia, cantamos um parabéns interurbano, com direito a soprar as velinhas e tudo o mais.
Este é um mundo diferente, em que as distâncias foram decididamente vencidas e a interação entre os seres influencia a vida e a visão de mundo de muitos em toda a parte,seja em Nova Iorque ou no Egito, que agora sabem que seu mundo faz parte de um mundo maior e mais amplo, com valores às vezes melhores, às vezes piores dos que os seus, mas de qualquer forma diferentes, interessantes, e instigantes. Minha família, embora separada pela distância física, estava unida pelo coração e pela tecnologia. Meus amigos, sem esforço, conseguiram me passar seu carinho, de modo caloroso, pelo que agradeço. E ainda existem aqueles que dizem que "antigamente era melhor". 

Como tudo na vida, a beleza da paisagem depende sempre dos olhos de quem a contempla. Daqui de casa, no meu computador, vejo hoje, no meu 56° aniversário e no (censurado)° aniversário da minha esposa, um mundo de promessas de integração de conexão entre pessoas. E isto me deixa muito, muito satisfeito.
Obrigado a todos.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

EVOLUÇÃO ESPIRITUAL, SERVIÇO E DESAPEGO


Meu discurso aos Artesãos da região SP2, em Suzano, São Paulo

Por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:; S.:I.:(membro do CFD)



"A voz do mestre cessou. E todos do quarto, os ouvintes visíveis e os invisíveis, os visitantes da Terra e do Céu, permaneceram unidos num grande acordo de silêncio. Os discípulos viram, através da diminuta luz ao redor da cama, que o mestre jazia como um morto, mas eles sabiam que sua alma havia deixado o corpo e estava explorando as regiões superiores. E esperaram numa tensão sem ar, vacilando entre a esperança e o medo. Enquanto eles assim viveram por um longo momento de eternidade, a luz ao redor da cama começou a renovar-se com um fresco esplendor. Um sol de júbilo iluminou as feições de Shumon bem Yochai quando ele abriu os olhos para eles - um sorriso profundo, como se de muito longe. E sua voz vibrava com uma segurança profunda enquanto ele os ensinava, dizendo: "Sei que meu rosto está refletindo júbilo, mas o júbilo que vocês vêem nele não é senão um reflexo infinitesimal da felicidade que veio a mim. Minha alma acabou de voltar a mim do outro mundo, onde contemplei a glória dos que se entregaram ao Nome Santo. E eu os vi banhados em treze rios de perfume, e então conduzidos à frente do Trono Santo, onde o Santíssimo mostrou seu deleite com êles. E quando eu perguntei: "-Para quem é toda essa glória?",  foi-me dito:      "-Estes são os homens que serviram a Deus sobre a Terra por amor e não por medo!".
"Revelações sobre o Inferno e o Paraíso", Zohar,passagens selecionadas pelo rabino  Ariel Bension, capítulo 26, págs 221,222, Ed.Polar, São Paulo, 2006

Pressupõe-se que um artesão seja um homem ou mulher de refinamento espiritual indiscutível. Pensamos, quando neófitos, que são os mais antigos rosacruzes e que por isso atingiram um nível místico elevado, onde as questões que realmente importam não são as mesmas de quem não é iniciado ou o foi há pouco tempo.
Na vida real as coisas não são bem assim.
O caminho no estudante místico segue sempre um rumo peculiar, que diz mais respeito a seu karma e às suas peculiaridades psicológicas e pessoais do que ao ritmo próprio das monografias que chegam pelo correio.
A diferença entre os artesãos e os neófitos não é de evolução, mas de autopercepção, de clareza quanto às suas próprias limitações. Certa vez alguém disse que não era tão jovem para saber todas as respostas. Artesãos tem certeza sobre isso.
Aprenderam a duras penas que sua evolução atende a movimentos erráticos, guiados por uma força superior à sua vontade, e que ao aperfeiçoar-se espiritualmente depararam-se, necessariamente, com suas mais antigas imperfeições, com as regiões mais sombrias de sua mente.
Este é um exercício assustador e ao alcance de poucos. Principalmente porque no início desta senda de auto descoberta supomos que precisamos de coragem para atravessá-la.
Ledo engano. Enfrentar nossos próprios fantasmas, nossos demônios pessoais, que nos tentarão de maneira sagaz e sutil a abandonar o caminho, demanda muito mais confiança em Deus e na sua Infinita Bondade e Proteção do que em nossas próprias forças.
Se possuímos em nós uma parte com a qual temos dificuldade de lidar, uma parte que nos assusta, e que mesmo assim é parte de nossa personalidade, é porque ela representa uma ameaça às nossas convicções, não por que se opõem frontalmente a estas últimas, mas sim porque fazem todo o sentido e são objeções racionais às nossas ações e escolhas, em última análise, sensatas.
Nenhuma tentação verdadeira é explícita ou banal. Não nos oferece escolhas simples, como ouro e riquezas em troca de nossa paz espiritual. Ao contrário, propõe-nos reavaliar nossos critérios acerca daquilo que realmente nos traz felicidade.
A tentação verdadeira sempre toca em nossas carências, ela nos lembra as coisas que achamos que perdemos, de nossas insatisfações sexuais, da inevitável perda progressiva da juventude, das coisas que ferem nosso orgulho, nossa auto estima, nossa vaidade.
Porque dúvidas sempre teremos, se quisermos decidir sozinhos o rumo que daremos às nossas vidas. Só teremos paz verdadeira e tranquilidade quando entregarmos o comando de nosso barco nas mãos do Sublime Navegador, chamado de Mestre Interior, e que é a manifestação em nós da Consciência e da Sabedoria Divina.
É através deste mestre e guia íntimo que somos levados a tomar decisões mais acertadas e nem sempre as mais sensatas, nem sempre aquelas que nos pareceriam mais adequadas à luz da Razão.
Razão esta que muito nos auxilia no cotidiano, mas que não devemos esquecer que é a Falsa Luz, mesmo que pareça ser uma luz verdadeira.
Por isso as argumentações do Demônio, que é o nome que estamos usando para designar o conjunto de energias dentro de nós resultantes de nossa temporária estadia na forma física, nossos hormônios, nossa educação, nossos preconceitos adquiridos, etc, são sempre um primor de lógica e coerência, e nos faz mesmo supor às vêzes que estejamos recebendo uma inspiração angelical, quando na verdade estamos sendo submetidos a uma tentativa de desvio de nossa senda mística.
É sempre bom recordar que a figura babilônica dos Demônios, é, para todos os efeitos, um Anjo, como outro qualquer.
O Mal não nos tenta com o Mal, mas com o Bem.
E assim, ao Artesão é sugerido que sua vida seria mais fácil se abandonasse suas crenças para as quais não obteve às vêzes uma comprovação satisfatória, não no sentido de duvidar de sua autenticidade, mas sim da possibilidade de aplicá-las à sua existência.
As falhas humanas dos oficiais da Ordem são usadas como prova de que não estão aptos a exercer o cargo que exercem e que a qualidade do corpo ritualístico não tem o mesmo apuro que em outras eras, em anos anteriores.
A idade do Artesão pesa sobre seus ombros e isto é usado para mostrar-lhe que talvez tenha se dedicado de modo equivocado a uma prática e a um estudo que não lhe trouxe a paz que desejava, mas sim compromissos e obrigações que às vêzes rivalizam com o tempo da família e com o lazer.
O Demônio, sempre educadamente, com voz baixa, pergunta em nosso ouvido: " Do fundo do seu coração, o que melhorou em tua vida nos últimos anos? Tua pele não está mais jovem, teu corpo não está mais disposto, os problemas cotidianos, as questões de natureza familiar e profissional continuam a surgir, junto com dificuldades sociais e financeiras, e às vêzes legais. Pode-se dizer sinceramente que você está mais feliz hoje do que antes? A sua filiação e a sua lealdade trouxeram algum lucro psicológico ou dom em particular, a não ser aquele aparente consolo diante dos problemas que qualquer religião traz?"
Ficamos quietos, escutando estes comentários, tentando encontrar respostas a estas questões, que se modificam de acordo com o indivíduo que sofre esta tentação.
O que o neófito não sabe e que o Artesão conhece bem, é que o Mal não está fora de nós, mas mora em nossas frustrações pessoais, em nossos fracassos pessoais, em nossa falta de auto estima, em nossos "esqueletos escondidos no armário".
E alguns entre nós tentarão combater estes ataques do inimigo lembrando-se do Karma, e pensando que obedecer a Deus e à Ordem implica em proteção para si mesmo e para os seus, como reflexo da Lei de Anra. Que algum tipo de recompensa, não necessariamente material, mas algum tipo de compensação, acontecerá como consequência de sua firmeza em manter-se junto às fileiras dos oficiais mais antigos.
Em seu interior temem ceder às provocações do mal não por convicção, mas pelo receio das punições, que tem a ver com a Lei Universal.
Isto não é suficiente, entretanto, para trazer paz.
Apenas garante um estado de conflito e receio que precisa ser superado para que possamos realmente trilhar um caminho luminoso.
O Mal tem uma característica interessante. Ele se fortalece com nosso esforço em combatê-lo. Reconhecê-lo como uma força real é dar-lhe densidade e estrutura. O Mal precisa de nosso medo e de nossa resistência para afirmar-se como uma entidade independente.
Seu ponto fraco é ser desmascarado e ter sua enorme fragilidade revelada. Sim, o Mal é extremamente frágil e carente e por isso precisa de alimento e de atenção.
Se consegue gerar a dúvida, a hesitação e o conflito, ou mesmo a reflexão sobre seus argumentos, sua vitória sobre nossas melhores intenções está assegurada.
Como, entretanto, não ter dúvidas, sendo como somos seres frágeis e sujeitos às pressões naturais dos acontecimentos? Como superar nosso receio diante da certeza de nossa morte física, ou da doença, ou da dor psicológica? Como enfim não nos sentirmos inseguros, sendo como somos seres humanos comuns, hoje, exatamente por causa de nossa experiência e tempo de vida, perfeitamente cientes de nossas próprias limitações?
Por isso não podemos confiar em nós mesmos, mas na entrega à inspiração divina, à orientação do Todo Poderoso, e deixar que não nossa cabeça, mas nosso coração, guie nossos passos, nossa jornada.
Assim fazendo, somos tocados pela egrégora dos Mestres deste e de todos os mundos, os Dhyân Chohans da Doutrina Secreta de Blavatsky, ou seus auxiliares, os Mestres da Fraternidade Branca na Terra.
E ao entrar na vibração destes Homens e Mulheres, estes Irmãos mais antigos, tornamos-nos, também, suas extensões neste mundo, e somos imediatamente tocados por sua força.
E o que este contato nos ensina?
Em uma expressão, uma palavra, resume-se a técnica dos Mestres, que nos liberta das tentações e nos ajuda na conquista da Luz: o Serviço.
Servir o próximo,(seja a sociedade que nos cerca, a nossa própria família ou aos animais, sim, aos animais que são nossos companheiros neste planeta e que em muito podem nos mostrar a importância e a força do afeto incondicional), é, além de uma estratégia de acumulação de karma positivo, uma vacina contra a perda da confiança nos valores espirituais.
Servir é a forma manifesta do Amor.
Servir é realizar a mais elevada das virtudes, o Altruísmo, o pensar no outro antes de em voce mesmo.
Servir é exercitar a libertação das preocupações do ego, a verdadeira face do Demônio tentador, o ego que quer prevalecer, que tem receio de desaparecer, que tem medo de não ser valorizado, que se alimenta do elogio e da bajulação.
Servir, principalmente de forma discreta, de modo que "a mão esquerda não saiba o que faz a mão direita", transforma a prática do bem em uma hábito e, com o tempo, em uma necessidade involuntária, onde a Vontade do Altíssimo determina nossas ações e não as nossas crenças pessoais ou valores religiosos.
O Servir é o meio prático e direto de enfrentar as incertezas da existência, colocando-nos em sintonia com toda a Vida em todas as partes do planeta, não só a vida humana, mas com vegetais e animais.
O Amor como um valor ou uma virtude é abstrato e filosófico. Através do Serviço ele ganha densidade e existência, como o Amor Manifesto. E na verdade, é no Serviço que nos assemelhamos ao Criador. Pois Deus nos serve todos os dias, dando-nos o Nous necessário a existência, mantendo-nos aptos através de sua inspiração, no sentido mental e no sentido respiratório.
É Dele que nos alimentamos, é Nele que encontramos sustento, é por Ele que exercemos nosso direito de existir e aprender mais e mais para a Glória de Seu Nome e de toda a Criação.
E se servimos, transformamos-nos em Forças da Criação, ou em termos Martinistas, Agentes Divinos na Terra.
E de que forma servir para aumentar nossa Luz Interior, nos aproximarmos da Iluminação, e vencer a Tentação do Inimigo?
Persistentemente. Compromissando-nos de forma que o desânimo possa ser combatido com o senso de dever. 
Nem todos nós são talhados para o serviço em Corpos Afiliados. Mas quem o é deve usar deste expediente para organizar o seu próprio esforço de serviço.
Pois pelo compromisso, que se oficializa num juramento ao assumir o cargo, seja ele qual for, comprometemos-nos a servir. E aí, aplicamos uma técnica descrita por Pietro Ubaldi como "automatismo": mesmo que o corpo não esteja disposto, mesmo que a preguiça ou o simples cansaço peça, não poderemos faltar a um compromisso que juramos cumprir e isto nos força a comparecer a uma cerimônia aonde exercemos um papel teatral e iniciático importante para outros e não só para nós mesmos.
O Serviço contribui para outro tipo de ganho místico: o desapego. Ao participar solidariamente da ajuda a terceiros, descobrimos o sem número de pessoas que precisam de nosso auxílio e colocamos, automaticamente, nossas próprias dificuldades pessoais em perspectiva por comparação.
Como reclamar de uma unha quebrada diante do Câncer de mama de outro?
Impossível.
Situações como estas são didáticas, elucidativas, esclarecedoras. Permitem-nos contemplar a floresta, não a árvore.
Levantamos os olhos do próprio umbigo e olhamos a nossa volta. 
Esta simples mudança de foco é terapêutica. 
De repente, como num passe de mágica, a nossa dor, o nosso sofrimento (e todos nós temos alguma dor a tratar), torna-se banal. Saímos da condição de murmuradores para a situação inversa, de agentes transformadores. Este é o verdadeiro crescimento da maturidade espiritual.
Este é o verdadeiro batismo de fogo do Artesão. E aí sim, ele será glorificado pelo Altíssimo, porque o serviu não por Medo mas por Amor; mas amar é um verbo transitivo, já que quem ama, ama a alguém ou a alguma coisa. 
E assim, o Artesão, por definição, nunca ama em tese, mas de fato; ama o ato de tecer a realidade a sua volta, com as linhas da generosidade e da bondade. O artesão deve ser, sempre, o tecelão de um novo Universo, para si e para todos a sua volta. Não de forma aleatória este é o seu título, já que também é a sua missão. construir com beleza e arte. 
O ser humano, afinal, principalmente o ser humano iniciado, como lembra o Cabala, tem na sua existência como missão primordial Retificar a Criação, corrigindo-a e aprimorando-a, cônscio de sua cumplicidade com o Criador que gerou não uma obra pronta e acabada, mas um Processo em constante evolução e aperfeiçoamento. E aí sim nos reconheceremos como aqueles abençoados do trecho do Zohar em epígrafe. "-Para quem é toda essa glória?",  foi-me dito:"-Estes são os homens que serviram a Deus sobre a Terra por amor e não por medo!".
Sirvamos, sempre, e muito, de forma a manifestarmos na Terra o Amor de Deus, o amor criativo, real, palpável, não um valor metafísico, mas uma ação concreta no Mundo. Este é o caminho para derrotar a Tentação e humilharmos o Inimigo, amando-o também e de tal forma que ele, como sombra que é, desapareça debaixo de nossa Luz.

domingo, 2 de setembro de 2012

A ILUMINAÇÃO NÃO ESTÁ TÃO LONGE


um trabalho antigo perdido no disco rígido

Suzano, 11 de novembro de 2007 

por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD) 


“Se eu quiser falar com Deus 
Tenho que ficar a sós 
Tenho que apagar a luz 
Tenho que calar a voz 
Tenho que encontrar a paz 
Tenho que folgar os nós 
Dos sapatos, da gravata 
Dos desejos, dos receios 
Tenho que esquecer a data 
Tenho que perder a conta 
Tenho que ter mãos vazias 
Ter a alma e o corpo nus 
Se eu quiser falar com Deus 
Tenho que aceitar a dor 
Tenho que comer o pão 
Que o diabo amassou 
Tenho que virar um cão 
Tenho que lamber o chão 
Dos palácios, dos castelos 
Suntuosos do meu sonho 
Tenho que me ver tristonho 
Tenho que me achar medonho 
E apesar de um mal tamanho 
Alegrar meu coração” 
Gilberto Gil

O massacre dos Cátaros


Escrever sobre as coisas não é o mesmo que experimentá-las. Isto é um truísmo. Mas sempre é bom começar por obviedades para chegar a conclusões heterodoxas. Assim, ao descrever os passos e as etapas que levam a Iluminação ,( “Caminhando para a Luz”, outubro / 2007 ) jamais tive a impressão de que vivenciava estes mesmos passos, mas queria, e muito, mostrar que a iluminação é uma coisa, ao mesmo tempo, extremamente importante e nem por isso inalcançável ou incompreensível para o iniciado mediano. 
Não é assunto para gurus e mestres, mas para o homem comum preocupado com sua alma imortal e minimamente interessado em melhorar como ser humano e como membro de uma sociedade tão criticada, mas que, queiramos ou não, é a nossa sociedade, nosso meio ambiente, nosso sustento psicológico, espiritual e material como a água é para o peixe. Iluminação não é algo excepcional que necessariamente leva ao descolamento social, mas obrigação de todo ser que busca superar a mediocridade do cotidiano e dar sentido a sua existência, partindo do princípio de que para aqueles que crêem, será um passo decisivo na aproximação do todo poderoso e de tudo que ele representa e significa: mais consciência, mais felicidade, mais realização. 



E por que escrever ou discutir este assunto? Por que a maioria das pessoas que o discutiram fora do ambiente das escolas esotéricas, deram-lhes coloridos absolutamente exagerados, provocando a impressão de que a iluminação é tão inalcançável quanto a santidade do Cristo ou de outro iniciado. Religiões foram criadas para confirmar isto: nós todos somos pessoas incapazes de sermos melhores, segundo elas, e só o Cristo e outros Iluminados conseguiram este estado por causa de dons ou circunstâncias absolutamente excepcionais e com certeza irreprodutíveis. Foram dogmas defendidos com uma violência e uma fúria dita cristã durante séculos, fúria esta que varreu da França os Cátaros, provocou a perseguição e morte de filósofos, artistas, e místicos em geral. E tudo em busca de que objetivo? Manter a impressão de que somos todos retardados espirituais que necessitam de um guia espiritual ou pelo menos de um intermediário no contato com o Todo poderoso e, garantir com isso o papel social de um sem número de padres, sacerdotes, pastores, ou o nome que possam ter estes representantes deste sistema. Não, este não é um trabalho guiado ou passível de ser transferido. O encontro entre nós e o eterno é solitário e nada nos impede mesmo assim de conseguir realizar este contato íntimo e profundo.
E o nome deste encontro é Iluminação. Apenas isto. Iluminar-se é mergulhar em Deus e embora este mergulho pareça algo essencialmente religioso, não é. Para o místico, a compreensão do divino segue uma ótica panteísta. Deus está em todas as coisas e todas as coisas são Deus. Logo mergulhar no Divino (Iluminar-se) é mergulhar em todas as coisas ao mesmo tempo, harmonizar-se com a criação por inteiro, em sua totalidade. E quanto falo Totalidade, é exatamente isto de que estou falando, Vida, do jeito que ela parece ser ou é, não importa muito. E já que descrever não é desfrutar nem experienciar, em que um texto sobre iluminação pode auxiliar a quem busca esta iluminação? Simples, pode abrir o debate sobre a impossibilidade do processo em si: podemos fazê-lo ou não? É realmente proibido melhorar nossa espiritualidade? Precisamos mesmo de um intermediário ou esta bobagem que custou a vida de milhares de pessoas só interessava a um grupo que queria manter uma reserva de mercado profissional em uma época sem direitos trabalhistas ou férias remuneradas? Sim, o texto não é a coisa, palavras são apenas palavras, mas são capazes de ridicularizar certezas, gerar dúvidas, tirar pelo menos o Tabu da discussão sobre o tema, tão cercado de mistificação, no mau sentido da palavra. Mais que isto: podemos assim perceber que a iluminação não está tão longe assim, mas que tudo acontece com naturalidade, aos poucos, a cada gesto de bondade do nosso cotidiano, a cada palavra de consolo ou atitude digna que tomamos em relação ao nosso próximo. Este é um processo cumulativo. E a contagem nunca falha. 



Expulsão dos Cátaros de Carcassonne em 1209 


O melhor a fazer é trabalharmos dia a dia pela melhoria de nossa condição humana e buscarmos com isto melhorar nossa sociedade. Dia após dia. No lugar aonde estivermos, fazendo o que estivermos fazendo, não importa o quão simples achemos nosso trabalho ou nossa função. Um dia, quando acordarmos poderemos ser surpreendidos por um estado de bem estar indescritível. Sem nenhuma música de fundo, sem nenhum tipo de sinal, estaremos despertos. E aí sim, iniciaremos a parte mais divertida da jornada quando evoluir deixa de ser um esforço, mas um deleite.


       
Glossário:
Catarismo vs. Catolicismo Romano

A doutrina cátara diferenciava-se da doutrina romana em alguns dos principais "pilares" da doutrina católica:
A criação do mundo
Os cátaros acreditavam que o mundo não havia sido criado diretamente por Deus, mas que era uma materialização do Mal e que, portanto, os que aqui viviam estavam destinados à expiação até que, após uma vida destinada ao bem, voltassem ao Paraíso perdido. Enquanto não conseguissem isso teriam que reencarnar em sucessivas vidas na Terra.

A salvação é uma responsabilidade individual
Outra diferença fundamental da então doutrina romana era que os cátaros acreditavam na salvação pela ação pessoal, e que cada indivíduo era responsável por sua própria salvação através de seus atos. Isso implicava a salvação irrestrita (todos teriam direito à salvação, tudo dependia de suas ações), e na crença de que a relação Deus-homem não necessitava de intermediários; todos os homens teriam o direito e a capacidade de vivenciar a experiência do êxtase espiritual, o que, na doutrina romana era intermediado pelos ritos e sacerdotes da Igreja.
Algumas idéias do catarismo reapareceriam mais tarde em diversos momentos, como no Movimento da Reforma Protestante e naquelas doutrinas que visam resgatar o Cristianismo primitivo, como o Gnosticismo e a Doutrina Espírita.

Cátaros: Os cátaros e o Santo Graal
Rezam as lendas que o Santo Graal (supostamente, o cálice onde Jesus teria bebido vinho na Santa Ceia) teria sido possuído pelos cátaros. Porém, os templários, cavaleiros cruzados encarregados pela Igreja Medieval de resgatar o Santo Graal teriam capturado os cátaros. Mesmo sendo o objetivo central dos templários resgatar o cálice de Jesus, o maior objetivo de todos os cruzados era impor o Catolicismo aos outros povos (por meio bastante violento). Então, os templários submeteram o cristianismo católico aos cátaros, que recusaram-se a abandonar sua fé. Quase todos foram queimados vivos, mas os poucos que sobreviveram levaram o Santo Graal consigo na sua fuga.
A heresia cátara - ou Albigense, da localidade de Albi- provocou a Cruzada Albigense, onde vários que eram considerados "Hereges Medievais", e habitavam as cidades e seus arredores, sofreram agressões e mortes violentas no século XIII. Toda a região de Rennes-le- Chateau carrega o estigma dos resíduos dessa história de amargura e sangue até hoje. Berenger Sauniére , um sacerdote de Rennes-le-Château, se viu envolvido nessa história de sua terra natal, e entrou em contato com as tradições cátaras, ouviu sobre as lendas do cálice sagrado, e encontrou muitos pergaminhos que remetiam a essa seita, e assim as investigações sobre os mitos e a verdadeira história tiveram início.
A Cruzada Albigense durou cerca de 40 anos, comandada pelo Papa Inocêncio III, e seus enviados estampavam a cruz em suas túnicas e tinham como meta e recompensas a absolvição de todos os pecados, remissão das penas, um lugar à salvo no céu e, como recompensa material, o produto de todos os saques.
Os cátaros eram dualistas, acreditavam no conflito, portanto, entre o bem e o mal, o espírito e a carne, o superior e o inferior. Para eles, toda a Criação estava imersa em uma guerra eterna entre os dois princípios irreconciliáveis: A luz - ou seja, o espírito - e a escuridão, ou matéria; sendo os primeiros obra e origem Divina do Bem, e o segundo obra e criação do Mal.
Dois deuses: um sendo o Princípio, o Puro Espírito, a Energia livre das manchas da matéria. O Deus do Amor, considerado incompatível com o poder. Sendo a carne uma manifestação do poder, toda criação material portanto seria obra do segundo deus, um deus usurpador, mau em seu interior, chamado pelos cátaros de Deus do Mundo

Fonte:  Catarismo, Wikipédia, a enciclopédia livre.

sábado, 1 de setembro de 2012

ESCREVER


por Mario Sales, FRC.:, C.:R.:+C.:, S.:I.:(membro do CFD)

Vir aqui no blog todas as semanas e deixar algumas marcas no ciberespaço me consola.Alguns anos atrás eu perguntava ao vazio: "Quem lê blogs?". Hoje isso não importa mais, porque o hábito, o vício, a necessidade de escrever, supera a possibilidade de ser lido ou não. 
Ainda mais se imaginarmos a especificidade deste nicho, textos voltados especificamente para membros de ordens iniciáticas, em 2012, quando o segredo saiu de moda e apenas a discrição é suficiente, pode-se imaginar que não serei alvo de milhões de acessos. É um assunto para poucos, muito poucos, mas mesmo isto, agora, não tem mais importância. Meus dedos querem o teclado, meu espírito quer o teclado, nem que seja para reflexões breves sobre o ato de escrever como esta. Eu gostaria de escrever todos os dias, mas não consigo. Entre um ambulatório e outro, acho que o sofrimento dos pacientes no serviço público ou fora dele ou a monotonia dos procedimentos burocráticos me exaure as energias. Nem sempre chego em casa inspirado ou tocado por uma motivação qualquer. Mas aos sábados sempre resta a calma e a tranquilidade desta casa verde e cercada de plantas, e aí, na quietude da manhã, as idéias fluem de mim para a tela, sem obstáculos, sem dificuldades.
E assim, está feito.
O ato de registrar as imagens e os conceitos, as divagações, já me agrada e consola. E passo o dia muito bem. Independente se o que escrevi será ou não lido, independente de quem leu gostou ou não, escrevi, e isso me basta.
É muito boa essa sensação.